Copa e bets elevam risco de fraudes via Pix e colocam empresas em alerta
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Copa e bets elevam risco de fraudes via Pix e colocam empresas em alerta

Publicado em 11/06/2026 , por InfoMoney

Movimentação bilionária em plataformas de apostas, delivery e comércio digital deve elevar pressão sobre sistemas antifraude durante o torneio

A Copa do Mundo nem começou e já promete movimentar bilhões de reais em apostas esportivas, consumo e pagamentos digitais no Brasil. Só o varejo já estima movimentar aproximadamente R$ 4,32 bilhões, alta real de 6,5% em relação à Copa de 2022. Todo esse aumento nas transações também acende um alerta para bancos, fintechs e empresas com a expectativa de crescimento das tentativas de fraude financeira justamente no momento em que o Pix se consolida como principal meio de pagamento do país.

O fenômeno combina dois movimentos que ganharam força nos últimos anos. De um lado, a popularização das apostas esportivas online. De outro, a expansão acelerada do Pix, responsável por mais da metade (54,7% ) das transações financeiras realizadas no Brasil, segundo dados do Banco Central. O resultado é um ambiente de intenso fluxo de recursos, que também atrai a atenção de criminosos.

Levantamento da consultoria GMattos, especializada na área de meios de pagamentos, mostra que cerca de 15,3% de todos os pagamentos realizados por pessoas físicas para empresas via Pix no primeiro semestre de 2025 tiveram como destino plataformas de apostas online. Já o Banco Central estima que os brasileiros movimentem entre R$ 20 bilhões e R$ 30 bilhões por mês em bets.

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Não é à toa que o Brasil já se consolidou como um dos maiores mercados globais de apostas esportivas. Levantamentos recentes apontam que 56% dos brasileiros não descartam apostar durante a Copa do Mundo. Entre os jovens de 18 a 24 anos, esse percentual chega a cerca de 70%. O recorte mais sensível está entre os endividados: 79% dos que pretendem apostar já possuem algum tipo de dívida.

O crescimento desse mercado tem atraído atenção não apenas de reguladores, mas também de autoridades responsáveis pelo combate a fraudes, lavagem de dinheiro e crimes financeiros. Em 2025, a chamada CPI das Bets colocou o setor no centro do debate público ao investigar desde o impacto do vício em apostas até a atuação de influenciadores digitais na promoção dessas plataformas.

Para o advogado tributarista e presidente do Durão, Almeida & Pontes – Advogados Associados, Bruno Medeiros Durão, a Copa será o primeiro grande teste popular do mercado de apostas esportivas sob um ambiente regulatório mais estruturado no Brasil. “A regulamentação das apostas trouxe maior segurança jurídica para empresas, consumidores e para o próprio Estado. Mas a Copa do Mundo cria um ambiente de consumo emocional, de forte apelo nacional e de aumento expressivo no volume de apostas. Por isso, a fiscalização precisa funcionar não apenas sob a ótica arrecadatória, mas também como instrumento de prevenção à lavagem de dinheiro, proteção do consumidor e controle do superendividamento”, afirma.

Ambiente propício para criminosos

Para especialistas em prevenção a fraudes, grandes eventos esportivos costumam produzir uma combinação de fatores que favorece a atuação criminosa, com aumento abrupto das transações, pressão operacional sobre empresas e comportamento mais impulsivo dos consumidores.

“É nesse tipo de evento que costumamos observar um crescimento expressivo da movimentação financeira em um curto espaço de tempo, criando oportunidades para ações criminosas”, afirma Rafaela Helbing, CEO da Data Rudder, empresa especializada em inteligência antifraude transacional.

Entre os golpes mais frequentes em períodos de alta demanda estão:

  • comprovantes falsos de Pix;
  • uso de contas laranja;
  • engenharia social;
  • abertura automatizada de contas;
  • utilização indevida de bônus promocionais;
  • fraudes envolvendo identidade digital.

Além das plataformas de apostas, setores como bares, restaurantes, delivery e comércio eletrônico tendem a registrar forte aumento de movimentação financeira durante os jogos, ampliando os desafios de validação de pagamentos e controle operacional.

Pesquisa da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) aponta que 52% dos estabelecimentos pretendem transmitir jogos da Copa. Entre os que vão exibir as partidas, 80% esperam aumento de faturamento em comparação aos dias sem jogos, e 59% projetam crescimento de até 20% nas receitas durante o período.

Tudo isso eleva substancialmente a quantidade de transações eletrônicas. Mas é o mercado de bets que merece atenção especial por reunir alto volume transacional e intensa circulação de recursos em períodos curtos. Segundo Rafaela, os criminosos costumam explorar justamente os momentos em que as empresas precisam processar um número muito maior de operações simultaneamente.

“O criminoso se aproveita da urgência e do aumento do fluxo operacional causado pela comoção nacional. Muitas vezes as instituições não conseguem adaptar seus mecanismos de monitoramento na mesma velocidade do crescimento das transações”, explica.

As campanhas promocionais ligadas à Copa também ampliam a superfície de risco. Bônus, cashback e programas de incentivo oferecidos por plataformas digitais podem ser explorados por fraudadores por meio de múltiplos cadastros automatizados e uso de identidades falsas.

Diante da expectativa de crescimento das transações, especialistas recomendam que as próprias empresas reforcem seus mecanismos de prevenção antes mesmo do início do torneio.

Entre as medidas consideradas prioritárias estão:

  • monitoramento em tempo real das transações;
  • análise comportamental dos usuários;
  • validação reforçada de identidade;
  • conferência automática de pagamentos;
  • revisão de políticas de cadastro;
  • monitoramento de contas recém-criadas.

Segundo Rafaela Helbing, o principal erro é acreditar que os padrões de comportamento observados em períodos normais permanecerão válidos durante eventos de grande audiência. “Comportamentos considerados normais antes da Copa podem deixar de ser durante o torneio. É justamente nessa mudança que os fraudadores encontram oportunidades para atuar”, afirma.

Inteligência artificial

Com o aumento da complexidade das fraudes digitais, soluções baseadas em inteligência artificial e análise comportamental vêm ganhando espaço no mercado. Essas ferramentas conseguem cruzar centenas de variáveis em tempo real para identificar movimentações suspeitas antes da conclusão de uma transação.

“A fraude acompanha o comportamento do consumidor. Quando há crescimento acelerado das transações, os criminosos também se movimentam mais rápido. Por isso, a segurança deixou de ser apenas uma camada técnica e passou a fazer parte da estratégia operacional das empresas”, conclui Rafaela.

A expectativa do mercado é que a Copa represente mais um teste para a infraestrutura digital brasileira. E, ao que tudo indica, a disputa contra as fraudes será tão intensa quanto a que acontecerá dentro dos gramados.

Fonte: InfoMoney - 11/06/2026

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