Mulheres 50+ ganham espaço na moda, mas especialistas alertam para pressão estética
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Mulheres 50+ ganham espaço na moda, mas especialistas alertam para pressão estética

Publicado em 10/03/2026 , por G1

Estilistas apostam em modelos grisalhas e atrizes veteranas para atrair consumidoras maduras; crítica aponta exigência por padrão 'supermagro e supersensual'.

Com modelos de cabelos grisalhos, sexagenárias nas primeiras filas e a busca por consumidoras maduras, as mulheres acima dos 50 anos estão ganhando visibilidade na moda.

O estilista Matthieu Blazy causou frisson ao abrir seu desfile de alta-costura da Chanel em janeiro com a modelo de 50 anos e cabelos grisalhos Stéphanie Cavalli.

"Mulheres mais velhas trazem uma dimensão completamente diferente para as roupas. Elas viveram, viram o mundo", explicou ao jornal "The New York Times".

O designer francês Simon Porte Jacquemus compartilha dessa visão. Suas duas musas, Pamela Anderson, de 58 anos, e Lio, de 63, exibem suas rugas com naturalidade, e sua avó de 79 anos, Liline, foi nomeada a primeira embaixadora de sua marca.

Para Cavalli, embora a maioria das modelos ainda tenha menos de 30 anos, a maior diversidade vista nas passarelas mostra que "as mentalidades evoluíram".

"Eu e minhas colegas da mesma geração costumamos dizer que hoje é a melhor época para ter 50 anos e ser modelo", disse ela à "Vogue" francesa no início de fevereiro.

A supermodelo britânica Kate Moss, de 52 anos, estrela dos anos 1990, também causou sensação ao encerrar o primeiro desfile da Gucci assinado por Demna, em fevereiro, usando um vestido justo com as costas abertas.

A atriz americana Laura Dern, de 59 anos, abriu o desfile da uruguaia Gabriela Hearst em Paris, em outubro. Quanto às estilistas, quase todas têm mais de 50 anos: Maria Grazia Chiuri, da Fendi, Victoria Beckham, Sarah Burton, da Givenchy, e Stella McCartney.

Para Victoria Dartigues, diretora de compras da Galeries Lafayette, a moda busca atingir "pessoas que têm experiência e relacionamentos de longa data com as marcas".

"Existem mulheres muito jovens que podem comprar marcas de luxo, mas na maioria das vezes nosso público-alvo são 'mulheres de negócios', mulheres que trabalham e, portanto, têm uma certa idade."

Cuidado com 'armadilha'

É importante também considerar que gigantes do luxo como a LVMH, dona de Louis Vuitton, Dior e Celine, e a Kering, de Gucci, Saint Laurent e Balenciaga, enfrentam dificuldades financeiras e buscam impulsionar as vendas.

Segundo Dartigues, comprar artigos de luxo não é algo trivial: "É preciso um certo nível de experiência, conhecimento da peça, uma cultura de moda, algo que você não necessariamente tem aos 20 anos".

Nos desfiles de moda, podemos ver Demi Moore, aos 63 anos, na primeira fila vestindo um look todo de couro na Gucci, Andie MacDowell, de 67, com seus cabelos grisalhos na Armani, ou Michelle Pfeiffer, também com 67, como convidada surpresa na Saint Laurent.

Sophie Fontanel, crítica de moda da revista "Nouvel Obs", alerta para uma possível "armadilha" do culto excessivo à juventude entre essas modelos mais velhas.

"São apresentadas mulheres entre 50 e 65 anos, ou até mais velhas, que continuam com um aspecto incrível", diz a crítica. "Como se as mulheres fossem obrigadas a continuar se encaixando nos padrões dos estilistas, a serem supermagras, supersensuais... Mas tudo isto está cheio de imposições."

Fonte: G1

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