Inadimplência no consignado de servidores cai, enquanto a de trabalhadores privados sobe
Publicado em 09/08/2026 , por Folha Online
Ao longo deste ano, a taxa de inadimplência no crédito consignado dos servidores públicos diminuiu, enquanto a dos trabalhadores do setor privado aumentou, segundo dados do sistema financeiro organizados pelo Banco Central.
Em parte, é normal que o nível de inadimplência entre os trabalhadores do setor público seja menor do que o do privado devido à estabilidade no emprego. Em dezembro de 2025, porém, a taxa entre os funcionários públicos chegou a 2,9%, o que não ocorria desde janeiro de 2021.
Desde então, vem em trajetória de queda, e, pelos dados mais recentes, de junho, a taxa é de 2,6%.
A inadimplência do consignado dos celetistas, no entanto, piorou. Em dezembro de 2025, ela era de 5,5%, próximo da média histórica. Desde então, subiu e chegou a 8,6% em junho, o maior nível desde março de 2011, dado mais antigo disponível nas tabelas de crédito do sistema financeiro do Banco Central.
Segundo Ione Amorim, coordenadora do programa de Serviços Financeiros do Idec (Instituto de Defesa do Consumidor), o patamar de 2,9% registrado no fim do ano passado para os servidores representou um pico incomum para essa carteira.
Ela afirma que houve uma melhora na qualidade da oferta de crédito consignado aos servidores após o aumento da fiscalização por parte das próprias instituições financeiras. Esse movimento começou após os escândalos envolvendo descontos indevidos em benefícios do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).
Amorim cita, por exemplo, restrições a concessões de empréstimos por correspondentes bancários e diz que a política mais criteriosa tende a resultar em uma carteira com menos inadimplência.
No setor privado o movimento é de forte expansão. Em julho de 2025, uma medida provisória alterou as regras para a concessão de consignado para os trabalhadores da iniciativa privada. Uma das alterações é a permissão para que as próprias pessoas negociem com os bancos, mesmo se o empregador não tiver um acordo com a instituição financeira.
O resultado é um aumento significativo do volume dessa linha de crédito: a carteira de maio de 2026 é 2,4 vezes o tamanho da carteira do mesmo mês do ano passado.
Para Amorim, a combinação de expansão da oferta com as características do mercado de trabalho privado (por exemplo, alta rotatividade) explica a alta da inadimplência nessa modalidade.
Antonio Ricciardi, economista da área de pesquisa macroeconômica do Daycoval, afirma que ainda é cedo para tirar conclusões sobre a tendência da inadimplência da carteira de consignado privado. Isso porque as novas regras da modalidade levaram o patamar de volume para um nível muito diferente da série histórica, que não serve mais de referência.
A taxa atual, de 8,6%, está bem acima da média histórica de 5,1%. O economista afirma que, apesar do crescimento, o consignado privado está longe de ser a principal fonte de endividamento das famílias. O cartão de crédito ainda é o principal instrumento de endividamento das famílias.
Fonte: Folha Online - 08/08/2026
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