TCU alerta governo para risco fiscal de manter universalização dos Correios sem compensação
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TCU alerta governo para risco fiscal de manter universalização dos Correios sem compensação

Publicado em 23/07/2026 , por G1

Falta de compensação de custos pode comprometer a sustentabilidade econômico-financeira do serviço e reduzir a capacidade dos Correios de garantir serviços postais universais.

O Tribunal de Contas da União (TCU) vai alertar o governo federal sobre o risco fiscal de manter a política de universalização dos serviços postais sem um mecanismo permanente, transparente e explícito para compensar seus custos.

A universalização significa garantir a prestação dos serviços em todo o país. A política de universalização dos Correios exige a presença e a entrega de serviços postais básicos (como cartas e encomendas) em todos os municípios brasileiros.

O tribunal observa que a ausência desse aparato pode comprometer a sustentabilidade econômico-financeira do serviço nos médio e longo prazos, reduzir a capacidade dos Correios de garantir a continuidade, a regularidade e a atualização dos serviços postais universais.

Em 2025, os custos da universalização dos serviços postais somaram cerca de R$ 24,69 bilhões, enquanto as receitas alcançaram R$ 15,19 bilhões. Para os auditores, o resultado revela um "descompasso expressivo entre custos e receitas".

A maior parte das despesas está relacionada à manutenção da estrutura necessária para atender todo o país, incluindo gastos com pessoal, infraestrutura operacional e áreas administrativas. Cerca de 68% dos custos correspondem às operações diretamente ligadas à prestação dos serviços postais.

Na avaliação do TCU, a combinação entre a queda estrutural das receitas e o aumento contínuo dos custos agravou o desequilíbrio financeiro da política pública.

Como resultado, destacam os técnicos, os Correios se viram com redução da capacidade de autofinanciamento, o que levou a empresa a recorrer com maior frequência a operações de crédito, planos de reestruturação e fontes externas de financiamento.

Apesar das dificuldades financeiras, os auditores destacam que os serviços postais continuam essenciais em regiões com baixa conectividade digital, isolamento geográfico e pouca presença da iniciativa privada.

Nessas localidades, a rede dos Correios funciona como instrumento de integração territorial, acesso a direitos e apoio à execução de outras políticas públicas.

Ainda assim, o diagnóstico é de que a política de universalização ainda não assegura acesso igualitário aos serviços. Embora as metas de cobertura municipal sejam cumpridas, o mesmo não é verificado em comunidades tradicionais, áreas rurais remotas e periferias urbanas, que seguem enfrentando dificuldades de atendimento.

Os auditores observam que os critérios que têm sido adotados não contemplam desigualdades regionais e acabam confundindo baixa demanda com ausência de necessidade.

"Adicionalmente, fatores estruturais como a precariedade do endereçamento urbano, a insuficiente coordenação interfederativa, as restrições de segurança pública e a inexistência de diagnósticos sistemáticos sobre a situação postal de populações vulneráveis contribuem para a invisibilidade estatística e institucional desses grupos, dificultando a formulação de respostas coordenadas e baseadas em evidências", avaliam os técnicos.

O somatório desses fatores, apontam os técnicos, fazem com que o modelo atual coloque os Correios diante de um impasse: reduzir custos pode comprometer a capilaridade da rede, enquanto ampliar a universalização exige recursos que a empresa já não consegue suportar.

Segundo o tribunal, sem mudanças na governança e na forma de financiamento a sustentabilidade financeira e a continuidade do serviço postal universal permanecem em risco.

Fonte: G1 - 22/07/2026

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