Sem plano B: tarifaço de 25% de Trump ameaça produção e empregos no setor madeireiro
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Sem plano B: tarifaço de 25% de Trump ameaça produção e empregos no setor madeireiro

Publicado em 23/07/2026 , por Folha Online

Empresas de madeira processada, um dos setores brasileiros taxados por Donald Trump mais dependentes da economia norte-americana, planejam reduzir produção. Segundo associação do segmento, se nada mudar, o caminho pode ser de demissões. A posição no momento é que não há um plano B.

CEO da Solida, Daniel Wojski Solida, fala em "ajuste do ritmo produtivo", caso a nova tarifa de 25% seja mantida por um tempo prolongado. Segundo ele, a situação já levou a companhia a prospectar novos mercados para exportação. Não que seja fácil.

Grande parte da linha de produtos da Solida, especializada em madeira de alta qualidade, é desenhada com as especificações pedidas por clientes norte-americanos. Isso exigiria adaptações técnicas.

"Nossos artigos podem ser redirecionados para mercados como a Europa, a América Latina e a Ásia; porém, os Estados Unidos continuarão sendo o maior consumidor mundial", diz o executivo.

Entre os mercados atingidos pela nova rodada de tarifas norte-americanas, nenhum é tão afetado quanto o madeireiro, alega a Abimci (Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente). Pelos dados da entidade, 80% da produção nacional é voltada para exportação. Metade disso vai para os Estados Unidos (40%).

Em 2025, o Brasil vendeu cerca de US$ 1,2 bilhão em madeira processada para os Estados Unidos.

"Entendemos que a medida tem caráter mais político do que técnico e defendemos o diálogo como caminho para preservar uma relação comercial construída ao longo de anos", diz o CEO da Solida, empresa que tem 70% do seu faturamento atrelado a vendas para os EUA.

A situação é ainda mais crítica para as molduras de madeira. Quase 100% de toda a produção nacional é feita sob medida para a construção civil americana. O produto sequer foi pensado para outros compradores.

"Postos de trabalho ficam ameaçados a partir da implementação dessas novas medidas tarifárias. Esses 25% de diferença em qualquer tarifa praticamente inviabilizam o comércio entre as duas partes. A preocupação do setor é muito grande", diz Paulo Pupo, superintendente da Abimci. Para ele, o Brasil também perde isonomia frente a concorrentes internacionais.

Fonte: Folha Online - 22/07/2026

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