Grupo Itajobi pede cautelar para reestruturar dívida de R$ 3,7 bilhões
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Grupo Itajobi pede cautelar para reestruturar dívida de R$ 3,7 bilhões

Publicado em 20/07/2026 , por Folha Online

O Grupo Itajobi, complexo sucroeergético que controla as usinas Itajobi, Carolo e Rio Pardo, instaurou pedido de mediação empresarial no Cejusc (Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania) de São José do Rio Preto, interior de São Paulo, e ajuizou medida cautelar antecedente para reestruturar um passivo de R$ 3.761.509.460,21.

A iniciativa busca uma solução negociada antes e independentemente de eventual pedido de recuperação judicial. O grupo mantém unidades em Marapoama, Pontal, Morro Agudo e Cerqueira César/Avaré.

Segundo William Matheus Martinez, advogado que assessora o grupo, a mediação antecedente evita o desgaste de um processo formal de recuperação judicial, que pode se estender por anos e corroer valor da operação. Ele afirma que o setor sucroalcooleiro costuma recorrer à recuperação judicial apenas como último recurso, quando o caixa já está comprometido e resta pouca margem de negociação.

A reestruturação ocorre em meio a uma deterioração conjuntural do setor: o custo da tonelada de cana atingiu patamar recorde na safra 2025/26, o ATR recuou, o açúcar cristal branco caiu para menos de R$ 100 por saca de 50 kg. Tal piso não é visto desde 2020. O etanol de milho já responde por cerca de um terço do mercado nacional de etanol combustível.

As usinas Itajobi e Rio Pardo seguem em operação normal, enquanto a planta da Carolo, em Pontal, está em hibernação técnica, medida que visa preservar o valor do ativo para uma retomada futura. Só em 2024, a Carolo recolheu R$ 16,95 milhões em tributos e manteve 744 empregos diretos e 450 indiretos nas quatro cidades onde o grupo atua.

O escritório que representa o grupo confirma que unidades foram citadas na Operação Carbono Oculto, mas ressalta que a investigação está em fase probatória, sem condenação ou decisão que restrinja as atividades da empresa. Martinez afirma que o grupo apresentou defesa técnica e vem colaborando com as autoridades, e reforça que o processo em curso trata da reestruturação da dívida de empresas em operação.

Fonte: Folha Online - 19/07/2026

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