Mais vagas, salários menores: seis dos 10 setores que mais empregam pagam abaixo da média nacional
Publicado em 26/06/2026 , por G1
Dados do IBGE revelam diferenças expressivas de remuneração por setor, escolaridade, gênero e região do país.
Parte dos setores que mais empregam no Brasil também está entre os que pagam os menores salários médios, segundo o relatório de Estatísticas do Cadastro Central de Empresas (CEMPRE), divulgado nesta quinta-feira (24) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O levantamento analisou 20 atividades com base em dados de 2024. Os 10 setores que mais empregam no Brasil concentram mais de 48,9 milhões de trabalhadores assalariados — mais de 90% do total do país.
Entre esses setores, pelo menos seis pagam salários abaixo da média nacional, de R$ 3.932,45.
O setor de comércio e reparação de veículos automotores e motocicletas, por exemplo, concentra quase 10 milhões de trabalhadores assalariados (18,2% do total) e é o maior empregador do país, mas paga uma média de R$ 2.797,83 por mês — o quarto menor valor entre as atividades analisadas.
Outro destaque é o segmento de atividades administrativas e serviços complementares, que reúne mais de 5,7 milhões de assalariados (10,6% do total) e paga uma média mensal de R$ 2.392,97 — acima apenas do setor de alojamento e alimentação, que paga, em média, R$ 2.080,17.
Na outra ponta, setores que concentram menos de 3% dos trabalhadores apresentam os maiores salários médios.
O principal destaque é o de organismos internacionais e outras instituições extraterritoriais, que representa cerca de 0,1% dos assalariados e paga em média R$ 9.678,61 — quatro vezes mais do que o salário pago pelo segmento de alojamento e alimentação.
O segmento de eletricidade e gás, por sua vez, concentra cerca de 0,25% dos assalariados e paga, em média, R$ 8.539,07 por mês. Em seguida aparece o setor de atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados, com cerca de 1,3 milhão de trabalhadores e salário médio de R$ 8.430,55.
Número de empresas cresce no Brasil
O levantamento do IBGE mostrou ainda que havia cerca de 10,6 milhões de empresas e outras organizações formais ativas no país em 2024, um aumento de 5,8% em relação ao ano anterior.
Essas organizações empregaram cerca de 68 milhões de pessoas no ano, sendo 54 milhões assalariadas.
- O número de ocupados reúne todos os trabalhadores, incluindo donos de negócios.Já o total de assalariados considera apenas quem tem emprego formal e recebe salário.
Do total de empresas do país, 93% (9,9 milhões) são de pequeno porte, com até nove funcionários. Esse segmento também foi responsável por grande parte do crescimento no número de empresas, com alta de 6,1% no período.
Diploma de ensino superior aumenta salário em R$ 5 mil
O relatório mostra que trabalhadores com nível superior, embora representem apenas 23,6% dos assalariados, recebem em média cerca de R$ 5 mil a mais que aqueles com formação até o ensino médio.
Enquanto trabalhadores com ensino superior ganhavam, em média, R$ 7.776,59, os que tinham formação até o ensino médio recebiam cerca de R$ 2.742,41.
- Isso significa que, na prática, trabalhadores com ensino superior ganhamquase três vezes maisdo que aqueles sem graduação.
Já na análise por gênero, os homens receberam, em média, salários 16,6% maiores que os das mulheres em 2024. Segundo o relatório, enquanto o salário médio deles ficou em R$ 4.206 em 2024, o valor recebido por elas foi de R$ 3.608,04.
Além de receberem salários maiores, os homens também representavam a maior parte do pessoal ocupado assalariado, com 29,3 milhões de pessoas.
Distrito Federal tem a maior média salarial
As diferenças de renda também aparecem quando se observa a distribuição regional. O Distrito Federal é a unidade federativa com o maior salário médio mensal, de R$ 6.845,13.
O valor é cerca de R$ 2,3 mil maior do que o salário médio do Rio de Janeiro, que aparece em segundo lugar no ranking das maiores remunerações, com média de R$ 4.501,35.
São Paulo aparece em terceiro lugar, com salário médio de R$ 4.423,04.
Veja abaixo qual é o salário médio no seu estado:
Fonte: G1 - 25/06/2026
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