Eloos: Tecnologia e ciência são apontados como pilares do futuro do agro
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Eloos: Tecnologia e ciência são apontados como pilares do futuro do agro

Publicado em 02/06/2026 , por CNN Brasil

Especialistas destacam que inovação, assistência técnica e acesso a crédito serão fundamentais para ampliar competitividade do setor

O avanço da tecnologia, da ciência aplicada e da gestão baseada em dados foi o tema central do painel “Ciência para dentro das porteiras: os desafios para o agro tecnológico e inovador”, realizado durante o Eloos, evento promovido nesta segunda-feira (1º) pela Itatiaia em parceria com a CNN Brasil, em Belo Horizonte.

O presidente da Sociedade Mineira dos Engenheiros Agrônomos, Bernardo Scarpelli, destacou que a engenharia agronômica tem papel fundamental na transformação tecnológica do agronegócio brasileiro.

Segundo ele, os ganhos de produtividade observados nas últimas décadas são resultado direto da aplicação da ciência no campo.

Como exemplo, Scarpelli citou a evolução da cultura do milho, cuja produtividade saltou de cerca de cinco toneladas por hectare há 30 anos para patamares próximos de 16 toneladas por hectare atualmente.

Apesar dos avanços, ele ressaltou que ainda existem desafios relacionados ao uso adequado de equipamentos e insumos, reforçando a importância da capacitação técnica dos produtores.

O presidente da Faemg (Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais), Antônio de Salvo, destacou os resultados obtidos por meio da Ateg (Assistência Técnica e Gerencial).

Segundo ele, produtores atendidos pelo programa registraram aumento médio de 21% na renda da pecuária leiteira e de 26% na cafeicultura.

De Salvo afirmou que a meta da entidade para os próximos dez anos é ampliar o atendimento técnico a todos os produtores rurais do estado, reduzindo gradualmente a dependência de apoio estatal.

Ele também ressaltou que o pacote tecnológico desenvolvido pela agropecuária brasileira é único no mundo e que organismos internacionais, como a FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura), têm ampliado o reconhecimento das características e dos avanços da agricultura tropical.

O professor convidado do Centro Agroambiental da FDC (Fundação Dom Cabral), Guilherme Raucci, destacou que o setor vive uma nova etapa de evolução tecnológica, marcada pelo uso de sementes melhoradas, bioinsumos, agricultura de precisão e ferramentas digitais.

Segundo ele, a agricultura brasileira já opera em um ambiente de alta tecnologia, mas enfrenta o desafio de transformar o grande volume de dados gerados nas propriedades em decisões mais eficientes.

Raucci observou que, por ser uma atividade realizada a céu aberto e sujeita a fatores climáticos, a agropecuária exige cada vez mais planejamento e capacidade de interpretar informações para reduzir riscos e aumentar a produtividade.

Também participante do debate, a deputada estadual Ludmila Falcão (Republicanos-MG) destacou que a tecnologia é fundamental para o desenvolvimento do agronegócio mineiro e para a competitividade do estado frente a outros polos produtores do país.

A parlamentar ressaltou a importância da Epamig (Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais) e da Emater-MG (Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais) na geração de conhecimento, pesquisa e assistência aos produtores rurais.

Segundo ela, o avanço tecnológico será decisivo para que Minas Gerais continue ampliando sua participação nos mercados nacional e internacional, com ganhos de eficiência, produtividade e sustentabilidade.

Durante o evento, o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), também chamou atenção para os desafios econômicos enfrentados pelo setor.

Segundo ele, os atuais patamares das taxas de juros dificultam novos investimentos no agronegócio e acabam limitando o avanço de projetos voltados à modernização das propriedades.

Zema destacou ainda que o aumento da inadimplência tem levado produtores e empresas a adotarem uma postura mais cautelosa na hora de investir. Para ele, o crescimento econômico depende diretamente da capacidade de investimento dos agentes produtivos.

"Uma economia para avançar precisa de investimentos, e quem investe também aumenta a produtividade", afirmou.

Fonte: CNN Brasil - 02/06/2026

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