IPCA: inflação desacelera para 0,67% em abril, mas alimentos seguem como principal pressão
Publicado em 13/05/2026 , por G1
Alimentos e produtos de saúde concentraram cerca de dois terços da alta dos preços em abril; no acumulado de 12 meses, inflação oficial acelerou para 4,39%, acima dos 4,14% registrados até março.
IPCA: inflação desacelera para 0,67% em abril
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, subiu 0,67% em abril, segundo dados divulgados nesta terça-feira (12) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado mostra uma desaceleração em relação a março, quando os preços haviam avançado 0,88%.
Já na comparação com os últimos 12 meses, a trajetória foi de aceleração: a inflação passou de 4,14% até março para 4,39% em abril. No mesmo mês do ano passado, o IPCA havia registrado variação mensal de 0,43%.
- Mesmo com esse resultado,o índice segue dentro do intervalo de tolerância da meta de inflaçãodefinida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).Para 2026, o objetivo é manter o IPCA em 3%, com limite máximo de 4,5%. Desde o ano passado, essa meta passou a ser contínua — isso significa que o cumprimento é acompanhado mês a mês com base na inflação acumulada em 12 meses.
O grupo Alimentação e bebidas foi o que mais pressionou a inflação de abril, respondendo sozinho por 0,29 ponto percentual do IPCA. Na sequência, apareceu Saúde e cuidados pessoais, com impacto de 0,16 ponto percentual.
Juntos, os dois grupos concentraram a maior parte da alta dos preços no mês e foram responsáveis por cerca de dois terços (67%) do resultado do índice.
Segundo Fernando Gonçalves, gerente do IPCA no IBGE, a pressão dos alimentos refletiu uma combinação de menor oferta de alguns produtos e aumento nos custos de transporte.
Veja o resultado dos grupos do IPCA:
- Alimentação e bebida:1,34%;
- Habitação:0,63%;
- Artigos de residência:0,65%;
- Vestuário:0,52%;
- Transportes:0,06%;
- Saúde e cuidados pessoais:1,16%;
- Despesas pessoais:0,35%;
- Educação:0,06%;
- Comunicação:0,57%.
️ Alimentação segue pressionando inflação
O grupo Alimentação e bebidas subiu 1,34% em abril e acumula alta de 3,44% nos quatro primeiros meses de 2026, mantendo-se como o principal fator de pressão sobre a inflação no período.
- Preço dos alimentos em abril:o que ficou mais caro e o que ficou mais barato no mês
Dentro de casa, os preços dos alimentos consumidos no domicílio avançaram 1,64%. As maiores altas foram registradas em produtos bastante presentes no dia a dia dos brasileiros:
Nem todos os itens, porém, ficaram mais caros no mês. Alguns produtos tiveram queda de preço:
Já a alimentação fora do domicílio — que inclui gastos com restaurantes, lanchonetes e estabelecimentos semelhantes — teve alta de 0,59% em abril.
Os lanches continuaram subindo, mas em ritmo um pouco menor, passando de 0,89% em março para 0,71% em abril. No caso das refeições, como almoços e jantares, a variação foi de 0,49% para 0,54% no mesmo período.
O grupo Saúde e cuidados pessoais subiu 1,16% em abril, tornando-se o segundo principal fator de pressão sobre a inflação no mês.
A alta foi puxada principalmente por itens bastante presentes no dia a dia dos consumidores:
- Produtos farmacêuticos:1,77%
- Artigos de higiene pessoal:1,57%
- Perfumes:1,94%
No caso dos medicamentos, o avanço dos preços ocorreu após a autorização para reajustes de até 3,81%, em vigor desde 1º de abril.
Já os produtos de higiene pessoal também contribuíram para elevar o índice, com destaque para os perfumes, que registraram a maior alta dentro dessa categoria.
✈️ Queda das passagens aéreas reduz pressão dos transportes
O grupo Transportes praticamente ficou estável em abril, com alta de apenas 0,06%, após ter avançado 1,64% em março. A desaceleração foi provocada principalmente pela forte queda das passagens aéreas, que ficaram 14,45% mais baratas no período.
Também contribuíram para aliviar a inflação as reduções nas tarifas de ônibus urbanos e de metrô, refletindo a adoção de gratuidades e descontos em domingos e feriados em diversas capitais do país.
Por outro lado, os combustíveis continuaram em alta e impediram uma queda mais acentuada do grupo. Os principais movimentos foram:
- ⛽Gasolina:1,86%
- Óleo diesel:4,46%
- Etanol:0,62%
- Gás veicular:-1,24%
Mesmo com alta menor do que a registrada em março, a gasolina continuou sendo o item com maior impacto individual sobre o IPCA de abril, respondendo sozinha por 0,10 ponto percentual do índice.
Outros serviços de transporte também ficaram mais caros, como o ônibus intermunicipal e as corridas de táxi, influenciados por reajustes tarifários em algumas cidades.
Fonte: G1 - 12/05/2026
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