Governo calcula que aumento de etanol na gasolina vai reduzir 454 milhões de litros em importação
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Governo calcula que aumento de etanol na gasolina vai reduzir 454 milhões de litros em importação

Publicado em 06/05/2026 , por Folha Online

O aumento da mistura de etanol na gasolina, de 30% para 32%, previsto para ser chancelado nesta quinta-feira (7), vai permitir que as distribuidoras de combustível cortem a importação de 454 milhões de litros de gasolina no prazo de 180 dias, período em que vai vigorar a medida.

A estimativa faz parte de uma avaliação interna do MME (Ministério de Minas e Energia) obtida pela Folha. Em termos de valores, o volume equivale a uma redução de cerca de US$ 340 milhões na dependência externa, o equivalente a cerca de R$ 1,8 bilhão em importações que serão evitadas, considerando o preço de paridade de importação mais recente.

A mudança na mistura da gasolina será oficializada durante a reunião extraordinária do CNPE (Conselho Nacional de Política Energética), que reúne membros de diversos ministérios e órgãos federais.

O plano do governo é elevar temporariamente o percentual de etanol anidro na gasolina, que hoje já é obrigatório, do chamado E30 para o E32, por um período inicial de seis meses, com possibilidade de prorrogação.

A medida faz parte das reações ao cenário internacional no mercado de petróleo, causado pela guerra no Irã. O custo de importação da gasolina subiu 61% desde o início do conflito, segundo estimativa da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis).

O preço de paridade de importação da gasolina calculado pela ANP passou de de R$ 2,45 para R$ 3,95 por litro no período. A paridade de importação é uma simulação de quanto custa importar o combustível.

Com o uso de mais etanol, que é produzido internamente, a dependência de gasolina importada diminui, o que tende a assegurar o abastecimento nacional. Hoje, a gasolina importada representa uma média de 15% do consumo total no Brasil, segundo dados da ANP.

Nas contas do governo, a medida também deve ter impacto no preço ao consumidor. Como o etanol costuma ter custo menor que a gasolina, a mistura pode reduzir o valor final nos postos, aliviando a inflação.

O reflexo também deve ser sentido na área ambiental, com estimativa de redução de 552 mil toneladas de CO₂ durante o período de vigência da medida.

O governo fez testes com misturas de até 32% de etanol em veículos leves e motocicletas, incluindo modelos que não são flex. Os estudos não identificaram impactos relevantes de desempenho, consumo ou dirigibilidade.

A avaliação, portanto, é que a frota atual consegue operar normalmente com o novo percentual de etanol.

A notícia era esperada pelo setor produtivo, que está com capacidade de produção suficiente para atender a demanda. A previsão para a safra 2026/2027 indica um crescimento na produção de etanol que permitiria atender à demanda adicional de 600 milhões de litros.

Nos bastidores, conforme informações obtidas pela Folha, o governo já discute a possibilidade de avançar na mistura. Há estudos em andamento para testar a mistura de 35% de etanol (E35) a partir de 2027.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) confirmou, na semana passada, que anunciará o aumento do percentual de etanol e biodiesel na mistura da gasolina e do diesel, respectivamente.

"Se quiserem descarbonizar o planeta, o Brasil é uma alternativa com combustível provado. Ainda nesta semana vamos anunciar mais. Sair de 30% para 32%, e sair de 15% para 16% nos biocombustíveis. E de 1% em 1% a gente vai convencer o mundo de que se alguém quiser inventar combustível renovável, não precisa gastar com pesquisa. Venha no Brasil que nós fazemos transferência de tecnologia", disse.

Como mostrou a Folha, o governo debatia este aumento mirando formas de reduzir o impacto da disparada no preço do petróleo causada pela guerra.

As principais ações anunciadas pelo Executivo para mitigar os efeitos da guerra até o momento foram a redução de PIS e Cofins sobre o diesel e a oferta de subvenção para que estados também cortem no ICMS.

Associações que representam o setor de biocombustíveis intensificaram a pressão sobre o governo federal nas últimas semanas, com críticas à concessão de subsídios para importação de diesel fóssil, enquanto relutava em cumprir o índice de mistura de biodiesel produzido no Brasil. Cerca de 25% do diesel consumido no Brasil é importado.

Fonte: Folha Online - 05/05/2026

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