Da escola doméstica à IA: como a Philips Walita quer crescer 30% neste ano
Publicado em 28/04/2026 , por Exame
A tradicional varejista de eletrodoméstico aposta no digital e em produtos inovadores para se conectar com o novo consumidor e avançar no ranking global
A tradicional varejista de eletrodoméstico aposta no digital e em produtos inovadores para se conectar com o novo consumidor e avançar no ranking global
Fernando Bueno, presidente da Philips Walita América Latina: “A nova geração é totalmente conectada. Ela quer design, funcionalidade e integração. O futuro é de equipamentos conectados” (Leandro Fonseca/Exame)
Última atualização em 27 de abril de 2026 às 20h11.
Um dos desafios de um negócio é manter a sua marca relevante após anos no mercado. Foi essa estratégia que ajudou a marca de eletrodomésticos Walita a permanecer até hoje nas prateleiras do varejo e na casa de muitos brasileiros.
Isso porque a empresa brasileira, que foi fundada em 1939 pelo engenheiro alemão Waldemar Clemente e sua esposa, Lita Clemente, em São Paulo, anos depois ganhou escala global ao ser comprada em 1971 pela multinacional holandesa Philips - mas, mesmo com a fusão, ela não desapareceu do mercado. Curiosamente, apenas no Brasil, os produtos seguem com os dois nomes “Philips Walita”, mostrando como o histórico de uma marca (que recebeu parte dos nomes dos fundadores Wal +Lita) acaba fortalecendo as vendas no presente.
Essa preocupação de conexão com o consumidor é algo que os fundadores enxergavam como estratégia desde a fundação, apostando em duas frentes que a atual liderança aposta até hoje: inovação e educação.
A Walita, que lançou no Brasil o liquidificador, o primeiro ventilador e, anos depois, a primeira air fryer, apostou na década de 40 na ‘Escola Walita’ para ensinar as donas de casa a usar eletrodomésticos em uma época que não havia TV nos lares brasileiros. Hoje, décadas depois, o desafio segue o mesmo, mas com novas ferramentas.
“Nosso papel sempre foi antecipar necessidades. A gente não lança só produto, a gente entrega solução para algo que o consumidor muitas vezes nem sabe que precisa ainda”, afirma Fernando Bueno, presidente da Philips Walita na América Latina, que diz que investem muito hoje no digital para informar e atender os clientes sobre os novos produtos.
“A nova geração é totalmente conectada. Ela quer design, funcionalidade e integração. O futuro é de equipamentos conectados, operados por aplicativo, por voz e com inteligência artificial”, diz o presidente.
Da fábrica no Largo do Arouche ao crescimento global
A história da Walita começou como uma pequena fábrica no Largo do Arouche, em São Paulo, em 1939, produzindo itens elétricos simples, como tomadas e interruptores. Durante a crise industrial da década de 40, a empresa passou a fabricar motores para ventoinhas, movimento que abriu caminho para a entrada no mercado de eletrodomésticos.
Hoje, a operação é global. A Philips Walita conta com cerca de 500 funcionários na América Latina, e a única fábrica da região fica no Brasil, em Varginha (MG), além de presença em diversos países, com unidades industriais também na China, Índia e Europa, mas o último ano não foi o dos melhores.
A companhia avançou mais de 50% entre 2023 e 2024 e seguiu com expansão em dois dígitos em 2025, mas foi um dos anos mais desafiadores no Brasil, segundo o CEO.
“Talvez 2025 tenha sido um dos piores anos recentes para a categoria, depois de um ciclo muito positivo”, diz. “Pela primeira vez a gente teve uma queda da categoria de air fryer, que é o produto mais vendido.”
Entre os fatores que impactaram o mercado, estão a taxa de juros elevada, que encarece o crédito, e a consequente redução de estoques por parte do varejo.
“Com juros altos, o crédito fica mais caro e o varejo reduz estoque. Isso exige uma operação muito mais eficiente da indústria para colocar o produto certo, na loja certa, na quantidade certa”, diz.
Mesmo assim, o Brasil ganhou protagonismo dentro da operação global. Hoje, o país já figura entre os principais mercados da companhia e deve avançar ainda mais nos próximos anos.
“O Brasil hoje já está na oitava posição no ranking global do grupo e estamos indo para a sétima posição no mundo”, diz o CEO. “Com esse crescimento acelerado, devemos chegar ao top 5 nos próximos dois anos”.
Para chegar nesta meta, a expectativa, segundo Bueno, é crescer em vendas 30% neste ano.
A Philips Walita conta com cerca de 500 funcionários na América Latina, e a única fábrica da região fica no Brasil, em Varginha (MG) (Philips Walita /Divulgação)
IA, produtos conectados e novas categorias
Além das pressões macroeconômicas do país, outro ponto de atenção é a mudança no comportamento do consumidor. Produtos são substituídos mais rapidamente, impulsionados pela evolução tecnológica, o que exige inovação constante.
Entre as apostas está a inteligência artificial na experiência do consumidor, ajudando o consumidor a ficar cada vez mais conectados com os equipamentos.
“A gente está migrando para um ecossistema conectado. O consumidor quer praticidade e controle na palma da mão”, diz o CEO. “Você pode estar no seu quarto e controlar tudo sem precisar ir até o ambiente.”
Para levar a modernidade de seus produtos, a antiga ‘Escola Walita’ entrou para o mundo do digital, com a companhia apostando em influencers mostrando como os novos produtos funcionam para os clientes.
“TikTok e influenciadores para a gente hoje é um canal muito importante”, diz o CEO. “A gente quer ser mais próximo, mais divertido e falar a linguagem do consumidor dentro da casa dele.”
Hoje, mais da metade das vendas já vêm do e-commerce, um canal estratégico para a marca, especialmente no segmento premium.
Entre os produtos mais vendidos da Philips Walita estão as air fryers, liquidificadores, máquinas de café e aspiradores de pó — categorias nas quais a marca construiu relevância ao longo de décadas e segue ampliando sua presença com inovação e tecnologia.
No caso das cafeteiras, por exemplo, a companhia já lidera com ampla vantagem no mercado brasileiro.
“No caso das cafeteiras, somos líderes com mais de 80% de participação de mercado”, afirma Fernando Bueno.
Além disso, a empresa tem apostado na expansão em categorias estratégicas, como aspiradores e ventiladores, e na incorporação de novas funcionalidades aos produtos. Entre elas, recursos como aromaterapia, cromoterapia e automação, que reforçam a proposta de transformar eletrodomésticos em soluções mais completas para o dia a dia.
“A gente tem um valor muito claro, que é ser obcecado pelo consumidor”, diz Bueno. “Tudo que a gente faz, a gente pensa no consumidor no centro de tudo.”
Uma empresa conectada com a relevância
Com quase um século de história, a Walita entra em uma nova fase: mais digital, mais conectada e com ambição global ampliada.
Para Bueno, o desafio segue o mesmo de 1939, mas com outra escala: manter a marca relevante em um mercado que muda cada vez mais rápido.
“Resiliência é a principal característica de um líder. O plano perfeito não existe, o que existe é a capacidade de se adaptar e seguir em frente.”
- 1/8(Em 1971, a marca Walita é adquirida pela Philips)
- 2/8(A Walita foi criada em 1939 no centro de São Paulo)
- 3/8(A Walita lançou o primeiro liquidificador no Brasil)
- 4/8(E foi a marca que lançou também o primeiro ventilzador no Brasil)
- 5/8(A história da marca Walita com o mercado varejista atravessa gerações)
- 6/8(Os produtos viraram sinônimos de luxo e até hoje atende clientes com produtos que variam de R$ 100 a R$ 7.000)
- 7/8(As mulheres na época chegavam a ter curso para aprender a mexer com os produtos elétricos - hoje todos estão avançando com a IA)
- 8/8(Hoje, o Brasil é um dos maiores mercados da Philips Walita e tem a única fábrica da América Latina)
1/8 (Em 1971, a marca Walita é adquirida pela Philips)
2/8 (A Walita foi criada em 1939 no centro de São Paulo)
3/8 (A Walita lançou o primeiro liquidificador no Brasil)
4/8 (E foi a marca que lançou também o primeiro ventilzador no Brasil)
5/8 (A história da marca Walita com o mercado varejista atravessa gerações)
6/8 (Os produtos viraram sinônimos de luxo e até hoje atende clientes com produtos que variam de R$ 100 a R$ 7.000)
7/8 (As mulheres na época chegavam a ter curso para aprender a mexer com os produtos elétricos - hoje todos estão avançando com a IA)
8/8 (Hoje, o Brasil é um dos maiores mercados da Philips Walita e tem a única fábrica da América Latina)
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Fonte: Exame Online - 27/04/2026
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