Grupo Dia pede à Justiça fim antecipado de recuperação judicial
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Grupo Dia pede à Justiça fim antecipado de recuperação judicial

Publicado em 12/03/2026 , por Folha Online

A rede de supermercados Dia, do empresário Nelson Tanure, pediu à Justiça de São Paulo o fim antecipado de sua recuperação judicial, marcado para outubro deste ano.

De acordo com relatório de atividades da rede, elaborado pelo administrador judicial em fevereiro e disponibilizado na última segunda-feira (9), o grupo afirmou ter cumprido as obrigações do plano cujos vencimentos ocorreram dentro do período de fiscalização estabelecido, que é de 2 anos.

A rede alega que todos os credores elegíveis para pagamento até outubro deste ano e com dados bancários informados foram pagos. Ao todo, a dívida incluída na recuperação equivale a mais de R$ 1 bilhão.

Para justificar o pedido, o grupo afirma ainda que a maior parte dos credores que permanecem sem receber tem vencimentos previstos apenas entre outubro de 2026 e novembro de 2027 —prazos posteriores ao período de 2 anos estabelecido pela lei para o acompanhamento da recuperação judicial, iniciada em março de 2024.

Não existe no relatório uma indicação detalhada de qual é o tamanho desse saldo remanescente.

"As recuperandas esclarecem ainda que os incidentes em andamento [novos pedidos de créditos] podem prosseguir como ações autônomas, concluindo que ‘inexiste qualquer impedimento ao encerramento da recuperação judicial do Grupo Dia, uma vez que o processo já atingiu seu escopo, qual seja, a renegociação com os credores e o adimplemento das obrigações cujo vencimento se deu no biênio legal.’", diz em documento a Expertisemais, empresa que atua como administradora judicial do caso.

Com a liquidação do LetsBank, empresa que compunha o conglomerado do Banco Master, a rede de supermercados reconheceu um prejuízo de R$ 166,6 milhões referentes a um CDB aplicado na instituição do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

De acordo com o administrador judicial, a perda do investimento já foi reconhecida nas demonstrações contábeis e o grupo Dia afirma que não há mais riscos concretos aos credores, uma vez que plano de recuperação não depende da liquidez desses ativos e o fluxo de caixa operacional é "suficiente para o adimplemento das obrigações".

Como mostrou a Folha, no final do ano passado, logo após a primeira onda de liquidações do Master, em novembro, o Dia demonstrou preocupação com o represamento desse dinheiro aplicado.

Até aquele momento, a rede passava por um momento complicado de liquidez e havia a expectativa de que um acordo de pagamentos feito com o LetsBank antes da liquidação fosse cumprido –o que não aconteceu.

A existência dessa dívida ainda não foi resolvida porque o liquidante do Banco Master não apresentou uma lista final de credores. De qualquer modo, o Dia optou por realizar uma baixa contábil em seu balanço e reconheceu o prejuízo.

Agora, o pedido feito pelo Dia está em análise na 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do TJSP (Tribunal de Justiça de São Paulo). O juiz do caso pediu a manifestação de credores que receberam propostas de readequação de crédito, do Ministério Público e da administradora judicial para, então, tomar uma decisão.

Na prática, o juiz vai analisar se empresa cumpriu suas obrigações dentro do que foi proposto no plano de recuperação e se não foram descumpridas cláusulas relevantes do plano. Se as condições forem atendidas, o processo pode ser encerrado, mesmo que ainda existam parcelas a pagar no futuro.

Em janeiro, o grupo faturou R$ 139,6 milhões, uma redução de 10% em comparação com o resultado de dezembro, mas um aumento de 7% na comparação com janeiro de 2025. Com um início de ano mais complicado, a rede pisou no freio e consumiu R$ 3,5 milhões das disponibilidades em caixa, uma redução de 54% na comparação com dezembro.

As antecipações de recebíveis de cartão de crédito, frequentemente criticadas pelo administrador judicial, chegaram a R$ 42 milhões, uma redução de 30%.

Ao administrador judicial, o Dia explicou que trabalhou no abastecimento das lojas para as vendas de Páscoa, sobretudo azeite, peixes e chocolates.

O faturamento foi apontado pela rede como um problema. De acordo com o Dia, o volume de vendas cresceu acima da média do mercado, mas a deflação de produtos considerados importantes limitou o aumento do valor das vendas.

O grupo também disse que o fato de estar em recuperação judicial tem prejudicado importantes negociações operacionais e financeiras, o que estaria limitando seu crescimento. Por isso, o pedido de saída da recuperação é considerado importante para a companhia.

Outra iniciativa foi a adequação de variedade dos produtos ofertados nas lojas conforme o perfil regional dos consumidores para satisfazer necessidade e exigências de diferentes classes econômicas em locais de alta e baixa renda onde o Dia atua.

A rede também indicou que está trabalhando no desenvolvimento de um comitê de governança corporativa. O objetivo é regular políticas internas e comitês corporativos para assegurar a sustentabilidade financeira, com melhoramento da gestão de caixa, liquidez, gastos, alavancagem, entre outros pontos.

No relatório referente às atividades realizadas em janeiro, o administrador judicial disse que realizou visitas em 13 lojas da rede e identificou problemas como o baixo abastecimento de hortifruti, desorganização nos corredores e ausência de mercadorias em prateleiras por falta de reposição dos produtos.

A rede afirmou que o quadro de funcionários nas lojas está incompleto devido à alta rotatividade, o que ajudaria a explicar os problemas encontrados pela Expertisemais.

Outro problema reportado envolve as vendas abaixo das metas estabelecidas e as lojas que apresentam necessidade de manutenção e reforço de segurança.

Fonte: Folha Online - 12/03/2026

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