Volta da cobrança de ônibus em São Caetano tem filas, confusão e críticas de usuários
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Volta da cobrança de ônibus em São Caetano tem filas, confusão e críticas de usuários

Publicado em 16/07/2026 , por Folha Online

O retorno da cobrança da tarifa do transporte coletivo em São Caetano do Sul, na Grande São Paulo, veio acompanhado de longas filas para quem pega ônibus, confusão entre quem tentou pagar com cartão de débito e queixas de usuários que criticam a maneira como a medida foi implementada.

A compra do bilhete, que custa R$ 5, voltou a ser obrigatória para quem não mora no município a partir desta quarta-feira (15). Até então a prefeitura municipal subsidiava integralmente o serviço para todos os usuários.

A prefeitura diz que a mudança se deve a um mau planejamento da política da tarifa zero. Se no início estimou-se um aumento de até 50% no número de passageiros, o crescimento, diz o governo local, foi de 300%, passando de 20 mil para 80 mil usuários diários.

A partir desta quarta, a gratuidade vale somente a moradores de São Caetano que fizerem um cadastro comprovando manter residência na cidade, entre outras exigências.

Quem é de fora, por sua vez, paga em dinheiro ou com um cartão que pode ser solicitado no site da Vipe (Viação Padre Eustáquio), responsável pelo transporte público local.

Moradora de São Miguel Paulista, na zona leste de São Paulo, a faxineira Adriana Teixeira Vieira, 52, leva duas horas e meia para chegar a São Caetano, onde trabalha. Viaja todos os dias. Agora, com o retorno da cobrança, já não tem certeza se o percurso compensará.

"Vai pesar no bolso porque serão quatro passagens por dia. Duas para ir, duas para voltar. Tenho que ver se vale a pena", disse.

Adriana conversou com a Folha depois de subir e descer do ônibus que costuma pegar. Não conseguiu nem entrar: após os primeiros degraus na entrada, soube que o cartão Top, válido para São Paulo e boa parte da região metropolitana, não poderia ser usado para pagar o bilhete.

Ela não foi a única. A reportagem viu o mesmo acontecer com outras pessoas que tentaram acessar as linhas municipais no início da manhã desta quarta-feira.

Algumas desistiram de ir trabalhar. Foi o que aconteceu com Elaine Pereira dos Santos, 39, líder do setor de limpeza em uma empresa de São Caetano.

Moradora de Mauá, na região metropolitana da capital paulista, ela e um grupo de colegas saíram de casa às 5h. Chegaram em São Caetano por volta das 7h30, mas não compareceram ao trabalho porque não havia meios para ir até lá.

"A gente já paga duas passagens. Agora serão três. Mas a empresa não disponibilizou o valor da outra e não fomos", afirmou. "A gente vai tirar do bolso? Aí, não."

As alternativas de pagamento –em dinheiro ou num cartão local– também provocaram críticas de usuários.

"Eu soube que iam voltar a cobrar, mas não que só daria para pagar em dinheiro ou com esse cartão. Não aceitam nem meu [cartão] Top nem o Bilhete Único [usado em São Paulo]. Vou ter que chamar um Uber e pagar mais", disse a auxiliar administrativa Rafaeli Souza de Oliveira, 24.

A Prefeitura de São Caetano declarou em nota que a manhã "não registrou qualquer grande dificuldade para os passageiros que frequentaram o terminal de ônibus do município" e que casos pontuais de dúvidas foram esclarecidos por agentes da concessionária e da Secretaria de Mobilidade Urbana.

"Destacamos que, no horário de pico da manhã, assim como em todos os dias, o terminal tem maior movimentação de pessoas que não moram na cidade. Isso fez com que o movimento estivesse um pouco acima do normal, mas sem grandes aglomerações", afirmou a gestão local.

A prefeitura disse ter capacitado "todos os funcionários da Vipe para transmitir as orientações necessárias aos usuários, a fim de garantir o bom funcionamento do serviço nesse momento de transição".

Quem não tinha dinheiro nem fez o cartão correu para tentar conseguir dinheiro em papel. "Eu fiz um Pix para a moça que vende bolo [em frente ao terminal] e ela me devolveu em dinheiro", disse a encarregada de produção Silvana Arenha, 53, moradora da zona sul de São Paulo.

A troca, porém, não ficou no zero a zero. "Comprei um bolo, dei um valor a mais e consegui", afirmou.

Nem todos aceitaram fazer isso.

Silvana conseguiu dinheiro em espécie numa barraca de ambulantes, mas funcionários de estabelecimento um pouco mais acima, onde usuários também sondaram a possibilidade de trocar notas por transferências eletrônicas, disseram à reportagem que não estão autorizados a fazer isso.

As longas filas que se formaram nos pontos de ônibus do principal terminal de São Caetano ocorreram também porque o pagamento se dava logo na entrada, com o motorista, uma vez que o retorno da cobrança veio desacompanhado da contratação de cobradores —algo que a prefeitura já havia anunciado.

Um funcionário da concessionária do transporte público municipal chegou a comparecer ao terminal para tentar organizar a situação.

Além de orientar passageiros a mudar de fila entre um e outro ônibus que parava no ponto, ele também auxiliou moradores de São Caetano cujo cartão ainda não havia sido emitido.

Neste caso, solicitava o comprovante do envio dos documentos e o usuário podia entrar no coletivo.

Até esta segunda-feira (13), 60.327 pessoas já haviam se cadastrado em um programa chamado SancaGovbr (cadastro único do morador de São Caetano). Desses, 52.459 moradores tiveram as solicitações aprovadas. Dos pedidos reprovados, a maioria é devido a inconsistências na apresentação de documentos, como residências em outras cidades e até em outros estados, afirma o município.

A prefeitura diz que mais de 21 mil cartões que garantem a gratuidade já foram entregues.

Fonte: Folha Online - 15/07/2026

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