Mortes: Mergulhou na cultura e fez dela seu projeto de vida
Publicado em 06/07/2026 , por Folha Online
José Augusto Ribeiro Vinagre não sabia dizer "não". Num primeiro momento, ele até resistia a emprestar dinheiro aos tantos amigos que ajudou ao longo da vida. Quando se dava conta, porém, já estava pedindo a chave Pix para enviar o valor.
Nascido em Bauru, no interior de São Paulo, Vinagre cresceu com a mãe, a professora de matemática dona Henriqueta. Chegou a se formar em direito, mas nunca exerceu a profissão.
Ainda jovem, ele se mudou para o Acre para trabalhar no Sesc (Serviço Social do Comércio) de Rio Branco. Dizia a amigos que esteve no estado do Norte "quando era tudo mato". Voltou para Bauru quando soube que teria filhos.
Na cidade, mergulhou na cultura. Produziu espetáculos, levou peças de teatro para o interior paulista e se tornou membro ativo do cineclube local —ele chegou a presidir a Federação Paulista de Cineclubistas.
Vinagre trabalhou também no Itesp, o Instituto de Terras de São Paulo, foi secretário de cultura de Bauru e atuou como parecerista do Ministério da Cultura quando o trabalho era muito mais analógico do que hoje.
Na época, precisava se deslocar até São Paulo para buscar calhamaços de projetos a serem analisados. Cabia a ele dizer se as propostas eram ou não pertinentes e quais delas estavam aptas a ser financiadas.
De humor ácido e coração generoso, tirava sarro de tudo e inclusive de si. "Deus não me abençoa porque eu sou muito ruim" era uma das brincadeiras que costumava fazer.
Tinha um grande acervo de vinis e era apaixonado por músicas dos anos 1980. Gostava também de todo e qualquer tipo de antiguidade. Não era raro vê-lo chegar em casa com rádios antigos ou televisões de tubo nas mãos.
Em 2019, conheceu Ângela Resta Cardoso, com quem se casou e teve o filho mais novo, Mateus. O caçula tem sete anos e era o xodó do pai. Andavam juntos para cima e para baixo. Soltavam pipa, brincavam com drone e faziam aviões de papel. "Coisas sem tela, né?", diz Ângela.
Vinagre se dedicou nos últimos anos a prestar assessoria a projetos culturais. Muitas vezes, ajudava os mais jovens sem cobrar nada.
Ele chegou a ser diagnosticado com um mieloma múltiplo, um tipo de câncer de sangue, mas a doença estava em remissão após dois transplantes de medula.
Morreu no último dia 11, aos 61 anos, vítima de um mal súbito. Ele deixa a mulher Ângela, os filhos Ivan, Lucas e Mateus e o irmão Marcos.
coluna.obituario@grupofolha.com.br
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Fonte: Folha Online - 04/07/2026
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