Boletim Focus escuta só o mercado financeiro e isso gera um viés, diz diretor do Instituto Esfera
Publicado em 06/07/2026 , por Folha Online
Em um documento com 15 propostas a serem entregues aos presidenciáveis deste ano, o Instituto Esfera sugere mudanças na composição da dívida pública e no regime de metas de inflação para ajudar a baixar o custo do crédito.
O diretor acadêmico da entidade, Fernando Meneguin, afirma também que o Boletim Focus, um dos fatores que influem na taxa de juros, pode apresentar uma visão enviesada. A reclamação é que a pesquisa ouve apenas o mercado financeiro e não o que ele chama de "economia real".
Por que o Instituto Esfera decidiu entregar, a três meses da eleição, agenda com 15 propostas aos candidatos a presidente da República? O objetivo é municiar o próximo governo com boas ideias. A ideia é ofertar políticas públicas. É uma compilação do que foi trabalhado ao longo de um ano e meio.
Um tema abordado é sobre gastos tributários. É assunto sensível porque mexe com renúncias fiscais defendidas por setores organizados. Vamos incentivar a lei geral dos gastos tributários. Há projetos no Congresso, mas colocamos diretrizes que consideramos interessantes, com base em experiência internacional, como cláusulas de caducidade. Você pode dar uma renúncia fiscal, mas com prazo para terminar. Outra sugestão é que não se possa dar subsídios sem contrapartidas para o país.
O que especificamente vocês recomendam mudar nas políticas monetária e de crédito? Isso teria impacto na Selic? O Brasil precisa enfrentar esse assunto. É uma questão estrutural. Existem reformas microeconômicas que podem ajudar a diminuir a taxa de juros. Uma delas é a composição da dívida pública. Temos títulos indexados à Selic, prefixados e pós-fixados. A forma como se compõe essa dívida pode afetar a eficácia da política monetária: se a dívida é muito pós-fixada, uma elevação na taxa de juros não provoca o efeito contracionista esperado. Sugerimos mudar esse perfil.
Vale a pena estudar melhor e alterar a composição da dívida pública federal. Outro tópico é o regime de metas de inflação. Reforçamos a ideia de repensar esse regime, substituindo o núcleo inflacionário atual por um que exclua itens de alta volatilidade, como energia elétrica. Um núcleo mais estável evita mudanças abruptas nas taxas de juros e permite que o Banco Central calibre melhor a política monetária.
Isso significa que o mercado e o Banco Central podem estar tomando decisões de política monetária com base em um indicador distorcido? Não estamos dizendo que a decisão do Copom é vinculada ao Boletim Focus, mas talvez esse boletim introduza um viés na taxa de juros. Existem maneiras de mitigar isso. Não tenho como afirmar que há distorções, mas existe um viés.
Fernando Meneguin, 54 1971, Ourinhos-SP Graduado em matemática e direito, tem mestrado e doutorado em economia pela Universidade de Brasília. É pós-doutorado em análise econômica pela Universidade da Califórnia-Berkeley. Atua como consultor, professor e é diretor do Instituto Esfera.
Fonte: Folha Online - 04/07/2026
Notícias relacionadas
- 06/07/2026 Congresso cria comissão para debater crédito sustentável e prevenção de dívidas
- 06/07/2026 Boletim Focus escuta só o mercado financeiro e isso gera um viés, diz diretor do Instituto Esfera
- 06/07/2026 Governo lança programa para renegociações de dívidas de microempreendedores com descontos de até 70%
- 06/07/2026 Durigan nega erros do governo e promete ajuste nas contas públicas
- 06/07/2026 Credores da Americanas vão à Justiça e apontam falhas em pagamentos
- 03/07/2026 Setor de alimentação volta a pressionar menos a inflação em SP
- 03/07/2026 Estatais federais lucram R$ 169,4 bilhões em 2025, alta de 38% no ano
- 03/07/2026 Flávio diz aos EUA querer 'se libertar' do Mercosul e propõe alívio a empresas de cartão de crédito
- 03/07/2026 Aneel relicita quatro lotes de transmissão com investimentos de R$ 1,8 bi
- 03/07/2026 Salário maior, bolso apertado: por que o dinheiro parece desaparecer?
Notícias
- 06/07/2026 Restituição automática do IR terá consulta aberta nesta semana; veja quem tem direito
- Bolsa Família começa a ser pago no dia 20; veja calendário de julho
- Congresso cria comissão para debater crédito sustentável e prevenção de dívidas
- Governo lança programa para renegociações de dívidas de microempreendedores com descontos de até 70%
- Agro domina audiência nos EUA sobre tarifa de 25% contra Brasil
- Credores da Americanas vão à Justiça e apontam falhas em pagamentos
Perguntas e Respostas
- Quanto tempo o nome fica cadastrado no SPC, SERASA e SCPC?
- A consulta ao SPC, SERASA ou SCPC é gratuita?
- Saiba quais os bens não podem ser penhorados para pagar dívidas
- Após quantos dias de atraso o credor pode inserir o nome do consumidor no SPC ou SERASA?
- Protesto de dívida prescrita é ilegal e dá direito a indenização por danos morais
- Como consultar SPC, SERASA ou SCPC?
- ACORDO - Em caso de acordo, após o pagamento da primeira parcela o credor é obrigado a tirar o nome do devedor dos cadastros de SPC e SERASA ou pode mantê-lo cadastrado até o pagamento da última parcela?
- CHEQUE – Não encontro à pessoa para qual passei um cheque que voltou por falta de fundos. O que posso fazer para pagar este cheque e regularizar minha situação?
- Problemas com dívidas? Dicas para você não entrar em desespero
- PROTESTO - Qual o prazo para o protesto de um cheque, nota promissória ou duplicata? O protesto renova o prazo de prescrição ou de inscrição no SPC e SERASA?
- Cartão de Crédito: Procedimentos em caso de perda, roubo ou clonagem
- O que o consumidor pode fazer quando seu nome continua incluído na SERASA ou no SPC após o pagamento de uma dívida ou depois de 5 anos?
- Posso ser preso por dívidas ?
- SPC e SERASA, como saber se seu nome está inscrito?
- Acordo – Paga a primeira parcela nome deve ser excluído dos cadastros negativos (SPC, SERASA, etc)
