Preços reagem no campo, e inflação dos alimentos aumenta no ano
Publicado em 09/06/2026 , por Folha Online
Os alimentos voltaram a pressionar a inflação, e a taxa de maio atingiu 1,14%, acima do 0,81% de abril. No acumulado dos cinco primeiros meses do ano, a alimentação ficou 3,9% mais cara para os consumidores, enquanto a taxa média de inflação subiu 1,9%. Os dados são da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) e se referem à cidade de São Paulo.
As maiores pressões vêm das carnes e dos produtos in natura. A principal alta no setor de proteína animal ocorre nos bovinos, que, em alguns cortes, já acumulam elevação de 17% no ano. Há uma oferta apertada de carne bovina no mundo, e a demanda continua elevada. Essa pressão externa faz o preço da arroba do boi ser negociado na casa dos R$ 350 no mercado paulista, acima da média para este período do ano.
Como o Brasil é um dos poucos países que têm bom volume de carne bovina para comercializar no mercado externo, os exportadores brasileiros aproveitaram este início de ano, ainda sem a taxa extra de 55% cobrada pela China, para aumentar o volume enviado para aquele país asiático.
As carnes de frango e suína não têm o mesmo ritmo de alta da bovina. A oferta interna aumentou, e, embora as exportações estejam em patamares recordes, os preços deste ano ficam abaixo dos praticados no mesmo período do ano passado.
O cenário para as carnes nos próximos meses está bastante incerto. O Brasil já completou a cota de 1,1 milhão de toneladas exportadas para a China livre da taxa extra de 55%. Agora, as exportações somam esse percentual mais os 12% já existentes, e os chineses podem pisar no freio nas compras, uma vez que o produto ficará bem mais caro com a taxa total de 67%. De janeiro a maio deste ano, o Brasil exportou 632 mil toneladas de carne bovina para a China, 25% a mais do que em igual período de 2025. As receitas somaram US$ 3,78 bilhões, 52% a mais.
A partir de setembro, se o Brasil não se ajustar às exigências da União Europeia, o país perderá força também nas exportações de carnes bovina e de frango para aquele mercado. Neste ano, as exportações de carne bovina para o bloco foram de 43 mil toneladas, 16% a mais do que em igual período do ano passado. As receitas subiram para US$ 377 milhões, 32% a mais. No caso das receitas de carne de frango, o aumento em maio foi de 62% em relação a 2025. Esses mercados podem mexer com os preços.
Outro item de peso na inflação vem sendo os hortifrútis, que tiveram forte aceleração em maio em relação a abril. A batata subiu 41% para o consumidor; o tomate, 25%, e a cebola, 21%, segundo a Fipe.
Instabilidade climática, doenças, perda de produtividade reduziram a oferta desses produtos, segundo o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada). Pesam ainda no bolso do produtor os reflexos da guerra no Oriente Médio, devido aos aumentos de fertilizantes, custos de produção e fretes.
Outro foco de pressão é o leite, que teve a quarta alta seguida no campo. Só em abril, o aumento foi de 10%. A alta ocorre devido à sazonalidade atual, que gera oferta menor e uma disputa mais acirrada pelo produto por parte das indústrias.
Nem tudo é pressão. O café, com a perda de 38% nos preços nas lavouras em 12 meses, após as estimativas de uma safra recorde, acumula queda de 8,5% no ano nos supermercados. O arroz, com oferta melhor, devido ao término da safra, está estável, e o óleo de soja, com o aumento da moagem interna, acumula queda de 10% no ano. O açúcar, refletindo a retração dos preços no mercado externo, cai 14% no ano.
Fonte: Folha Online - 08/06/2026
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