Às vésperas do Copom, mercado vê IPCA acima do teto por 11 meses
Publicado em 09/06/2026 , por CNN Brasil
Sistema Expectativas de Mercado, que embasa o relatório Focus, indica que inflação deve atingir 4,62% no acumulado de 12 meses até maio
Menos de duas semanas antes da próxima decisão do Copom (Comitê de Política Monetária), no dia 17 de junho, o mercado financeiro passou a esperar que a inflação supere o teto da meta por 11 meses seguidos: de maio deste ano até março de 2027.
As medianas do Sistema Expectativas de Mercado, que embasa o relatório Focus, indicam que o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) deve atingir 4,62% no acumulado de 12 meses até maio.
Depois, o índice deve permanecer acima de 4,50% até abril de 2027, quando cairia a 4,28%.
Medianas para o IPCA 12M
- Abr./26: 4,39% (realizado);
- Mai./26: 4,62%;
- Jun./26: 4,68%;
- Jul./26: 4,71%;
- Ago./26: 4,88%;
- Set./26: 4,80%;
- Out./26: 4,97%;
- Nov./26: 5,06%;
- Dez./26: 5,17%;
- Jan./27: 5,24%;
- Fev./27: 5,12%;
- Mar./27: 4,57%;
- Abr./27: 4,28%.
Tudo mais constante, o Banco Central perderia novamente a meta de inflação em outubro, quando o IPCA acumulado em 12 meses completaria seis meses seguidos acima do limite superior de tolerância. A nova meta contínua vale desde o ano passado.
A deterioração das expectativas segue a aceleração da própria inflação corrente, a surpresa para cima com o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre de 2026, o fortalecimento do dólar e a continuidade da guerra do Irã.
Apesar desse quadro e da onda de revisões altistas nas projeções para a taxa de juros vista na semana passada, as medianas indicam espaço para o BC continuar reduzindo a Selic.
As estimativas intermediárias de 30 dias e de cinco dias úteis da Focus apontam para um novo corte de 0,25 ponto porcentual nos juros, a 14,25%, na próxima semana. A taxa básica continuaria caindo até atingir 13,50% no fim deste ano.
Na última decisão, do dia 29 de abril, o Copom reduziu a Selic em 0,25 ponto porcentual, de 14,75% para 14,50%, mas destacou que os próximos passos do seu "processo de calibração" dos juros levariam em conta todas as informações disponíveis.
"O comitê reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária, de forma que os passos futuros do processo de calibração da taxa básica de juros possam incorporar novas informações que aumentem a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio, assim como seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços ao longo do tempo", disse o colegiado.
Fonte: CNN Brasil - 09/06/2026
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