Estudo do Fed Boston diz que choque do petróleo hoje pesa mais na inflação do que no emprego
Publicado em 05/06/2026 , por Exame
Pesquisa revela que Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos) pode se preocupar mais na pressão nos preços do que com o mercado de trabalho
Pesquisa revela que Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos) pode se preocupar mais na pressão nos preços do que com o mercado de trabalho
Guerra: petróleo chegou a ultrapassar os US$ 120 o barril (Svetlana Repnitskaya/Getty Images)
Um novo estudo do Federal Reserve Bank de Boston, no qual O Globo teve acesso, indica que o Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) pode dar mais atenção aos efeitos da inflação do que ao impacto sobre o emprego ao lidar com choques no preço do petróleo, como os provocados por conflitos no Oriente Médio.
Segundo o relatório divulgado nesta quinta-feira, 4, a economia americana mudou “fundamentalmente” desde a década de 1970. Hoje, os Estados Unidos são mais eficientes no uso de energia e também produzem mais petróleo internamente, o que reduz parte dos efeitos de choques externos.
Os economistas, segundo O Globo, escrevem que “a vulnerabilidade da economia dos EUA aos choques do petróleo mudou fundamentalmente — ela não foi eliminada, mas sim reconfigurada”.
Na prática, isso significa que quando o preço do petróleo sobe, o impacto na economia americana é menor do que era no passado. A inflação ainda pode subir, mas o efeito sobre o emprego tende a ser mais limitado.
Nos anos 1970, choques no petróleo — como o embargo da Opep e a crise no Irã — provocavam forte desaceleração econômica e aumento do desemprego. Esse movimento ajudava a conter a inflação, ainda que a um custo alto para o mercado de trabalho.
Hoje, segundo o estudo citado pelo jornal, esse mecanismo é mais fraco. Como o impacto sobre o emprego é menor, também diminui o efeito de “freio” na inflação que existia antes.
Por isso, os pesquisadores defendem que a política monetária deve se concentrar mais na inflação gerada por choques no petróleo do que nas perdas de emprego.
O estudo também destaca que o choque atual, ligado às tensões geopolíticas, ainda é relevante, mas menor do que episódios históricos como o embargo de 1973-1974 ou a Revolução Iraniana de 1978-1980.
O relatório foi divulgado em um momento em que o Fed tenta definir os próximos passos da política de juros. O banco central se reúne nos dias 16 e 17 de junho, com expectativa de manutenção da taxa entre 3,50% e 3,75%.
As autoridades avaliam os impactos da alta do petróleo em meio às tensões envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. Até aqui, a leitura predominante é de cautela, com juros mantidos enquanto se observa como o conflito pode afetar a inflação.
Quanto mais tempo essas tensões persistirem, maior o risco de a inflação continuar acima da meta de 2% do Fed por mais tempo.
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Fonte: Exame Online - 04/06/2026
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