Mercado se vê pressionado com mal-estar crescente sobre inflação e juros
Publicado em 04/06/2026 , por CNN Brasil
Em meio a cenário mais pressionado, casas têm corrido para revisar estimativas para Selic ao final deste ano
O mercado financeiro brasileiro amargou mais um dia negativo na quarta-feira (3).
No cardápio de temores dos investidores, ingredientes já conhecidos dos últimos meses seguem pesando o estômago: incertezas em relação à guerra no Oriente Médio e uma aversão global ao risco.
Mas um tempero extra - e reflexo do choque gerado pelo conflito - tem ganhado cada vez mais destaque nesse prato: um mal-estar crescente sobre as expectativas de inflação e de juros do país.
"O ambiente econômico à frente vem mostrando sinais de deterioração com os problemas no crédito, e a queda da Selic ajudaria a atravessar esse período. Com a Selic mais alta, a economia deve ter uma boa ressaca em 2027", aponta Marcelo Fonseca, economista da CVPAR.
Em meio a um cenário inflacionário mais pressionado, uma série de casas tem corrido para revisar suas estimativas para a taxa básica de juros, a Selic, ao final deste ano.
Citi e Itaú passaram a projetar a Selic em 13,75% ao ano. Já Pine, XP e JPG já veem os juros em 14% ou mais no fim de 2026.
"Essas revisões ocorrem em um momento de deterioração das expectativas de inflação, já incorporando os impactos secundários do choque de petróleo e os efeitos adicionais do El Niño, que adicionam um viés de alta para alimentação no domicílio. Além disso, especificamente hoje, o mercado externo também apresenta maior aversão ao risco, reforçando o ambiente de mau humor nos ativos locais", pondera Gustavo Rostelato, economista da Armor Capital.
Há 12 semanas, o boletim Focus vem apontando uma sequência de altas nas expectativas do mercado para a inflação, que agora vê alta de preços de 5,09% em 2026, segundo a publicação de segunda-feira (1º) do BC (Banco Central).
O mais recente a fazer uma revisão de call foi o BTG Pactual, que traz uma perspectiva drástica: apesar de reconhecer, considerando suas comunicações recentes, que o BC deve voltar a cortar a Selic em 0,25% na próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), aponta que o mais prudente seria a interrupção imediata do ciclo de queda.
"Isso tem acontecido por diversos fatores, mas, principalmente, pelo conflito. O mercado precifica atraso no corte das taxas de juros, o que faz com que os investidores diminuam sua posição em renda variável", pontua João Daronco, analista CNPI da Suno Research.
Com o quadro de aversão global ao risco deteriorado pelos novos ataques entre os Estados Unidos e o Irã, o Ibovespa derreteu 2,22% no pregão de quarta, aos 170.330,63 pontos.
Já o dólar à vista encerrou com alta de 1,12%, cotado a R$ 5,0661; enquanto os preços do petróleo fecharam em alta de até 2,4%.
Enquanto isso, o mal-estar diante das perspectivas de inflação e juros mais deterioradas, da guerra e do novo tarifaço dos EUA contra o Brasil fizeram com que as taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) fechassem a quarta pré-feriado com altas firmes, acima de 30 pontos-base em alguns vencimentos.
"A curva de juros capturou esse movimento, uma vez que o mercado projeta uma inflação maior e os bancos centrais precisem ser mais agressivos. [...] Esse movimento pesa sim em cima da bolsa, uma vez que a taxa de juros entra na conta de custo, reflete em diminuição de margem de receita e gera aversão forte ao risco. Nesse sentido, o investidor vai preferir realizar o lucro e ir para um ambiente mais estável", explica Bruna Centeno, economista e sócia na Blue3 Investimentos.
Além do impacto causado pelo conflito nos preços, a atividade econômica resiliente pode dificultar ainda mais o controle da inflação, aumentando a probabilidade de juros elevados por um período mais longo, pondera Fabio Louzada, economista e sócio-fundador da B7 Business School.
"Como consequência, a curva de juros avança tanto nos vencimentos mais curtos quanto nos mais longos. E perspectiva de juros elevados por mais tempo também contribui para o fortalecimento do dólar", conclui.
Fonte: CNN Brasil - 04/06/2026
Notícias relacionadas
- 04/06/2026 BC alerta que endividamento das famílias está historicamente alto e segue aumentando
- 04/06/2026 Mercado se vê pressionado com mal-estar crescente sobre inflação e juros
- 04/06/2026 Bancos veem riscos em projeto de dívidas rurais e pedem ajustes
- 03/06/2026 Endividamento familiar recorde; o que explica índice e o que pode ser feito
- 03/06/2026 Petrobras implementa desconto no diesel a partir desta segunda-feira
- 03/06/2026 O Pix é eficiente; o cartão é um parasita
- 03/06/2026 Bancos digitais avançam na oferta de crédito; inadimplência cresce mais que base de clientes
- 02/06/2026 Acesso a crédito não é sinônimo de bem-estar financeiro
- 02/06/2026 Na 12ª semana seguida de alta, mercado eleva estimativa de inflação para 5,09% em 2026
- 02/06/2026 Dívida não some com liminar: entenda como 'indústria do Limpa-Nome' ilude devedores no Brasil
Notícias
- 04/06/2026 Recolhimento da água mineral Crystal: o que você precisa saber sobre lotes afetados, reembolso e devolução
- Fraudes em combustíveis custam R$ 27 bi ao consumidor, apontam FGV e ICL
- BC alerta que endividamento das famílias está historicamente alto e segue aumentando
- De Olho no Mercado: operação do Procon-SP fiscalizou 234 estabelecimentos em 32 municípios
- Veja a lista completa de produtos isentos da nova tarifa de Trump
- Bancos veem riscos em projeto de dívidas rurais e pedem ajustes
- iFood confirma vazamento de dados de 1,2 milhão de usuários
- Tarifa Social Paulista bate recorde de 2,61 mi de pessoas com desconto na conta de água na capital
- Zucco pressiona Senado por votação de renegociação de R$ 180 bi em dívidas rurais
- "Tutorial do golpe": mulher ensina como fazer falso anúncio de motos
Perguntas e Respostas
- Quanto tempo o nome fica cadastrado no SPC, SERASA e SCPC?
- A consulta ao SPC, SERASA ou SCPC é gratuita?
- Saiba quais os bens não podem ser penhorados para pagar dívidas
- Após quantos dias de atraso o credor pode inserir o nome do consumidor no SPC ou SERASA?
- Protesto de dívida prescrita é ilegal e dá direito a indenização por danos morais
- Como consultar SPC, SERASA ou SCPC?
- ACORDO - Em caso de acordo, após o pagamento da primeira parcela o credor é obrigado a tirar o nome do devedor dos cadastros de SPC e SERASA ou pode mantê-lo cadastrado até o pagamento da última parcela?
- CHEQUE – Não encontro à pessoa para qual passei um cheque que voltou por falta de fundos. O que posso fazer para pagar este cheque e regularizar minha situação?
- Problemas com dívidas? Dicas para você não entrar em desespero
- PROTESTO - Qual o prazo para o protesto de um cheque, nota promissória ou duplicata? O protesto renova o prazo de prescrição ou de inscrição no SPC e SERASA?
- Cartão de Crédito: Procedimentos em caso de perda, roubo ou clonagem
- O que o consumidor pode fazer quando seu nome continua incluído na SERASA ou no SPC após o pagamento de uma dívida ou depois de 5 anos?
- Posso ser preso por dívidas ?
- SPC e SERASA, como saber se seu nome está inscrito?
- Acordo – Paga a primeira parcela nome deve ser excluído dos cadastros negativos (SPC, SERASA, etc)
