STF debate valor do mínimo existencial para evitar superendividamento
Publicado em 23/04/2026 , por Agencia Brasil
O conceito de mínimo existencial foi criado para proteger o consumidor e evitar a concessão de empréstimos que comprometam toda a renda mensal com o pagamento de dívidas.
O Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu nesta quarta-feira (22) o julgamento que pode determinar a atualização anual do valor do chamado mínimo existencial, para evitar o superendividamento da população.
A Corte julga a constitucionalidade de decretos que regulamentaram a Lei 14.181 de 2021, conhecida como Lei do Superendividamento.
As normas definiram o conceito de mínimo existencial para proteger o consumidor e evitar a concessão de empréstimos que comprometam toda a renda mensal com o pagamento de dívidas.
Em 2022, um decreto ex-presidente Jair Bolsonaro fixou o mínimo existencial em R$ 303, equivalente a 25% do salário mínimo vigente na época. Em 2023, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva corrigiu o mínimo para R$ 600, valor que está em vigor.
Após a edição dos decretos, a Associação Nacional dos Membros do Ministério Público (Conamp) e a Associação Nacional dos Defensores Públicos (Anadep) entraram com ações na Corte. As entidades questionaram o valor mínimo fixado nos decretos e alegaram que o valor é insuficiente para garantir condições básicas de dignidade.
Até o momento, o Supremo tem maioria de votos para determinar que o Conselho Monetário Nacional (CMN) deverá propor estudos para atualização anual do valor do mínimo.
Contudo, os ministros decidiram suspender a proclamação do resultado do julgamento para aguardar o voto do ministro Nunes Marques, que não participou da sessão.
A data para retomada do julgamento ainda não foi definida.
O julgamento começou em dezembro do ano passado e foi suspenso por um pedido de vista feito pelo ministro Alexandre de Moraes.
Na sessão desta quarta-feira (22), Moraes disse que o superendividamento cresceu em virtude da regulamentação dos jogos eletrônicos, conhecidos como bets.
“O percentual de famílias endividadas subiu ao patamar de quase 78%. Um quarto dos brasileiros não conseguem pagar suas dívidas nos prazos e entram nos juros rotativos”, afirmou.
Luiz Fux também afirmou que as bets representam o maior meio de endividamento da população.
“As pessoas gastam o dinheiro do consumo e do mínimo existencial em bets. É um problema emergencial”, disse.
O relator do caso, ministro André Mendonça, afirmou que o valor do mínimo existencial poderia ser superior. Contudo, segundo o ministro, o aumento poderá restringir o acesso ao crédito.
"Se nós elevássemos por decisão judicial ou ao menos tivesse uma regulamentação específica, atribuindo o valor de um salário mínimo, nós retiraríamos do mercado de crédito uma gama de 32 milhões de cidadãos", comentou.
Flávio Dino defendeu o consumo saudável e disse que o acesso das famílias ao crédito é um direito fundamental.
“Sem crédito não existe consumo, e o consumo é o elemento necessário para a dignidade humana. O consumismo, não. O consumismo é a negação da dignidade da pessoa humana, fruto de manipulações perversas, que conduzem a desastres familiares", completou.
Fonte: Agencia Brasil - 22/04/2026
Notícias relacionadas
- 22/07/2026 Conselho deve liberar R$ 13 bilhões do lucro do FGTS a 138 milhões de trabalhadores até agosto; entenda
- 22/07/2026 Dona do Ozempic processa fabricante do Mounjaro nos EUA por publicidade enganosa
- 21/07/2026 Sabesp faz feirão para renegociar dívidas com descontos de até 80%; veja como participar
- 21/07/2026 TCU pede ao Congresso reajuste de até 40% em penduricalhos pagos aos servidores do órgão
- 21/07/2026 Cenário fiscal: "Pecado mortal" está em pautas-bomba, diz economista
- 21/07/2026 74% dos trabalhadores com consignado CLT têm dois ou mais empréstimos ativos
- 21/07/2026 Master repassou R$ 3,6 bilhões em dívidas para gestora investigada
- 21/07/2026 Amapá admitiu rombo de quase R$ 1 bi no caixa 44 dias após tomar crédito com garantia da União
- 20/07/2026 Agência apontou falhas em edital do porto de Santos, mas liberou licitação após decisão judicial cair
- 20/07/2026 Grupo Itajobi pede cautelar para reestruturar dívida de R$ 3,7 bilhões
Notícias
- 22/07/2026 Volkswagen faz recall de 150 mil carros no Brasil por falha em freio de estacionamento
- Não recebeu ainda a restituição do Imposto de Renda? Veja o que fazer
- Saiba quais são os direitos dos consumidores com o tarifaço nos produtos brasileiros
- Fiat desacelera trocas de linha e promete ouvir mais o consumidor
- Dona do Ozempic processa fabricante do Mounjaro nos EUA por publicidade enganosa
- Conselho deve liberar R$ 13 bilhões do lucro do FGTS a 138 milhões de trabalhadores até agosto; entenda
- Ford anuncia recall de modelos Mustang produzidos entre 2024 e 2026
- MME regulamenta compensação por cortes de geração de energia eólica e solar
Perguntas e Respostas
- Quanto tempo o nome fica cadastrado no SPC, SERASA e SCPC?
- A consulta ao SPC, SERASA ou SCPC é gratuita?
- Saiba quais os bens não podem ser penhorados para pagar dívidas
- Após quantos dias de atraso o credor pode inserir o nome do consumidor no SPC ou SERASA?
- Protesto de dívida prescrita é ilegal e dá direito a indenização por danos morais
- Como consultar SPC, SERASA ou SCPC?
- ACORDO - Em caso de acordo, após o pagamento da primeira parcela o credor é obrigado a tirar o nome do devedor dos cadastros de SPC e SERASA ou pode mantê-lo cadastrado até o pagamento da última parcela?
- CHEQUE – Não encontro à pessoa para qual passei um cheque que voltou por falta de fundos. O que posso fazer para pagar este cheque e regularizar minha situação?
- Problemas com dívidas? Dicas para você não entrar em desespero
- PROTESTO - Qual o prazo para o protesto de um cheque, nota promissória ou duplicata? O protesto renova o prazo de prescrição ou de inscrição no SPC e SERASA?
- Cartão de Crédito: Procedimentos em caso de perda, roubo ou clonagem
- O que o consumidor pode fazer quando seu nome continua incluído na SERASA ou no SPC após o pagamento de uma dívida ou depois de 5 anos?
- Posso ser preso por dívidas ?
- SPC e SERASA, como saber se seu nome está inscrito?
- Acordo – Paga a primeira parcela nome deve ser excluído dos cadastros negativos (SPC, SERASA, etc)
