Quando o café vai ficar mais barato? Veja o que esperar para 2026
Publicado em 16/04/2026 , por G1
Colheita deve crescer este ano e ajudar a reduzir os preços. No entanto, clima adverso previsto para o segundo semestre preocupa.
O Brasil deve colher uma safra de café maior neste ano, o que pode ajudar a aliviar a inflação ao consumidor ao longo de 2026. Apesar disso, o preço do café dificilmente voltará aos níveis de seis anos atrás, afirmam economistas consultados pelo g1.
Em 2020, por exemplo, o quilo do café tradicional torrado e moído custava, em média, R$ 16,45.
No entanto, problemas climáticos que afetaram as lavouras entre 2021 e 2024, como secas, calor intenso e geadas, derrubaram a produção e pressionaram os preços.
Hoje, o mesmo produto custa cerca de R$ 63,69 no varejo, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic).
No campo, o preço pago ao produtor pela saca de café começou a cair no início do ano passado, diante da expectativa de um aumento da produção no Brasil e no mundo.
No entanto, com o tarifaço imposto pelo presidente Donald Trump, as cotações voltaram a subir em agosto e só recuaram após a retirada das taxas, em novembro.
Alta do café perde força
Parte da desaceleração que aconteceu no campo já chegou ao consumidor, comenta o analista do Safras & Mercado Gil Barabach.
A inflação do café moído, por exemplo, vem caindo lentamente, mês a mês, desde julho de 2025. E, neste ano, já acumula queda de 3,6%, segundo o IPCA, índice oficial de inflação, calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
"A continuidade da queda de preços nos próximos meses vai depender da recomposição da produção e dos estoques", diz Barabach.
"A promessa [para este ano] é de uma safra recorde, mas isso tem que se confirmar. Precisamos ver qual vai ser o tamanho efetivo da produção", acrescenta.
Na projeção do economista do Safras & Mercado, o Brasil deve colher 75,6 milhões de sacas de 60 quilos nesta temporada, expectativa em linha com a do analista da StoneX Brasil Fernando Maximiliano.
A previsão dos analistas é maior do que a do governo federal. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o Brasil deve colher 66,2 milhões de sacas este ano, uma alta de 17% em relação à temporada passada.
Segundo a entidade, isso deve ocorrer por causa da bienalidade positiva, da entrada de novas áreas em cultivo, do avanço tecnológico no campo e de condições climáticas mais favoráveis.
Preço vai voltar ao que era no passado?
Mesmo com a inflação do café em queda, os preços dificilmente devem voltar aos níveis de anos atrás, observa Barach.
Segundo ele, também não basta só o Brasil produzir bem. A recuperação dos estoques e a melhora no abastecimento precisam acontecer em outros países produtores para que os preços caiam de forma consistente.
Barach ressalta ainda que, devido à inflação acumulada entre 2020 e 2026, o poder de compra da população diminuiu. Ou seja, a mesma quantia de anos atrás vale menos hoje.
Problemas climáticos nas próximas safras
Já André Braz, economista do FGV Ibre, avalia que, mesmo com a expectativa de boa produção em 2026, problemas climáticos previstos para o segundo semestre podem prejudicar as colheitas nos anos seguintes.
"A questão do café é que ele é uma cultura bianual. E a gente está sendo atropelado por fenômenos climáticos", diz Braz.
“Até o início dos anos 2000, El Niño e La Niña ocorriam a cada sete ou oito anos. As safras eram mais regulares e sofriam menos influência do clima. De 2001 para cá, isso mudou: hoje, esses fenômenos aparecem com mais frequência — e, para 2026, a previsão é de um El Niño forte”, acrescenta.
"Devido a essa expectativa de clima adverso, não deve haver grandes alívios para o consumidor", destaca Braz.
De onde vem o que eu bebo: o café especial que faz o Brasil ser premiado no exterior
Fonte: G1 - 16/04/2026
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