Entenda como golpistas conseguem falsificar números de telefone
Publicado em 13/04/2026 , por Folha Online
Brasileiros recebem mais de 1 bilhão de ligações abusivas por mês, segundo estudo do Idec (Instituto de Defesa do Consumidor). Apenas em 2025, foram registradas 161,16 bilhões de chamadas curtas de até seis segundos, muitas delas usadas por robôs para validar números ativos antes de novas investidas comerciais ou tentativas de fraude.
O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vai implementar um sistema que permitirá a verificação de chamadas contra fraudes telefônicas para evitar a aplicação de golpes.
Uma das técnicas usadas por criminosos é o spoofing de ligações, que ocorre quando o número exibido no celular não corresponde ao verdadeiro autor da chamada. Na prática, o golpista consegue fazer com que a ligação pareça vir de uma fonte confiável, como empresas ou contatos conhecidos.
Dados da empresa de cibersegurança Kaspersky mostram que, nos últimos seis meses, cerca de 70% dos brasileiros receberam chamadas indesejadas, e aproximadamente 15% eram tentativas de fraude.
O governo brasileiro pretende implantar um sistema para coibir o problema.
A técnica costuma usar tecnologia VoIP (Voz sobre Protocolo de Internet), que converte a voz em dados digitais e permite que chamadas sejam feitas por sistemas online, sem depender diretamente de uma linha telefônica tradicional. Isso dá flexibilidade para empresas, mas também abre brechas.
Segundo a Kaspersky, esse tipo de sistema permite que o identificador de chamadas (caller ID) seja configurado manualmente. Ou seja, quem faz a ligação pode escolher qual número aparecerá na tela do destinatário.
É assim que criminosos conseguem simular números reais de empresas ou bancos, usar DDDs locais para aumentar a chance de atendimento e replicar números muito parecidos com o da vítima (técnica conhecida como "neighbor spoofing", ou golpe da vizinhança).
Nesse último caso, os números compartilham os mesmos dígitos iniciais do telefone da vítima, criando uma falsa sensação de proximidade e segurança.
O uso do VoIP e até da customização de números não é, por si só, ilegal. Empresas de call center, serviços de entrega e até órgãos públicos utilizam esse recurso para centralizar atendimentos ou padronizar o contato com clientes. Profissionais como jornalistas também podem ocultar números por segurança.
O problema começa quando criminosos utilizam a tecnologia para enganar pessoas. Ao atender, a vítima é induzida a fornecer informações sensíveis, como CPF, senhas ou códigos, ou a realizar transferências.
De acordo com a Kaspersky, esse tipo de ataque geralmente envolve técnicas de engenharia social, ou seja, manipulação psicológica para levar a vítima a agir sem desconfiar. Os criminosos exploram comportamento humano —como medo, urgência ou confiança em instituições conhecidas.
Em alguns casos, criminosos induzem a vítima a instalar aplicativos de acesso remoto —como AnyDesk ou TeamViewer— para assumir o controle do celular e acessar contas bancárias.
Segundo a Kaspersky, os roteiros usados pelos criminosos seguem padrões recorrentes. Entre os mais comuns estão:
Essas abordagens frequentemente simulam urgência ou problemas graves para pressionar a vítima a agir rapidamente. Em muitos casos, o criminoso já possui dados básicos da vítima —como nome completo ou CPF—, o que torna o contato ainda mais convincente.
Apesar de relacionados, os termos não são sinônimos. Segundo a empresa de antivírus Eset:
Na prática, o spoofing costuma ser a etapa inicial —a forma de fazer o contato parecer confiável. Já o phishing e o vishing são a execução do golpe, quando o criminoso efetivamente tenta obter informações ou dinheiro.
Fonte: Folha Online - 11/04/2026
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