Criminosos imitam apps do INSS, FGC e Starlink para roubar dados bancários de brasileiros
Publicado em 11/03/2026 , por Folha Online
Criminosos virtuais estão usando aplicativos falsos que imitam serviços conhecidos —como o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), o FGC (Fundo Garantidor de Créditos) e até a internet via satélite da Starlink— para enganar brasileiros e roubar dados bancários diretamente do celular.
Análise da empresa de segurança digital Kaspersky mostra que o golpe é aplicado por meio de um malware chamado Beatbanker, um tipo de programa malicioso voltado a celulares Android que imita a Google Play Store e pode assumir o controle do aparelho para desviar dinheiro de transações.
INSS, FGC e Google dizem que usuários devem sempre verificar se estão no site oficial antes de fornecer qualquer dado ou realizar pagamentos. A reportagem não conseguiu contatar a assessoria da Starlink.
Segundo os pesquisadores, criminosos criam campanhas diferentes para espalhar o malware. Em alguns casos, a vítima recebe mensagens com promessa de reembolso do INSS ou ressarcimento do FGC. Em outro, mais recente, o golpe usa um aplicativo falso que se passa pela Starlink. O objetivo geralmente é convencer o usuário a baixar um aplicativo fora das lojas oficiais.
O Beatbanker é classificado como um trojan bancário. Esse tipo de malware recebe esse nome em referência ao "cavalo de troia" da mitologia: ele se disfarça de algo legítimo para enganar a vítima. Na prática, o usuário acredita estar instalando um aplicativo normal, mas o programa contém código malicioso que passa a operar secretamente dentro do aparelho.
Depois de instalado, o programa passa a funcionar no celular. Uma das estratégias usadas pelo malware é reproduzir um áudio quase inaudível continuamente. Isso faz o sistema do aparelho acreditar que o aplicativo está em uso, impedindo que ele seja encerrado automaticamente por inatividade.
O malware também monitora informações do próprio aparelho, como o nível de bateria e a temperatura. Com esses dados, ajusta sua atividade para evitar sinais que possam levantar suspeitas, como superaquecimento ou queda brusca de desempenho.
Com o celular comprometido, os criminosos podem usar diferentes métodos para ganhar dinheiro. Um deles é transformar o aparelho da vítima em um minerador de criptomoedas —processo em que o poder de processamento do celular é usado para gerar moedas digitais para o golpista.
Outra técnica envolve fraudes bancárias. Quando a vítima tenta fazer uma transferência em aplicativos financeiros, o malware pode sobrepor uma tela falsa sobre a interface original. Assim, altera secretamente o destino da transferência e redireciona o dinheiro para contas controladas pelos criminosos.
Nas versões mais recentes, o Beatbanker evoluiu para um tipo de trojan de acesso remoto. Isso significa que os golpistas podem controlar o aparelho à distância, registrar tudo o que é digitado, acessar câmera e microfone, acompanhar a localização do usuário e até instalar outros aplicativos sem que a vítima perceba.
Desconfie de links recebidos por mensagem que prometem reembolsos ou pagamentos inesperados
Verifique sempre os canais oficiais antes de clicar em qualquer link
Baixe aplicativos apenas em lojas oficiais, como Google Play ou App Store
Evite instalar aplicativos de fontes desconhecidas, opção que pode ser desativada nas configurações do Android
Revise as permissões solicitadas pelos aplicativos, especialmente acesso a recursos sensíveis do aparelho
Mantenha o sistema operacional e os aplicativos atualizados, já que atualizações costumam corrigir falhas de segurança
Use soluções de segurança no celular, que podem identificar links maliciosos e aplicativos suspeitos
O INSS afirma que não solicita confirmação de dados pessoais ou bancários de cidadãos, e que a comunicação do órgão ocorre exclusivamente pelo aplicativo Meu INSS, site www.gov.br/inss/ e Central 135. Caso o segurado identifique qualquer tentativa de golpe ou uso indevido da marca do instituto, é possível registrar a ocorrência na Ouvidoria ou por meio da plataforma Fala.BR.
"É importante ressaltar que o Instituto não utiliza intermediários para a concessão de benefícios e jamais cobra taxas para a realização de serviços ou perícias médicas. A orientação é não clicar em links de procedência desconhecida e a baixar o aplicativo Meu INSS apenas nas lojas oficiais (Google Play e App Store), verificando sempre se o desenvolvedor indicado é o Governo do Brasil", diz.
O FGC diz que está ciente das tentativas de fraudes e golpes por criminosos em mensagens, links, sites e aplicativos. A entidade orienta usuários a desconsiderar qualquer solicitação de dados pessoais por canais não oficiais e não realizar pagamentos de qualquer tipo de taxa para o recebimento da garantia.
O Google recomenda sua ferramenta Play Protect para manter a segurança dos dados na internet. Segundo a empresa, a ferramenta verifica se há aplicativos potencialmente nocivos de outras fontes no dispositivo e impede a instalação de softwares não verificados e com permissões sensíveis.
Além disso, o Google afirma ter canais para denunciar irregularidades em aplicativos. Na própria Play Store, é possível clicar nos "três pontinhos" ao lado de um app e marcar "Sinalizar como impróprio"
Fonte: Folha Online - 11/03/2026
Notícias relacionadas
- 11/03/2026 Toffoli restringe decisão que congelava processos judiciais por cancelamento de voos
- 11/03/2026 EMS planeja lançar concorrente do Ozempic até setembro
- 11/03/2026 Criminosos imitam apps do INSS, FGC e Starlink para roubar dados bancários de brasileiros
- 11/03/2026 Prêmio pago por bets tem cobrança do Imposto de Renda; veja regras e como parcelar os valores
- 11/03/2026 Justiça vai decidir como trabalhador sem emprego prova direito a benefícios do INSS; entenda
- 11/03/2026 Raízen entra com pedido de recuperação extrajudicial para renegociar dívida de R$ 65 bi
- 11/03/2026 Grupo da família Vorcaro deve ao INSS
- 10/03/2026 Petrobras nega pedidos extras de diesel a distribuidoras em meio a defasagem recorde
- 10/03/2026 Julgamento do mínimo existencial no STF: teste histórico para dignidade do consumidor
- 09/03/2026 MP recomenda que prefeitura não autorize construção de condomínio que prevê corte de quase 900 árvores na Barra da Tijuca
Notícias
- 11/03/2026 Idosa teria doado R$ 1,4 milhão a membros de uma família por orientação de médium
- Influenciador Felipe Heystee tem prisão decretada após ser denunciado por 'golpe do amor'
- EMS planeja lançar concorrente do Ozempic até setembro
- Imposto de renda: declaração exige atenção com rendimentos, bens e empréstimos
- Prêmio pago por bets tem cobrança do Imposto de Renda; veja regras e como parcelar os valores
- Grupo da família Vorcaro deve ao INSS
- Justiça vai decidir como trabalhador sem emprego prova direito a benefícios do INSS; entenda
Perguntas e Respostas
- Quanto tempo o nome fica cadastrado no SPC, SERASA e SCPC?
- A consulta ao SPC, SERASA ou SCPC é gratuita?
- Saiba quais os bens não podem ser penhorados para pagar dívidas
- Após quantos dias de atraso o credor pode inserir o nome do consumidor no SPC ou SERASA?
- Protesto de dívida prescrita é ilegal e dá direito a indenização por danos morais
- Como consultar SPC, SERASA ou SCPC?
- ACORDO - Em caso de acordo, após o pagamento da primeira parcela o credor é obrigado a tirar o nome do devedor dos cadastros de SPC e SERASA ou pode mantê-lo cadastrado até o pagamento da última parcela?
- CHEQUE – Não encontro à pessoa para qual passei um cheque que voltou por falta de fundos. O que posso fazer para pagar este cheque e regularizar minha situação?
- Problemas com dívidas? Dicas para você não entrar em desespero
- PROTESTO - Qual o prazo para o protesto de um cheque, nota promissória ou duplicata? O protesto renova o prazo de prescrição ou de inscrição no SPC e SERASA?
- Cartão de Crédito: Procedimentos em caso de perda, roubo ou clonagem
- O que o consumidor pode fazer quando seu nome continua incluído na SERASA ou no SPC após o pagamento de uma dívida ou depois de 5 anos?
- Posso ser preso por dívidas ?
- SPC e SERASA, como saber se seu nome está inscrito?
- Acordo – Paga a primeira parcela nome deve ser excluído dos cadastros negativos (SPC, SERASA, etc)
