Facebook derruba rede que vendia curtidas e seguidores
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Facebook derruba rede que vendia curtidas e seguidores

Publicado em 16/08/2018 , por Júlia Zaremba

Apenas no 1º trimestre deste ano, a rede derrubou 583 milhões de contas falsas em todo o mundo O Facebook Brasil removeu 72 grupos, 50 contas e cinco páginas de sua rede social nesta quarta-feira (15) por meio dos quais usuários vendiam curtidas, seguidores e páginas, o que viola a política as políticas de autenticidade e spam da rede social.

Mas, poucas horas depois, novas contas com os mesmos objetivos foram recriadas na plataforma, com nomes semelhantes. O Facebook, novamente, as excluiu.

A ação desta quarta (15) foi resultado de uma investigação realizada pelo Digital Forensic Research Lab, do Atlantic Council, um "think tank" americano, que revela como um grupo de usuários brasileiros comercializa likes, seguidores e páginas.

A instituição tem fornecido informações em tempo real ao Facebook sobre ameaças de abusos e campanhas de desinformação.

O trabalho começou a ser realizado no meio do ano, durante as eleições mexicanas. Segundo Ben Nimmo, especialista do Atlantic Council responsável pela investigação, o alvo inicial era um homem conhecido como "rei das fake news" do país, que estaria ajudando políticos a impulsionar suas publicações nas redes sociais.

Analisando as publicações político-partidárias ligadas ao usuário, ele e sua equipe estranharam o fato de que boa parte das curtidas eram de contas brasileiras.

Chegou até um grupo chamado PCSD, cujo objetivo era "reunir todos os administradores de páginas do Facebook para troca de conhecimento, negociações e lucros usando a rede social", como dizia a sua descrição na rede social.

O grupo disponibilizava também uma "assessoria" para membros banidos e um link para um grupo reserva, para o caso de o original ser removido.

Até mesmo imagens de recibos de vendas e de trocas de mensagens sobre a comercialização de curtidas e publicações eram compartilhadas pelos usuários do PCSD.

Uma delas mostrava um pagamento de R$ 235 em troca de 10 mil curtidas. Outra, que uma página chamada "Eu e você amor", com mais de 120 mil curtidas, havia sido vendida por R$ 300. O grupo também tinha registros de vendas de contas no Instagram e no Twitter.

O foco dos brasileiros investigados não era o compartilhamento de conteúdos político-partidários, ao contrário do que faziam os mexicanos, mas de notícias sobre novelas e textos de opinião, por exemplo, segundo Nimmo. Mas ele acredita que o esquema tem potencial para influenciar as eleições brasileiras.

O grupo disponibilizava ainda uma assessoria para membros banidos e o link para um grupo reserva, para o caso de o original ser removido.

O foco dos brasileiros investigados não era o compartilhamento de conteúdos político-partidários, ao contrário do que faziam os mexicanos, mas de notícias sobre novelas e textos de opinião, por exemplo. Mas Nimmo acredita que o mecanismo tem potencial para influenciar as eleições brasileiras.

"Não dá para esperar que as fake news surjam para combatê-las, já que elas se espalham na velocidade da internet", diz. "O problema em potencial deve ser resolvido antes que tenha a chance de se tornar um problema de fato, senão pode ser tarde demais", diz.

O especialista já pesquisou como as redes sociais são usadas em favor da desinformação em países como Alemanha, França e Rússia, disse que os usuários brasileiros chamaram a sua atenção pelo nível de sofisticação de suas operações. "Não é comum ver algo tão organizado e público", diz.

Ele não acredita que o esquema de venda de engajamento tenha afetado as eleições no México, já que o presidente eleito Andrés Manuel López Obrador tinha mais de 20 pontos de vantagem em relação ao segundo colocado. "Mas se a disputa for acirrada, com poucos pontos de diferença entre os candidatos, esse tipo de atividade pode ser bastante danosa."

O Facebook afirmou, em nota, que tem investido "em pessoas e tecnologia para manter pessoas mal intencionadas e conteúdo ruim" fora da rede social.

A empresa diz que tem cerca de 20 mil funcionários em todo o mundo trabalhando na segurança e revisão de conteúdos, o dobro do efetivo do ano passado. Também usa inteligência artificial para detectar abusos na plataforma.

Ainda segundo a empresa, 837 milhões de conteúdos de spam e 583 milhões de contas falsas foram removidas da rede social no primeiro trimestre de 2018.

Fonte: Folha Online - 15/08/2018

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