Por que é tão difícil cumprir metas financeiras para o próximo ano?
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Por que é tão difícil cumprir metas financeiras para o próximo ano?

Publicado em 28/12/2016 , por Samy Dana

Quantas vezes você prometeu a si mesmo que iria seguir uma dieta à risca, mas não levou o plano adiante? O mesmo deve ter acontecido algumas vezes quando você se mostrou determinado a economizar mais dinheiro e rever suas despesas. Nossa dificuldade em levar adiante aquilo que desejamos não é gratuita: em psicologia econômica, o conceito de "falácia do planejamento" ajuda a explicar porque isso acontece. De um modo geral, tendemos a subestimar o tempo necessário para realização de uma tarefa.
 
E se engana quem imagina que isso afeta somente as finanças pessoais. Artigo publicado pela Gall Up apontou que grandes projetos acabam superfaturados ou finalizados fora do prazo estimado porque as empresas tendem a focar mais em aspectos racionais e técnicos do que no comportamento dos funcionários envolvidos. Grandes estruturas, como o Eurotúnel e a Eurodisney, custaram praticamente o dobro do que o orçamento inicial, conforme apontado pela Gall Up.
 
Um estudo científico desenvolvido pelos pesquisadores Roger Buehler, Dale Griffin e Michael Ross apontou três fatores interessantes que interferem na forma como fazemos planejamento. O primeiro deles é que temos uma tendência a subestimar o tempo que vamos levar para realizar algo. Tendemos a ter uma visão geral do que pretendemos realizar e não mensuramos o tempo necessário para cada etapa de um projeto.
 
Por exemplo, dizemos a nós mesmos a cada virada de ano que vamos economizar mais dinheiro no período que está começando, mas não fazemos um plano detalhado de como vamos cumprir essa promessa. Pense a respeito disso: quantas vezes você se preparou para ir ao mar pular sete ondas no dia 31 de dezembro, mas sem um planejamento detalhado de como passaria a economizar mais?
 
Além disso, os pesquisadores apontaram que também tendemos a nos espelhar em um cenário imaginário, em vez de focar em experiências passadas. Isso explica, por exemplo, porque você sempre permanece otimista sobre ficar com o corpo em forma para o verão, mesmo tendo desistido várias vezes da dieta rigorosa e da rotina de exercícios para atingir a meta.
 
Uma outra conclusão do estudo foi a tendência que temos a menosprezar experiências passadas, especialmente as negativas. É como se fizéssemos uma edição do passado como forma de não reviver uma experiência dolorosa. Isso explica porque muita gente volta a tomar um empréstimo arriscado, mesmo depois de ter passado por uma experiência desastrosa de endividamento fora do controle. A mera convicção de que "aprendi com o que aconteceu, não vou deixar que aconteça de novo" pode ser suficiente para convencer alguém a cometer o mesmo erro.
 
Com base em tudo que foi dito aqui, se você não quer que a falácia do planejamento atrapalhe seus planos de organização financeira, existem algumas medidas que podem ser úteis para um planejamento mais efetivo. Se a ideia é começar a investir, por exemplo, é válido começar com montantes menores e ir aumentando os valores gradativamente. Se você percebe que está gastando demais, seja prático para estabelecer uma forma de reduzir as despesas: enumere os aspectos da rotina que mais consomem seu dinheiro e vá trabalhando, aos poucos, para reduzi-los. À medida que for conseguindo, você vai cortando outros gastos. Confie mais em objetivos palpáveis. Se você tem uma meta de fazer o dinheiro render mais, mas não sabe por onde começar, converse com especialistas de mercado e pesquise produtos financeiros.

Fonte: G1 - 27/12/2016

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