Redução de juros não será liderada por bancos públicos, diz presidente do BB
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Redução de juros não será liderada por bancos públicos, diz presidente do BB

Publicado em 28/12/2016

De acordo com Paulo Rogério Caffarelli, banco deve priorizar uma retomada da lucratividade de sua carteira de crédito, o chamado spread bancário

Ao contrário do que aconteceu em anos anteriores, os bancos públicos não devem liderar um novo movimento de redução dos juros no mercado interno. Naquela ocasião, os bancos estatais assumiram papel central na queda dos juros para o consumidor final. O presidente do Banco do Brasil, Paulo Rogério Caffarelli, disse, nesta terça-feira (27), que sistema público visa recuperar a rentabilidade frente aos bancos privados.

A estratégia do Banco do Brasil é recuperar a lucratividade de sua carteira de crédito, o chamado spread bancário. Segundo Caffarelli, a carteira de crédito do BB está 40% abaixo da obtida pelos bancos privados e é um dos motivos para não estar à frente de uma redução de juros. Em 2009, os bancos públicos utilizaram uma estratégia de cortes diante da queda observada na Selic.

Ao mesmo tempo, os bancos privados não acompanharam o movimento de baixa, preferindo perder participação de mercado em troca da manutenção de margens de lucro mais altas. Para Caffarelli, a estratégia de forçar redução dos juros no mercado "se mostrou infrutífera" e criou um dos principais obstáculos para o BB em seu esforço para manter nível de capital adequado em suas operações por conta da carteira de crédito menos lucrativa.

Apesar da estratégia parecer vir na contramão das medidas anunciadas pela equipe econômica do governo, que anunciou medidas para reduzir os juros do cartão de crédito, Caffarelli afirma que a redução se dará de forma sustentada. "Os bancos públicos e privados têm conversado com o governo, e as medidas anunciadas pela equipe econômica vão auxiliar nisso", disse.

O presidente do BB disse esperar que o Comitê da Política Monetária (Copom) reduza a taxa Selic já em sua primeira reunião de 2017, marcada para os dias 10 e 11 de janeiro. Na semana passada, o presidente Michel Temer divulgou a meta de reduzir juros de cartões de crédito a partir de março de 2017. Em novebro, o rotativo do cartão atingiu níveis recordes ao registrar 482,1% ao ano.

Para recuperar a rentabilidade, o BB deve apostar no mercado de pessoas físicas, que possui spreads maiores e retornos mais robustos em termos de taxas de serviços, especialmente no número crescente de operações por meio do celular. O presidente do banco afirmou ainda que a instituição pretende recuperar patrimônio para atingir, até o início de 2019, um patamar de 9,5% em seu Índice de Basileia, que recomenda uma relação mínima de 8% entre o Capital Base e os riscos ponderados dos bancos. Isto quer dizer que, a cada R$ 100 emprestados, o banco deve possuir R$ 9,50 em patrimônio próprio.

Caffarelli esclareceu, no entanto, que o Banco do Brasil deseja vender ativos. Os esforços, segundo ele, se concentrarão na redução de custos de captação, na reestruturação de processos e no corte em gastos de operação. "A rentabilidade de ativos vendidos hoje faz faltas depois", disse. Até o fim do ano, o banco terá menos 9.400 funcionários, que aderiram a um programa de demissão volutária, ao custo de R$ 1,4 bilhão em verbas rescisórias. A economia com a folha de pagamento será de R$ 3,4 bilhões ao ano, segundo o banco.

Fonte: Brasil Econômico - 27/12/2016

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