Com juros altos, franquias ampliam opções de crédito para atrair empreendedores
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Com juros altos, franquias ampliam opções de crédito para atrair empreendedores

Publicado em 25/06/2026 , por Folha Online

Mesmo com a queda gradual da taxa Selic, que é a base dos juros da economia, a taxa praticada no mundo real ainda é um desafio para quem deseja abrir um novo negócio e não tem o valor necessário de investimento.

Por conta disso, muitas franqueadoras criaram outros modelos econômicos para permitir que as pessoas possam abrir novas unidades de suas marcas. Os modelos incluem opções de consórcio para a aquisição de equipamentos, financiamento pela própria franqueadora ou até outro modelo com a participação direta no negócio.

Algumas dessas facilidades são oferecidas a quem já tem algum relacionamento e pretende expandir os negócios com a mesma marca.

Para Thalita Perozini Caporazzo, da Acelerando Franquias, uma taxa de juros de 4% a 5% ao mês tende a inviabilizar o uso de empréstimos bancários para aquisição de uma franquia. Por isso, a empresa busca outras saídas para que as pessoas consigam financiamentos para abrir uma loja. No caso da Acqua Lavanderia, com a qual trabalha, uma alternativa é a aquisição de máquinas via consórcio, que concede uma taxa inferior a 2% ao mês.

A alternativa do consórcio foi utilizada por Isabela Cardoso Nunes Duarte, 33, para a abertura de uma lavanderia próxima à estação da Luz, na região central de São Paulo, em abril deste ano. A empreendedora conta que ela e o marido preferiram buscar um sócio a captar dinheiro no mercado. E fizeram um consórcio para a aquisição dos equipamentos.

"Abrimos com dois conjuntos de máquinas de lavar e secar e, 40 dias depois, compramos um terceiro conjunto, para ficar no tamanho considerado ideal pelo franqueador", diz.

O CEO do Buddha Spa, Gustavo Albanese, afirma que costuma orientar os interessados em abrir franquias da rede a não se endividarem além de 40% dos custos iniciais. A empresa criou programas especiais para franqueados que desejam expandir seus negócios dentro da rede.

"Conseguimos fazer financiamentos para eles com uma taxa de juros menor do que a oferecida no mercado e temos também a alternativa de unidades híbridas, em que temos um percentual e entramos como sócio do franqueado", afirma. Assim a empresa consegue completar o capital necessário sem a necessidade de buscar empréstimos fora.

Albanese afirma que o perfil de investimento da rede tem suas particularidades, pois uma unidade pode chegar a um valor próximo a R$ 800 mil. O patamar de investimento também impacta diretamente no tempo necessário para o retorno. "Por isso, é preciso que o investidor e o franqueador estejam bem afinados sobre a capacidade de investimento e o tempo de retorno", disse.

Em negócios desse porte, segundo ele, o retorno pode demorar de 24 a 36 meses (dois a três anos). A marca também deve lançar nos próximos meses uma opção de franquia menor, cujo valor para montagem fique entre R$ 400 mil e R$ 500 mil.

O engenheiro Yan Willen Covo, 35, abriu ao lado da mãe, em 2021, uma unidade da Emagrecentro na Penha, na zona leste de São Paulo. Quatro anos depois, adquiriu uma unidade da mesma marca na Vila Mariana, na zona sul. Ele conta que tinha recursos suficientes para entrar no negócio sem precisar de financiamento.

Com a unidade montada, percebeu que havia necessidade de ter um capital de giro que lhe desse mais segurança. "Nós refinanciamos dois carros que já tínhamos quitado para conseguir taxas melhores do que os empréstimos convencionais", recorda.

Para ele, a questão dos juros não envolve apenas os investimentos para a aquisição da unidade e o capital de giro, mas mexe diretamente na precificação dos serviços. "Na média, nossos clientes dividem em oito vezes, precisamos levar em conta este parcelamento na hora de definir custos. Também aumentamos os benefícios para quem paga à vista", destaca.

Franqueado da rede Minha Quitandinha há um ano, Marcio Alba tem três unidades da rede em Guarulhos, na Grande São Paulo, e outra na zona sul da capital paulista. Para ele, a questão dos juros impacta diretamente nas opções de montagem de estoque.

"A necessidade de cada uma das lojas é diferente e eu tive de me adaptar para equilibrar a formação do estoque de cada uma delas, com os produtos de maior saída, que não são os mesmos", disse.

Ele afirma que a busca por ofertas e melhores preços com os distribuidores foi outra medida importante para o equilíbrio dos negócios. "O que a gente percebe é que muitas vezes um pequeno aumento no preço pode impactar bastante na compra dos consumidores", diz. Alba conseguiu ampliar o número de lojas reinvestindo parte do que ganhava com cada uma delas.

CEO da Maximus Expand, empresa especializada na aceleração de negócios e expansão de marcas, Ycaro Martins aponta que a afinidade entre os objetivos do franqueado com a marca é fundamental para o sucesso da parceria. Isso leva em conta, segundo ele, não só a capacidade de investimento e a pressa pelo retorno, mas o próprio perfil de quem vai assumir o negócio.

"A pessoa que vai investir, mas não vai trabalhar diretamente, tem outras prioridades do que aquela que vai sobreviver da renda daquele negócio e necessita de retorno imediato", avalia. O empresário que pretende trabalhar diretamente, muitas vezes, precisa levar em conta também a própria rotina do negócio, como a necessidade de trabalhar no período noturno, o contato com o público e a quantidade de funcionários para a gestão da unidade e a necessidade de retorno imediato.

"Muitas vezes, quem deseja empreender só pensa na rentabilidade, mas existem outros fatores, do perfil de cada um, que podem ser tão ou mais importantes do que a rentabilidade para o sucesso do negócio em si", destaca.

Fonte: Folha Online - 25/06/2026

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