CNI vai propor a pré-candidatos fim de ganho real para aposentadorias e outras medidas na área fiscal
Publicado em 22/06/2026 , por Folha Online
A CNI (Confederação Nacional da Indústria) defende que o governo eleito reajuste aposentadorias do apenas pela inflação ou altere a regra de ganho real do salário mínimo, para que seja corrigido somente pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor).
O mínimo é reajustado por uma fórmula que considera a inflação mais o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto). O ganho real é limitado ao arcabouço fiscal, que prevê aumento acima da inflação dentro de um intervalo entre 0,6% e 2,5%.
Quando o salário mínimo é reajustado acima da inflação, benefícios do INSS equivalentes ao piso, como aposentadorias, pensões e o BPC (Benefício de Prestação Continuada), também têm o ganho real, o que pressiona as contas públicas. Já as aposentadorias acima do piso são reajustadas pela inflação.
O documento, a ser entregue aos pré-candidatos à Presidência nesta segunda-feira (22), sugere ainda a desvinculação dos pisos constitucionais de saúde e educação. Com isso, os investimentos nessas áreas deixariam de ter um percentual mínimo incidente sobre a RCL (Receita Corrente Líquida).
"O contexto macroeconômico reforça essa urgência. A dívida pública aumentou de forma relevante nos últimos anos e segue em trajetória ascendente, em um ambiente de déficits persistentes e juros reais elevados. O orçamento público torna-se cada vez mais rígido, pressionado pelo crescimento de despesas obrigatórias, o que reduz o espaço para investimento e ação discricionária do Estado", diz a proposta.
A dívida pública do Brasil fechou 2025 em 78,7% do PIB (Produto Interno Bruto). A cifra representa uma alta de 2,4 pontos percentuais no ano. O saldo ficou em R$ 10 trilhões, segundo dados do Banco Central. O senador Flávio Bolsonaro (PL), o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) e o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) estarão entre os presentes que vão receber a proposta.
Como mostrou a Folha, um dos planos da equipe de Flávio incluía parte dessas medidas, entre elas o reajuste das aposentadorias apenas pela inflação e a desvinculação do piso de saúde e educação. A assessoria do senador negou a intenção de promover essas mudanças, mas a Folha manteve a apuração.
Na desvinculação dos pisos de saúde e educação, a CNI afirma no documento que a obrigatoriedade faz o governo manter patamares elevados de investimento nessas áreas, mesmo com o envelhecimento da população. A indústria defende a unificação desses pisos em um só, que seria o piso social.
"O envelhecimento altera o perfil da demanda: reduz a pressão sobre educação básica (com a queda da população em idade escolar) e amplia a necessidade de gastos com saúde e cuidados de longa duração. Com pisos separados e rígidos, o Orçamento não consegue acompanhar essa recomposição."
Já no caso do reajuste das aposentadorias, a indústria argumenta que o envelhecimento da população também pressiona os gastos públicos. A solução, segundo a CNI, seria barrar o ganho real ou das aposentadorias ou do próprio salário mínimo.
A entidade propõe ainda redução do valor do BPC, hoje equivalente a um salário mínimo. Esse benefício assistencial pode ser concedido a pessoas idosas acima dos 65 anos ou a pessoas com deficiência de baixa renda, mesmo que nunca tenham contribuído com a Previdência.
"Essa equivalência corrói a base contributiva do Regime Geral de Previdência Social [RGPS] e amplia a pressão futura sobre o Orçamento. Uma reforma do BPC deveria, portanto, considerar a diferenciação entre o valor do benefício assistencial e o piso previdenciário, de modo a preservar o incentivo à formalização", diz o documento.
Ainda no âmbito da Previdência, a CNI sugere a ampliação da cobertura do RPC (Regime de Previdência Complementar), com a criação de instrumentos de renda vitalícia para idade avançada.
Outra proposta é voltada a revisar ou extinguir o abono salarial, benefício anual assegurado a trabalhadores que contribuem para o PIS/Pasep. Para a indústria, a política tem baixo impacto redistributivo e alto custo fiscal.
Fonte: Folha Online - 21/06/2026
Notícias relacionadas
- 22/06/2026 Vinte de 69 produtos juninos registram variações de preço superiores a 80%, aponta pesquisa do Procon-SP
- 22/06/2026 Alckmin: aumento para 32% do etanol na gasolina será aprovado na 4ª
- 22/06/2026 Ex-Sanofi, Opella acelera corrida pela liderança em saúde do consumidor
- 22/06/2026 Demanda recorde por rede elétrica leva espera a até 5 anos e põe indústria e data centers em disputa
- 22/06/2026 CNI vai propor a pré-candidatos fim de ganho real para aposentadorias e outras medidas na área fiscal
- 22/06/2026 Investimento em infraestrutura é "oportunidade de uma vida", diz CEO da Valora
- 22/06/2026 Tarifa horária na conta de luz: por que só mudar o preço não basta?
- 22/06/2026 Segundo lote de restituição do IR 2026 terá consulta liberada nesta terça; veja calendário
- 19/06/2026 O que pesa contra líder do governo Lula no Senado alvo de nova fase de operação contra Banco Master
- 19/06/2026 Comunicação considerada confusa do BC cria ruído e pode afetar economia real, dizem analistas
Notícias
- 22/06/2026 Ford do Brasil faz recall de Bronco Sport e Maverick e pede que unidades afetadas não sejam dirigidas
- IRPF 2026: Receita abre consulta ao 2º lote de restituição esta semana
- Vinte de 69 produtos juninos registram variações de preço superiores a 80%, aponta pesquisa do Procon-SP
- Segundo lote de restituição do IR 2026 terá consulta liberada nesta terça; veja calendário
- Serasa: Consignado CLT mais que dobra em um ano, mas valor médio cai 73%
- Alckmin: aumento para 32% do etanol na gasolina será aprovado na 4ª
- Demanda recorde por rede elétrica leva espera a até 5 anos e põe indústria e data centers em disputa
- Ex-Sanofi, Opella acelera corrida pela liderança em saúde do consumidor
Perguntas e Respostas
- Quanto tempo o nome fica cadastrado no SPC, SERASA e SCPC?
- A consulta ao SPC, SERASA ou SCPC é gratuita?
- Saiba quais os bens não podem ser penhorados para pagar dívidas
- Após quantos dias de atraso o credor pode inserir o nome do consumidor no SPC ou SERASA?
- Protesto de dívida prescrita é ilegal e dá direito a indenização por danos morais
- Como consultar SPC, SERASA ou SCPC?
- ACORDO - Em caso de acordo, após o pagamento da primeira parcela o credor é obrigado a tirar o nome do devedor dos cadastros de SPC e SERASA ou pode mantê-lo cadastrado até o pagamento da última parcela?
- CHEQUE – Não encontro à pessoa para qual passei um cheque que voltou por falta de fundos. O que posso fazer para pagar este cheque e regularizar minha situação?
- Problemas com dívidas? Dicas para você não entrar em desespero
- PROTESTO - Qual o prazo para o protesto de um cheque, nota promissória ou duplicata? O protesto renova o prazo de prescrição ou de inscrição no SPC e SERASA?
- Cartão de Crédito: Procedimentos em caso de perda, roubo ou clonagem
- O que o consumidor pode fazer quando seu nome continua incluído na SERASA ou no SPC após o pagamento de uma dívida ou depois de 5 anos?
- Posso ser preso por dívidas ?
- SPC e SERASA, como saber se seu nome está inscrito?
- Acordo – Paga a primeira parcela nome deve ser excluído dos cadastros negativos (SPC, SERASA, etc)
