Dívidas de paulistanos atingem maior nível em quatro anos, diz pesquisa
Publicado em 12/06/2026 , por Folha Online
O nível de endividamento dos paulistanos voltou a subir em maio e já atinge quase 8 em cada 10 famílias, o maior registro dos últimos quatro anos na Peic (Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor), realizada mensalmente pela FecomercioSP.
Em abril, a taxa estava em 72,9% e saltou para 74,2% em maio. Há um ano, o índice era de 71,2%.
Em números absolutos, 3,33 milhões de lares na capital paulista lidam com algum tipo de dívida, segundo a Federação do Comércio.
A pesquisa aponta que as famílias seguem recorrendo ao crédito para manter o padrão de consumo mesmo em um cenário de inflação próxima ao teto da meta estabelecida pelo Banco Central, o que pressiona o orçamento doméstico.
Enquanto o nível de endividamento subiu, a parcela média da renda comprometida com dívidas recuou de 26,5% em abril para 26,1% em maio, um dos menores níveis da série histórica recente da FecomercioSP.
"À primeira vista, isso representa um aspecto positivo, indicando que o avanço do crédito ainda não está pressionando excessivamente o orçamento doméstico", diz a FecomercioSP em nota.
"Por outro lado, o cenário também sugere que parte das famílias tem utilizado crédito de menor valor e prazo mais curto para financiar despesas correntes do dia a dia, diante de uma renda menos suficiente para absorver todos os gastos", complementa.
A federação observa que o mercado de trabalho e o aumento da renda seguem evitando um descontrole dos índices de inadimplência. O índice de famílias que declararam ter contas em atraso foi de 21,1% em maio, estável em relação a abril (21%) e 0,6 pontos percentuais abaixo do apurado em maio de 2025.
Quase 9% das famílias relatam não ter condições de pagar as contas no próximo mês.
As famílias que ganham até dez salários mínimos foram as mais atingidas pelo crescimento do endividamento, saindo de 76,3% em abril para 77,5% em maio. Entre as famílias com renda superior a dez salários, a alta de 63,1% para 64,6%.
O cartão de crédito segue como o principal responsável pelo cenário, citado entre 8 a cada 10 famílias. Em seguida está o financiamento de casa, crédito pessoal, financiamento de carro, carnês e cheque especial.
A tendência no curto prazo, diz a federação, é de manutenção do endividamento em patamar elevado e de uma leve piora da inadimplência ao longo dos próximos meses.
"A conjuntura ainda está distante de uma crise, mas a combinação de endividamento em máxima histórica recente, atrasos mais longos, expansão do crédito de curto prazo e pressão inflacionária persistente merece atenção. Qualquer enfraquecimento do mercado de trabalho pode acelerar essa deterioração."
A FecomercioSP ouviu 2,2 mil consumidores na capital paulista.
Fonte: Folha Online - 12/06/2026
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