Juros futuros sobem, e mercado já vê chance de alta da Selic em agosto
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Juros futuros sobem, e mercado já vê chance de alta da Selic em agosto

Publicado em 10/06/2026 , por Folha Online

A deterioração das expectativas do mercado para a inflação e a política monetária continuou a impactar a curva de juros brasileira nesta terça-feira (9), com as taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) de curto prazo voltando a subir e aumentando as chances para uma alta da Selic em agosto pelo Banco Central.

No longo prazo, as taxas cederam durante boa parte da sessão, mas ganharam força durante a tarde após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acusar o Irã de ter derrubado um helicóptero norte-americano e prometer uma retaliação.

No fim da tarde, a taxa do DI para janeiro de 2027 estava em 14,5%, em alta de 0,03 ponto percentual ante os 14,472% da sessão anterior. O retorno para janeiro de 2028 marcava 14,925%, com elevação de 0,06 ponto.

No longo prazo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 14,71%, estável ante o ajuste anterior de 14,707%. Foi a sétima sessão consecutiva de elevação da curva brasileira.

O noticiário envolvendo a guerra no Oriente Médio também impactou outros índices. O dólar fechou em estabilidade nesta terça, a R$ 5,178. O Ibovespa fechou em alta de 0,67%, a 169.813 pontos, distante da máxima de 170.600 pontos atingida ainda pela manhã.

Desde o dia 29 de maio as instituições financeiras vêm alterando suas projeções para a inflação e a taxa básica Selic, na esteira do resultado robusto do PIB (Produto Interno Bruto) e de outros indicadores divulgados posteriormente. Como pano de fundo está a continuidade da guerra no Oriente Médio e seus efeitos sobre a inflação.

No mercado de renda fixa, isso tem se traduzido na expectativa de uma Selic mais elevada do que o originalmente projetado. Atualmente, a taxa básica está em 14,50% ao ano.

Nesta terça-feira, ainda que tenham mostrado maior acomodação pela manhã, as taxas curtas dos DIs ganharam força e se firmaram em alta à tarde, com os agentes intensificando as apostas em uma política monetária mais restritiva.

Operador ouvido pela Reuters chamou atenção para o fato de o DI para janeiro de 2027 já refletir apostas, ainda que minoritárias, de uma alta de 0,25 ponto percentual da Selic em agosto --e não de um corte de 25 pontos-base, como se esperava há algumas semanas.

Durante a tarde, a curva precificava cerca de 70% de probabilidade de manutenção da Selic neste mês de junho e 30% de chance de corte de 0,25 ponto. No caso de agosto, conforme o banco Bmg, são cerca de 65% de probabilidade de manutenção, contra 35% de chance de elevação de 25 pontos-base da taxa.

Às 13h43, a taxa do DI para janeiro de 2027 atingiu a máxima intradia de 14,525% (+5 pontos-base), em um momento em que os rendimentos dos Treasuries também ganharam força após declarações de Trump.

Os rendimentos dos Treasuries chegaram a subir logo após as declarações, mas retornaram para o negativo posteriormente. No Brasil, porém, as taxas de curto prazo seguiram em alta e as de longo prazo zeraram as perdas vistas mais cedo.

Às 16h42, o rendimento do Treasury de dois anos —que reflete apostas para os rumos das taxas de juros de curto prazo nos EUA— tinha queda de 3 pontos-base, a 4,124%. Já o retorno do título de dez anos —referência global para decisões de investimento— caía 2 pontos-base, a 4,526%.

Fonte: Folha Online - 09/06/2026

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