Petrobras aumenta gasolina nas refinarias e repasse ao consumidor após subsídio será de R$ 0,03
Publicado em 29/05/2026 , por Folha Online
A Petrobras vai reajustar em R$ 0,48 por litro o preço da gasolina em suas refinarias. O repasse ao consumidor, porém, será de R$ 0,03 por litro, segundo a estatal, devido à mistura de etanol anidro e a compensação dada pelo programa de subvenção do governo federal.
O aumento nas refinarias já era esperado e chegou a ser antecipado em duas ocasiões pela presidente da estatal, Magda Chambriard. A empresa aguardava apenas a regulamentação da subvenção de R$ 0,44 por litro, feita em decreto assinado na terça-feira (26) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O programa ressarce a estatal do pagamento de parte dos impostos federais. Com isso, a companhia repassará às distribuidoras um aumento de apenas R$ 0,04 por litro (os R$ 0,48 do reajuste menos os R$ 0,44 da subvenção).
"Para o consumidor, considerando que a gasolina C vendida nos postos é obtida a partir da mistura obrigatória de 70% de gasolina A e 30% de etanol anidro, a parcela da Petrobras na composição do preço final passará dos atuais R$ 1,80 para R$ 1,83 por litro, um aumento residual de no máximo R$ 0,03", informou a empresa.
É a primeira mudança no preço da gasolina nas refinarias da Petrobras desde outubro de 2025, quando houve corte de 4,9%. A estatal já havia ajustado o preço do diesel à escalada das cotações internacionais do petróleo após o início da guerra no Irã.
Segundo dados da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis), o preço de paridade de importação da gasolina nos portos brasileiros subiu quase 80% desde o início do conflito no Oriente Médio.
Na abertura do mercado desta quinta (28), o preço da gasolina vendida pelas refinarias da estatal estava R$ 1,37 por litro abaixo da paridade de importação medida pela Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustível).
O país é pouco dependente de importações de gasolina, produto que o etanol pode substituir. No caso do diesel, cerca de um quarto do mercado é abastecido por importações, o que levou o governo a adotar medidas emergenciais para evitar desabastecimento.
O diesel foi mais afetado inicialmente, mas o preço da gasolina começou a disparar nas últimas semanas tanto por efeitos da guerra quanto pela proximidade do verão no Hemisfério Norte, quando aumenta o consumo do combustível nos Estados Unidos.
Diante da pressão sobre suas finanças, a Petrobras passou a negociar com o governo medidas que permitissem o reajuste. O governo tentou primeiro um projeto de lei permitindo o uso de renda extra do petróleo para baixar impostos, mas a tramitação empacou.
A MP da subvenção da gasolina permitia um corte de até R$ 0,89 por litro, que é o valor dos impostos PIS/Cofins e Cide, mas o Ministério da Fazenda optou por dar o ressarcimento de menos da metade desse valor.
A subvenção funcionará como um cashback, em que o governo devolverá às empresas o valor pago em impostos. A ideia é minimizar choque de preços dos combustíveis. A gasolina tem grande peso na composição do IPCA, o índice oficial de inflação do país, cujo desempenho define a taxa de juros.
A MP da subvenção à gasolina deu ao diesel nova subvenção, de R$ 0,35 por litro, que se somam aos R$ 1,20 e R$ 1,56 já concedidos para produtores nacionais e importadores, respectivamente, nos primeiros programas de subvenção.
Parte desse valor, porém, vence no fim do mês e ainda não houve anúncio de renovação pelo governo.
Fonte: Folha Online - 28/05/2026
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