Como a poupança defensiva está enfraquecendo os gastos 'por vingança'
Publicado em 18/05/2026 , por Exame
Do luxo e das viagens no pós-lockdown ao avanço do “revenge saving”, consumidores migraram do gasto compensatório para hábitos mais cautelosos
Compras impulsivas, viagens adiadas que finalmente aconteceram, restaurantes lotados e filas em lojas de luxo. O fenômeno que marcou a reabertura da economia após os lockdowns da pandemia ganhou um nome: revenge spending, ou “gasto por vingança”. O termo descreve o aumento expressivo do consumo após períodos de restrição, quando consumidores buscam compensar o tempo, as experiências e as compras perdidas.
Embora tenha se popularizado globalmente durante a pandemia, o conceito surgiu na China nos anos 1980, após a abertura do mercado do país para empresas estrangeiras. O comportamento voltou ao centro das discussões em 2020, quando a retomada do comércio impulsionou cenas de consumo intenso em mercados de luxo ao redor do mundo.
Na China, uma loja da Hermès vendeu cerca de US$ 2,7 milhões em apenas um dia após reabrir as portas. Filas também foram registradas em lojas da Chanel, Louis Vuitton e Zara em países da Europa e da Ásia. No Brasil, episódios semelhantes ocorreram durante a reabertura de shoppings centers, como em Blumenau, em Santa Catarina, onde consumidores formaram filas para entrar nos estabelecimentos.
O mecanismo psicológico
Do “revenge spending” ao “revenge saving”
Passado o pico da reabertura econômica, o comportamento começou a perder força globalmente. O crescimento acelerado do mercado de luxo desacelerou, enquanto consumidores passaram a priorizar segurança financeira diante da inflação elevada, juros altos e incertezas econômicas, de acordo com reportagem da CNBC.
Nos Estados Unidos, a taxa de poupança pessoal subiu de 3,5% em dezembro para 4,5% em maio de 2025, segundo dados do Departamento de Análise Econômica, citados pelo veículo. O movimento deu origem ao chamado revenge saving — ou “poupança por vingança” — marcado pela redução de gastos variáveis e pela reconstrução das reservas financeiras.
“Isso pode ser, em grande parte, um comportamento defensivo ou antecipatório. Talvez eu não precise do dinheiro hoje, mas terei acesso a ele caso precise daqui a alguns meses”, disse Charlie Wise, vice-presidente sênior e chefe de pesquisa e consultoria global da TransUnion, à CNBC.
Desafios de “no buy”, nos quais usuários limitam compras e cortam gastos supérfluos, ganharam espaço em plataformas como TikTok e Reddit. Utilizada pelo veículo, pesquisa recente da Vanguard mostrou que 71% dos norte-americanos pretendem priorizar reservas de emergência e flexibilidade financeira.
Ao mesmo tempo, a Geração Z passou a substituir grandes gastos compensatórios por “micro recompensas” — pequenos consumos emocionais, como cafés premium, jantares ou itens de baixo valor com forte apelo afetivo. Dados da PwC indicam que os jovens reduziram despesas maiores com roupas e eletrônicos, mas continuam consumindo impulsivamente produtos ligados à identidade e bem-estar emocional.
Fonte: Exame Online - 17/05/2026
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