Lula quer ministro 'mágico' que arranje mais dinheiro para ampliar pacote do crédito
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Lula quer ministro 'mágico' que arranje mais dinheiro para ampliar pacote do crédito

Publicado em 05/05/2026 , por Folha Online

O primeiro programa de renegociação de dívidas do governo Lula, o Desenrola Brasil, ficou aquém do esperado e poderia ter beneficiado um público ainda maior, considerando o volume de recursos envolvidos.

Quem diz isso são os técnicos do Ministério do Planejamento e Orçamento que fizeram o relatório de avaliação do programa. Eles afirmaram que o resultado dessa política pública deveria "ensejar reflexão" no governo.

O relatório adiantou muito pouco. O governo anunciou nesta segunda-feira (4) o Novo Desenrola, e a impressão que fica é que os erros e acertos do primeiro programa pouco serviram como parâmetro para a formulação das regras.

É tudo na base da correria, ao sabor do calendário de campanha eleitoral.

Lula cobrou da equipe resultados rápidos e efetividade no Desenrola 2 porque tem pouco tempo até a eleição esquentar. Um fracasso da nova renegociação pode gerar clientes bancários insatisfeitos e acabar tirando votos.

Se nos próximos 90 dias a operação do programa tiver problemas, o peso maior recairá, portanto, sobre a equipe econômica do governo.

Se na primeira versão o alvo eram as famílias de baixa renda com dívidas negativadas, Lula tenta agora favorecer um grupo maior de trabalhadores, que recebem até cinco salários mínimos.

O presidente ainda quer foco em medidas para os trabalhadores informais, grupo que preocupa o PT porque está insatisfeito com o governo. Ele também pretende beneficiar, em um segundo momento, quem está com pagamentos em dia, mas possui dívidas caras, contraídas a taxas de juros elevadas.

Mais medidas estão no forno para alcançar esse público. Para isso, o governo terá que injetar mais dinheiro no FGO, o fundo que recebe aportes para bancar as dívidas em caso de calote.

O potencial de aportes pode chegar a R$ 15 bilhões, de acordo com os números apresentados pelo governo. Fora a liberação do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) e as novas linhas de crédito que estão sendo lançadas aos poucos, como a de aquisição de caminhões e ônibus.

Para não assustar, o governo escolheu anunciar o pacote em etapas.

Além do insucesso no curto prazo, o maior risco de uma política mal formulada é o efeito colateral que pode gerar no futuro. Um deles é o estímulo a que endividados que pagam em dia as contas deixem de fazê-lo à espera de mais um pacote de crédito.

É um ciclo vicioso que acaba gerando comportamento parecido com os sucessivos Refis da Receita Federal, que por mais de duas décadas fizeram do não pagamento de tributos um bom negócio.

Os ministros Dario Durigan (Fazenda) e Bruno Moretti (Planejamento e Orçamento) estão tendo que se equilibrar entre lançar um programa com regras e tamanho que respondam à demanda do presidente e, ao mesmo tempo, evitar um estrago maior nas contas públicas com ganhos apenas paliativos.

Em evento na semana passada, Lula já deu o recado ao citar o ministro Moretti: quer um ministro mágico para futucar no arquivo morto das possibilidades e conseguir encontrar mais receita para fazer mais.

Fonte: Folha Online - 05/05/2026

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