Dívidas refinanciadas por novo programa do governo devem ter taxa de juros de até 1,99% ao mês
Publicado em 15/04/2026 , por Folha Online
As dívidas de pessoas físicas refinanciadas pelo programa contra o endividamento em elaboração pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deverão ter uma taxa de juros de até 1,99% ao mês.
Na última semana de março, a taxa média praticada pelo mercado para o crédito pessoal não consignado prefixado foi de 6,8% ao mês, segundo dados do Banco Central.
A expectativa é que o programa gere de R$ 20 bilhões a R$ 30 bilhões de novas dívidas repactuadas, de um total de financiamentos em atraso da ordem de R$ 70 bilhões a R$ 100 bilhões.
A taxa de financiamento das novas dívidas após a quitação dos empréstimos antigos com desconto foi discutida em reunião nesta segunda-feira (13), em São Paulo, entre o ministro da Fazenda, Dario Durigan, e representantes dos bancos.
Essas novas dívidas serão garantidas pelo FGO (Fundo de Garantias de Operação) em caso de calote dos devedores. O fundo deverá ter um aporte orçamentário entre R$ 5 bilhões e R$ 10 bilhões para fazer frente ao programa, segundo pessoas a par do tema ouvidas pela Folha.
O financiamento vai abarcar três tipos de linhas de crédito em atraso: cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal não consignado. Essas três linhas são consideradas mais arriscadas porque nenhuma delas tem garantia, como acontece com o crédito consignado, no qual as parcelas são descontadas diretamente da folha de pagamento ou da aposentadoria e pensão do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).
Cada instituição financeira poderá empacotar (unificar o saldo) os três tipos de dívida de cada cliente (CPF). Sobre esse valor global da dívida, o banco dará o desconto que poderá chegar a 90%. Serão renegociadas dívidas de pessoas físicas que ganham até cinco salários mínimos (R$ 8.105).
O desconto vai ser proporcional ao dia de atraso. Quanto mais velha a dívida, maior será o abatimento do valor total. Por exemplo, uma dívida de 100 dias de atraso terá que ter um desconto bem menor do que uma de 300 dias sem pagamento.
A proposta em discussão é que a dívida velha seja quitada e surja uma dívida nova, que já vai nascer mais barata, com juros menores. A pessoa endividada terá que buscar a negociação em cada banco em que tiver contraído a dívida. Por exemplo, se tiver dívidas em três bancos diferentes, terá que fazer a negociação em cada um deles. O programa deve durar três meses, segundo integrantes do governo a par das negociações.
A Fazenda e os bancos ainda discutem pontos relevantes do programa, como o período de atraso das dívidas elegíveis. O governo defende que possam ser refinanciadas, com garantia do FGO, dívidas com atraso superior a 61 dias e de até 360 dias.
Já os bancos propõem a repactuação de débitos com mais de 91 dias e até três anos de inadimplência —faixa que demanda maior volume de provisões que os bancos têm que fazer nos seus balanços.
O argumento das instituições financeiras é que esse desenho permitiria oferecer descontos mais expressivos aos devedores, liberar capital e promover uma redução mais significativa dos provisionamentos constituídos em seus balanços para cobrir as perdas associadas a essas dívidas inadimplentes.
Quanto mais garantia o banco tem do FGO para renegociar as dívidas, menor é o risco da provisão a ser feita. Uma proposta é fixar um teto para as garantias com o novo aporte. Atingido esse teto, os bancos não poderão fazer mais a renegociação.
Hoje, o estoque de dívidas com saldo inadimplente dessas três linhas está em R$ 105 bilhões. O estoque total da concessão de empréstimos (dívidas em dia e inadimplentes) dessas três linhas é de cerca de R$ 1,15 trilhão em valores do fechamento do ano de 2025.
O pacote, uma demanda do presidente, deve contar também com linhas para caminhoneiros e apoio a setores como construção civil e fertilizantes, segundo informou o ministro da Fazenda, Dario Durigan, em entrevista à Folha publicada no sábado (11).
O governo vai oferecer linhas de refinanciamento para MEIs (Microempreendedores Individuais), micro, pequenas e médias empresas com faturamento até R$ 300 milhões e motoristas de aplicativos, como com mostrou reportagem da Folha no dia 8 de abril, com garantia do FGI (Fundo Garantidor para Investimento), gerido pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).
O governo estuda um aporte de R$ 5 bilhões para o FGI, mas Durigan não garantiu que a capitalização do fundo será nesse montante.
O ministro informou também que trabalhadores com renda de até cinco salários mínimos poderão sacar até 20% de seu saldo no FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) para quitar dívidas.
Com as novas linhas para esses setores e o saque do FGTS, calcula-se que o pacote poderia alcançar R$ 100 bilhões, mas os valores do aporte e das linhas não estão definidos. Na área econômica do governo há uma preocupação de o pacote ser visto como um estímulo ao crédito para elevar o consumo, o que pode gerar pressão adicional na inflação.
Fonte: Folha Online - 14/04/2026
Notícias relacionadas
- 21/04/2026 Na Alemanha, Lula exalta biocombustíveis e convida: 'Quem quiser energia barata e limpa, procure o Brasil'
- 21/04/2026 Justiça de SP nega liminar a empresa estoniana em disputa pela marca do jogo Aviator
- 21/04/2026 Pão de Açúcar consegue decisão para barrar venda de ações pelo Casino
- 21/04/2026 Governo Lula recua de empréstimo e busca alternativa para segurar conta de luz em ano eleitoral
- 21/04/2026 Sistema de reembolso de tarifas ilegais de Trump entra em operação nos EUA
- 21/04/2026 Educação financeira: dicas para começar do zero
- 21/04/2026 Veja como é a declaração do Imposto de Renda do MEI e por que categoria entrega dois documentos
- 21/04/2026 Pente-fino no INSS: instituto cancelou 2.400 benefícios por acúmulo indevido desde 2021
- 21/04/2026 Após STF limitar 'penduricalhos', desembargadora do Pará diz que categoria pode entrar em 'regime de escravidão'
- 21/04/2026 Big techs e fabricantes no Brasil travam embate sobre importação de data centers
Notícias
- 21/04/2026 Governo Lula recua de empréstimo e busca alternativa para segurar conta de luz em ano eleitoral
- Educação financeira: dicas para começar do zero
- Pente-fino no INSS: instituto cancelou 2.400 benefícios por acúmulo indevido desde 2021
- Veja como é a declaração do Imposto de Renda do MEI e por que categoria entrega dois documentos
Perguntas e Respostas
- Quanto tempo o nome fica cadastrado no SPC, SERASA e SCPC?
- A consulta ao SPC, SERASA ou SCPC é gratuita?
- Saiba quais os bens não podem ser penhorados para pagar dívidas
- Após quantos dias de atraso o credor pode inserir o nome do consumidor no SPC ou SERASA?
- Protesto de dívida prescrita é ilegal e dá direito a indenização por danos morais
- Como consultar SPC, SERASA ou SCPC?
- ACORDO - Em caso de acordo, após o pagamento da primeira parcela o credor é obrigado a tirar o nome do devedor dos cadastros de SPC e SERASA ou pode mantê-lo cadastrado até o pagamento da última parcela?
- CHEQUE – Não encontro à pessoa para qual passei um cheque que voltou por falta de fundos. O que posso fazer para pagar este cheque e regularizar minha situação?
- Problemas com dívidas? Dicas para você não entrar em desespero
- PROTESTO - Qual o prazo para o protesto de um cheque, nota promissória ou duplicata? O protesto renova o prazo de prescrição ou de inscrição no SPC e SERASA?
- Cartão de Crédito: Procedimentos em caso de perda, roubo ou clonagem
- O que o consumidor pode fazer quando seu nome continua incluído na SERASA ou no SPC após o pagamento de uma dívida ou depois de 5 anos?
- Posso ser preso por dívidas ?
- SPC e SERASA, como saber se seu nome está inscrito?
- Acordo – Paga a primeira parcela nome deve ser excluído dos cadastros negativos (SPC, SERASA, etc)
