Brasil negativado: especialistas alertam para cenário alarmante de inadimplência
Publicado em 06/04/2026 , por R7
Com 81,7 milhões de CPFs negativados e mais de 80% das famílias endividadas, o Brasil atravessa um momento crítico no que diz respeito...
Com 81,7 milhões de CPFs negativados e mais de 80% das famílias endividadas, o Brasil atravessa um momento crítico no que diz respeito à manutenção do custo de vida. Publicado na última semana, o estudo da Serasa intitulado “Mapa da Inadimplência do Brasil: 10 anos” revela um acréscimo de 22,7 milhões de inadimplentes na última década. Esse cenário acendeu o alerta do governo, que prepara um novo programa de renegociação de dívidas.
Com 81,7 milhões de CPFs negativados e mais de 80% das famílias endividadas, o Brasil atravessa um momento crítico no que diz respeito à manutenção do custo de vida. Publicado na última semana, o estudo da Serasa intitulado “Mapa da Inadimplência do Brasil: 10 anos” revela um acréscimo de 22,7 milhões de inadimplentes na última década. Esse cenário acendeu o alerta do governo, que prepara um novo programa de renegociação de dívidas.
Para Renan Silva, professor de economia do Ibmec Brasília, grande parte da população passou a utilizar o cartão de crédito como uma “extensão do salário” para fechar o mês. Segundo ele, a prática é um erro estratégico, mas muitas vezes imposta pela necessidade de sobrevivência.
Para Renan Silva, professor de economia do Ibmec Brasília, grande parte da população passou a utilizar o cartão de crédito como uma “extensão do salário” para fechar o mês. Segundo ele, a prática é um erro estratégico, mas muitas vezes imposta pela necessidade de sobrevivência.
“O endividamento atual tem um caráter predominantemente de manutenção do custo de vida. Dados mostram que o brasileiro usa o cartão majoritariamente para alimentação e transporte”, ressalta Silva.
“O endividamento atual tem um caráter predominantemente de manutenção do custo de vida. Dados mostram que o brasileiro usa o cartão majoritariamente para alimentação e transporte”, ressalta Silva.
“Quase 85% das negativações em dezembro de 2025 foram de consumidores reincidentes, indicando que o crédito está sendo usado para cobrir furos recorrentes no orçamento doméstico, e não para acúmulo de patrimônio ou bens duráveis”, acrescenta.
“Quase 85% das negativações em dezembro de 2025 foram de consumidores reincidentes, indicando que o crédito está sendo usado para cobrir furos recorrentes no orçamento doméstico, e não para acúmulo de patrimônio ou bens duráveis”, acrescenta.
Essa percepção é corroborada pela (Peic) Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor, da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo), que aponta o cartão como o responsável por 85% das dívidas registradas no país.
Essa percepção é corroborada pela (Peic) Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor, da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo), que aponta o cartão como o responsável por 85% das dívidas registradas no país.
Para além dos juros do cartão, um novo componente tem agravado a crise financeira doméstica: o mercado de apostas online. Um estudo do Ibevar (Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo) e da FIA Business School aponta as “bets” como um dos principais vetores de endividamento, em um setor que ainda desafia a capacidade de adaptação das famílias.
Para além dos juros do cartão, um novo componente tem agravado a crise financeira doméstica: o mercado de apostas online. Um estudo do Ibevar (Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo) e da FIA Business School aponta as “bets” como um dos principais vetores de endividamento, em um setor que ainda desafia a capacidade de adaptação das famílias.
“A compulsão em jogos já é tratada como uma crise de saúde com reflexo direto no PIB, pois retira recursos que seriam destinados ao consumo real de bens e serviços, gerando um custo social e econômico estimado em bilhões de reais por ano”, ressalta o professor Renan Silva. Para ele, o atual nível de comprometimento financeiro coloca o mercado em “estado de alerta máximo”.
“A compulsão em jogos já é tratada como uma crise de saúde com reflexo direto no PIB, pois retira recursos que seriam destinados ao consumo real de bens e serviços, gerando um custo social e econômico estimado em bilhões de reais por ano”, ressalta o professor Renan Silva. Para ele, o atual nível de comprometimento financeiro coloca o mercado em “estado de alerta máximo”.
“Embora o mercado financeiro tenha se ajustado, o setor de varejo sofre com a drenagem de renda para as apostas e para o pagamento de juros. O perigo não é apenas um colapso bancário, mas uma estagnação prolongada do consumo, já que quase metade da renda das famílias já está comprometida com dívidas, limitando qualquer capacidade de crescimento econômico orgânico”, conclui Silva.
“Embora o mercado financeiro tenha se ajustado, o setor de varejo sofre com a drenagem de renda para as apostas e para o pagamento de juros. O perigo não é apenas um colapso bancário, mas uma estagnação prolongada do consumo, já que quase metade da renda das famílias já está comprometida com dívidas, limitando qualquer capacidade de crescimento econômico orgânico”, conclui Silva.
O novo rosto da inadimplência
O novo rosto da inadimplência
O relatório “10 anos do Mapa da Inadimplência” revela, ainda, uma mudança estrutural no perfil de quem deve no país: as mulheres agora são maioria, representando 50,5% dos negativados. O dado marca uma inversão em relação à década passada, quando os homens lideravam com 50,2%. Para o especialista em finanças e controladoria Eber Coelho, esse movimento está intrinsecamente ligado à gestão do orçamento doméstico.
O relatório “10 anos do Mapa da Inadimplência” revela, ainda, uma mudança estrutural no perfil de quem deve no país: as mulheres agora são maioria, representando 50,5% dos negativados. O dado marca uma inversão em relação à década passada, quando os homens lideravam com 50,2%. Para o especialista em finanças e controladoria Eber Coelho, esse movimento está intrinsecamente ligado à gestão do orçamento doméstico.
“São elas que concentram despesas essenciais, como alimentação, saúde e educação, que são justamente as mais pressionadas em momentos de inflação. Como a renda média feminina ainda é menor e mais instável, o desequilíbrio entre renda e despesa aparece com mais força”, analisa Coelho.
“São elas que concentram despesas essenciais, como alimentação, saúde e educação, que são justamente as mais pressionadas em momentos de inflação. Como a renda média feminina ainda é menor e mais instável, o desequilíbrio entre renda e despesa aparece com mais força”, analisa Coelho.
Idosos mais endividados
Idosos mais endividados
Outra parcela vulnerável que tem acumulado débitos são os idosos. A participação de pessoas com mais de 60 anos no mapa da inadimplência cresceu 7 pontos percentuais entre 2016 e 2026. Nesse grupo, a dívida média é superior à dos jovens, orbitando os R$ 7.200 — valor impulsionado pelo acúmulo de juros de longo prazo e pelo papel do idoso como “provedor de última instância”.
Outra parcela vulnerável que tem acumulado débitos são os idosos. A participação de pessoas com mais de 60 anos no mapa da inadimplência cresceu 7 pontos percentuais entre 2016 e 2026. Nesse grupo, a dívida média é superior à dos jovens, orbitando os R$ 7.200 — valor impulsionado pelo acúmulo de juros de longo prazo e pelo papel do idoso como “provedor de última instância”.
“A aposentadoria, que é uma renda estável, muitas vezes sustenta filhos e netos em contextos de desemprego ou informalidade. O crédito consignado facilita o acesso ao crédito, mas também pode levar a um endividamento contínuo”, observa o especialista.
“A aposentadoria, que é uma renda estável, muitas vezes sustenta filhos e netos em contextos de desemprego ou informalidade. O crédito consignado facilita o acesso ao crédito, mas também pode levar a um endividamento contínuo”, observa o especialista.
Para Coelho, o cenário atual indica um “ciclo persistente de vulnerabilidade”, em que a restrição ao crédito empurra o cidadão para modalidades ainda mais caras, dificultando qualquer tentativa de reorganização.
Para Coelho, o cenário atual indica um “ciclo persistente de vulnerabilidade”, em que a restrição ao crédito empurra o cidadão para modalidades ainda mais caras, dificultando qualquer tentativa de reorganização.
“Isso não é apenas um problema individual, mas estrutural, envolvendo renda instável, informalidade e baixa educação financeira. A falta de educação financeira, inclusive, alimenta esse ciclo, porque limita a capacidade de planejamento e de tomada de decisão ao longo do tempo. Sem mudanças nessas bases, o país tende a reproduzir esse padrão de forma contínua”, conclui.
“Isso não é apenas um problema individual, mas estrutural, envolvendo renda instável, informalidade e baixa educação financeira. A falta de educação financeira, inclusive, alimenta esse ciclo, porque limita a capacidade de planejamento e de tomada de decisão ao longo do tempo. Sem mudanças nessas bases, o país tende a reproduzir esse padrão de forma contínua”, conclui.
O post Brasil negativado: especialistas alertam para cenário alarmante de inadimplência apareceu primeiro em Portal Correio - Notícias da Paraíba e do Brasil.
O post Brasil negativado: especialistas alertam para cenário alarmante de inadimplência apareceu primeiro em Portal Correio - Notícias da Paraíba e do Brasil.
- Google News
- X (Twitter)
- Link de compartilhamento
Fonte: R7 - 05/04/2026
Notícias relacionadas
- 22/05/2026 Desenrola 2.0: ministro da Fazenda diz que um milhão de pessoas já foram beneficiadas pelo programa
- 22/05/2026 Datafolha: 68% dos endividados acham que vão se beneficiar do Desenrola 2.0
- 21/05/2026 Governo amplia de seis para dez anos o prazo para renegociação de dívidas rurais, diz Fazenda
- 20/05/2026 Após golpe de construtoras, vítimas ficam com obras inacabadas e em dívidas com financiamentos: 'o sonho virou pesadelo'
- 19/05/2026 As mudanças no mercado de crédito e o endividamento das famílias
- 19/05/2026 Correios e Serasa fecham parceria para ampliar renegociação de dívidas do Desenrola
- 18/05/2026 Procon-SP promove palestra online gratuita sobre orientação financeira durante a Semana ENEF
- 18/05/2026 'Economia dura' não convence, e Lula entra em modo campanha com foco no poder de compra
- 18/05/2026 Endividamento compromete estudo e saúde mental de universitários, aponta pesquisa inédita
- 18/05/2026 Governo alerta para golpe que usa site falso do Desenrola 2.0 para cobrar 'taxas'
Notícias
- 22/05/2026 Receita paga R$ 16 bilhões em restituição a 8,7 milhões de contribuintes, o maior lote da história
- Dados de segurados do INSS vazam após falha de segurança
- Desenrola 2.0: ministro da Fazenda diz que um milhão de pessoas já foram beneficiadas pelo programa
- Aneel dá aval e oficializa parte de megaleilão do governo Lula que contratou R$ 515 bi de energia
- Datafolha: 68% dos endividados acham que vão se beneficiar do Desenrola 2.0
- Dados de segurados do INSS vazam após falha de segurança
- Durigan: Não devemos fazer terra arrasada da nossa principal potência
- Aneel confirma contratação de termelétricas de leilão de reserva de energia
- Aposentados do INSS vão receber R$ 2 bilhões em atrasados da Justiça; veja quem tem direito
Perguntas e Respostas
- Quanto tempo o nome fica cadastrado no SPC, SERASA e SCPC?
- A consulta ao SPC, SERASA ou SCPC é gratuita?
- Saiba quais os bens não podem ser penhorados para pagar dívidas
- Após quantos dias de atraso o credor pode inserir o nome do consumidor no SPC ou SERASA?
- Protesto de dívida prescrita é ilegal e dá direito a indenização por danos morais
- Como consultar SPC, SERASA ou SCPC?
- ACORDO - Em caso de acordo, após o pagamento da primeira parcela o credor é obrigado a tirar o nome do devedor dos cadastros de SPC e SERASA ou pode mantê-lo cadastrado até o pagamento da última parcela?
- CHEQUE – Não encontro à pessoa para qual passei um cheque que voltou por falta de fundos. O que posso fazer para pagar este cheque e regularizar minha situação?
- Problemas com dívidas? Dicas para você não entrar em desespero
- PROTESTO - Qual o prazo para o protesto de um cheque, nota promissória ou duplicata? O protesto renova o prazo de prescrição ou de inscrição no SPC e SERASA?
- Cartão de Crédito: Procedimentos em caso de perda, roubo ou clonagem
- O que o consumidor pode fazer quando seu nome continua incluído na SERASA ou no SPC após o pagamento de uma dívida ou depois de 5 anos?
- Posso ser preso por dívidas ?
- SPC e SERASA, como saber se seu nome está inscrito?
- Acordo – Paga a primeira parcela nome deve ser excluído dos cadastros negativos (SPC, SERASA, etc)
