Governo avalia colocar mais etanol na gasolina e isentar biodiesel contra alta do petróleo
Publicado em 20/03/2026 , por Folha Online
Autoridades do governo responsáveis pela política sobre combustíveis discutem a possibilidade de aumentar de 30% para 32% o percentual de etanol misturado na gasolina, ao mesmo tempo em que avaliam estender ao biodiesel a isenção de PIS/Cofins já aplicada ao diesel.
Seriam formas de reduzir o impacto da disparada no preço do petróleo causada pela guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, que elevou o preço da commodity em todo o mundo.
A ideia é debatida entre integrantes do Ministério de Minas e Energia e da Fazenda. Caso vá adiante, será mais uma das medidas do governo federal para suavizar o aumento dos preços dos combustíveis.
As principais ações anunciadas pelo Executivo para mitigar os efeitos da guerra até o momento foram a redução de PIS e Cofins sobre o diesel e a oferta de subvenção para que estados também cortem no ICMS.
Até aqui, governadores não demonstraram grande interesse em aderir à medida, mesmo diante do apoio do governo federal e da pressão pública do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Enquanto isso, a Petrobras anunciou um aumento nos preços, o que consumiu parte da folga nos valores anunciados pelo Executivo.
Uma das respostas do regime iraniano aos ataques dos Estados Unidos e Israel foi restringir o tráfego de petroleiros no estreito de Hormuz, por onde passam cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo.
Nesta quinta-feira (19), o preço do barril do petróleo Brent, principal referência do mercado, chegou a ultrapassar os US$ 119. O aumento se deu depois de o Irã atacar instalações energéticas em todo o Oriente Médio como retaliação a Israel ter atacado o campo de gás de Pars Sul, e Trump ameaçar destruir esse campo, o maior depósito de gás do mundo.
Em resposta, o governo avalia aumentar a mistura de etanol na gasolina de 30% para 32%, percentual chamado de E32, para tentar conter a alta dos preços.
Duas pessoas que acompanham o tema, porém, ressaltam que para isso é necessária a elaboração de um estudo de viabilidade que comprove que esse aumento não vai impactar negativamente os motores dos automóveis.
Com esse documento em mãos, o Ministério de Minas e Energia precisa submeter a medida ao CNPE (Conselho Nacional de Política Energética), órgão liderado pela pasta e composto por representantes de toda a Esplanada.
O preço da gasolina, porém, não é o principal impactado pelos efeitos da guerra. Isso porque a Petrobras dá conta quase integralmente da produção para o mercado nacional.
O alto valor do petróleo no mercado internacional afeta sobretudo o preço do diesel, que é em boa parcela importado.
Pessoas do setor avaliam, porém, que aumentar a mistura de etanol na gasolina poderia dar mais espaço para a Petrobras ampliar sua participação no mercado de diesel.
Um representante do agronegócio reclama sob reserva que a solução mais óbvia seria aumentar a mistura de biodiesel ao diesel, que hoje está em 15%.
Desde o início do conflito e da onda de disparadas de preço dos barris de petróleo, o setor pressiona o governo Lula para elevar esse percentual para a categoria chamada de E16, com 16% de mistura.
Um integrante do Ministério de Minas e Energia ressalta que a medida também precisaria seguir os trâmites do caso do etanol.
A pasta já demandou a elaboração de tais estudos de viabilidade, que ainda estão em produção.
Na última terça-feira (17), o ministério anunciou que vai investir R$ 30 milhões na realização de testes de laboratório, com apoio de entidades de pesquisa de todo o Brasil, para criar subsídio técnico que demonstre a viabilidade de elevação da mistura dos biocombustíveis para até 25% no caso do diesel e até 35% no caso da gasolina.
O esforço do governo Lula é para evitar que os caminhoneiros entrem em greve. A categoria tem ameaçado parar devido ao preço do combustível, entre outros motivos. Uma paralisação da categoria afetaria a economia e teria potencial para reduzir a popularidade do petista no ano em que ele concorrerá à reeleição.
No caso da gasolina, o alvo da possível medida seriam os eleitores que têm carro e moto.
Além disso, a equipe econômica do governo avalia a possibilidade de uma desoneração do biodiesel. Os impostos desse produto representam cerca de R$ 0,02 no preço do litro do diesel, de acordo com estimativas do setor privado.
A redução, avaliam técnicos do Executivo, seria necessária para respeitar a Constituição Federal e garantir isonomia entre os combustíveis, uma vez que os impostos federais sobre o diesel foram zerados.
Integrantes do Executivo comentam ainda que está em estudo a possibilidade de autorizar a importação de biodiesel.
Paralelamente a disputa também chegou no Congresso Nacional, onde tramita atualmente a Medida Provisória do governo que reduziu os impostos sobre o diesel.
Já foram apresentadas quase 200 emendas ao texto, que tratam tanto da ampliação da isenção para o biodiesel, como também para a gasolina e o etanol.
Parlamentares, porém, avaliam que há a possibilidade da medida sequer ser votada pelo Congresso, caso o conflito no Oriente Médio comece a dar sinais de desfecho e o preço do petróleo comece a cair.
Uma vez publicada, uma medida provisória tem efeito imediato, mas 120 dias de validade. Ela só segue em vigor após esse tempo caso seja aprovada na Câmara e no Senado.
Fonte: Folha Online - 19/03/2026
Notícias relacionadas
- 04/05/2026 Análise: Desenrola alivia, mas não resolve endividamento
- 04/05/2026 Livro ouve endividados para discutir efeitos ambíguos do crédito nas periferias
- 04/05/2026 Juros de até 1,99% e uso do FGTS: o que já se sabe sobre nova renegociação de dívidas
- 04/05/2026 Governo lança nesta segunda novo pacote para renegociação de dívidas; veja o que já se sabe
- 04/05/2026 Pedágio Free Flow começa a operar em rodovias do Paraná nesta segunda-feira (4); veja pontos de cobrança e valor das tarifas
- 04/05/2026 Mais pobres se endividam por necessidade, não por consumismo, diz pesquisa
- 01/05/2026 Reforma tributária: governo regulamenta a cobrança da CBS e do IBS
- 01/05/2026 Feriado de 1º de maio: veja o que abre e o que fecha em São Paulo
- 01/05/2026 Lula confirma que mistura de etanol na gasolina vai aumentar de 30% para 32%
- 01/05/2026 Bolsa Família 2026: veja calendário de pagamentos em maio
Notícias
- 04/05/2026 Governo lança nesta segunda novo pacote para renegociação de dívidas; veja o que já se sabe
- Thermos realiza recall de 8,2 milhões de garrafas térmicas após três pessoas perderem visão
- Análise: Desenrola alivia, mas não resolve endividamento
- Juros de até 1,99% e uso do FGTS: o que já se sabe sobre nova renegociação de dívidas
- Livro ouve endividados para discutir efeitos ambíguos do crédito nas periferias
- O que mudou nos seguros? Lei completa cinco meses e traz novas regras
- Mais pobres se endividam por necessidade, não por consumismo, diz pesquisa
- Petrobras anuncia reajuste de 19,2% no preço do gás natural às distribuidoras
- Pedágio Free Flow começa a operar em rodovias do Paraná nesta segunda-feira (4); veja pontos de cobrança e valor das tarifas
- Prazo para declarar o Imposto de Renda 2026 acaba em 25 dias; saiba prestar contas sem erro
Perguntas e Respostas
- Quanto tempo o nome fica cadastrado no SPC, SERASA e SCPC?
- A consulta ao SPC, SERASA ou SCPC é gratuita?
- Saiba quais os bens não podem ser penhorados para pagar dívidas
- Após quantos dias de atraso o credor pode inserir o nome do consumidor no SPC ou SERASA?
- Protesto de dívida prescrita é ilegal e dá direito a indenização por danos morais
- Como consultar SPC, SERASA ou SCPC?
- ACORDO - Em caso de acordo, após o pagamento da primeira parcela o credor é obrigado a tirar o nome do devedor dos cadastros de SPC e SERASA ou pode mantê-lo cadastrado até o pagamento da última parcela?
- CHEQUE – Não encontro à pessoa para qual passei um cheque que voltou por falta de fundos. O que posso fazer para pagar este cheque e regularizar minha situação?
- Problemas com dívidas? Dicas para você não entrar em desespero
- PROTESTO - Qual o prazo para o protesto de um cheque, nota promissória ou duplicata? O protesto renova o prazo de prescrição ou de inscrição no SPC e SERASA?
- Cartão de Crédito: Procedimentos em caso de perda, roubo ou clonagem
- O que o consumidor pode fazer quando seu nome continua incluído na SERASA ou no SPC após o pagamento de uma dívida ou depois de 5 anos?
- Posso ser preso por dívidas ?
- SPC e SERASA, como saber se seu nome está inscrito?
- Acordo – Paga a primeira parcela nome deve ser excluído dos cadastros negativos (SPC, SERASA, etc)
