Ritmo de corte de juros será mais lento que o esperado, dizem analistas
Publicado em 19/03/2026 , por Folha Online
O corte de juros de 0,25 ponto percentual na Selic, a taxa básica de juros da economia, foi mais comedido do que seria sem o conflito no Oriente Médio, e esse deverá ser o ritmo do ciclo de queda, afirmam analistas do mercado financeiro.
O Copom (Comitê de Política Monetária) diminuiu nesta quarta-feira (18) a taxa de 15% para 14,75% ao ano. Antes dos ataques dos Estados Unidos ao Irã, havia apostas de que o Banco Central faria cortes de 0,5 ponto percentual a cada reunião.
A taxa de juros real, levando em conta a curva de juros futuros, é de cerca de 9,51% ao ano, a segunda maior do mundo.
Alex Agostini, economista chefe da Austin Rating, chama a atenção para o texto do comunicado do Copom, que começa citando o conflito no Oriente Médio. "Quanto mais transparente for o Banco Central, melhor ele vai conseguir conduzir as expectativas", diz.
Ele afirma que a decisão foi moderada, já que uma parte significativa do mercado financeiro considerava que haveria redução de 0,5 ponto percentual. O comitê afirmou em janeiro que começaria a cortar a taxa de juros a partir da reunião deste mês.
Também nesta quarta-feira, o Fed (Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos) decidiu manter a taxa de juros do entre 3,5% e 3,75%, também citando incertezas em relação às consequências econômicas da guerra no Irã.
O corte de 0,25 ponto nesta quarta foi o primeiro desde maio de 2024 —também o primeiro na gestão de Gabriel Galípolo, que assumiu o comando da autarquia no início de 2025. A Selic estava em 15% desde 20 de junho do ano passado.
Caio Megale, economista-chefe da XP, diz que o ritmo de cortes deverá ser de 0,25 ponto percentual ou mais de agora em diante.
Sobre o comunicado, ele diz que o Copom manteve a projeção para inflação em patamar semelhante. Ele também notou que houve referência aos eventos recentes (incluindo o conflito no Oriente Médio) e à possibilidade de que a evolução do cenário pode criar condições para mudança do ritmo nos cortes.
Marcelo Fonseca, economista-chefe do grupo CVPAR, chama a atenção para a mudança na expecativa de inflação de 3,4% para 3,9% no terceiro trimestre de 2027. Tanto ele como Agostini afirmam que na próxima reunião deve haver uma nova redução de 0,25 ponto percentual.
Danilo Passos, economista da WHG, também afirma que o ciclo de cortes deve continuar, mas diz que pelo texto do comunicado fica claro que dificilmente o ritmo de redução da taxa básica de juros será maior do que o atual.
Rafael Cardoso, economista-chefe do Daycoval, diz que com o conflito no Oriente Médio, o preço de petróleo deve se manter alto, e por isso o Banco Central seguir com o ritmo de 0,25 ponto percentual de corte.
"Se tiver uma melhora do cenário, se o preço de petróleo voltar a cair para patamares anteriores ao conflito, eventualmente o Banco Central pode vir com corte de 0,50", afirma.
A Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) e a Fiemg (de Minas Gerais) divulgaram notas afirmando que o corte foi tímido.
"Não há euforia de demanda que justifique tal rigor, independentemente de aspectos externos. Ao contrário, o que se observa é uma punição ao investimento e à inovação em favor da inércia da renda fixa", afirmou a Fiesp, que pede cortes nos gastos do governo.
A Fiemg afirmou que a diminuição de 15% para 14,75% é insuficiente para melhorar a competitividade da indústria e que o anúncio "não atendeu às expectativas do setor produtivo, que esperava um corte mais expressivo após quase dois anos sem reduções".
Fonte: Folha Online - 18/03/2026
Notícias relacionadas
- 07/05/2026 Dia das Mães: Vendas no varejo devem crescer 10%, diz levantamento
- 06/05/2026 Bets e a areia movediça do endividamento no Brasil
- 06/05/2026 Desenrola é gambiarra; crédito barato é solução?
- 06/05/2026 Desenrola 2.0: Serasa aponta 82,8 milhões de endividados no Brasil; 47% das dívidas são com instituições financeiras
- 06/05/2026 Consignado do INSS e saque do FGTS: o que muda para aposentados com o Desenrola 2.0?
- 06/05/2026 MRV lança série para esclarecer dúvidas sobre financiamento imobiliário
- 06/05/2026 Planalto acelera agenda de alívio financeiro sob vigilância do mercado
- 05/05/2026 Lula diz que mercado transforma pessoas com dívida baixa em 'clandestinos'
- 05/05/2026 Novo Desenrola dará até 90% de desconto em dívida, limitada a R$ 15 mil após renegociação
- 05/05/2026 Desenrola 2.0: governo vai usar dinheiro esquecido em bancos para garantir renegociação de dívidas
Notícias
- 07/05/2026 Primeiro lote de restituição do IR 2026 fecha neste domingo; consulta sai em 22 de maio
- Quadrilha pedia até encerramento de cartão de crédito em processos fraudados para lucrar com bancos, diz advogado de vítimas
- Alexandre de Moraes pede vista e suspende julgamento sobre revisão da vida toda no STF
- INSS reduz fila cortando benefícios
- Imóvel popular investigado por fraude não terá mais alerta na matrícula em São Paulo
- Taxa das blusinhas: ministro da Fazenda admite que fim do imposto está sendo discutido
Perguntas e Respostas
- Quanto tempo o nome fica cadastrado no SPC, SERASA e SCPC?
- A consulta ao SPC, SERASA ou SCPC é gratuita?
- Saiba quais os bens não podem ser penhorados para pagar dívidas
- Após quantos dias de atraso o credor pode inserir o nome do consumidor no SPC ou SERASA?
- Protesto de dívida prescrita é ilegal e dá direito a indenização por danos morais
- Como consultar SPC, SERASA ou SCPC?
- ACORDO - Em caso de acordo, após o pagamento da primeira parcela o credor é obrigado a tirar o nome do devedor dos cadastros de SPC e SERASA ou pode mantê-lo cadastrado até o pagamento da última parcela?
- CHEQUE – Não encontro à pessoa para qual passei um cheque que voltou por falta de fundos. O que posso fazer para pagar este cheque e regularizar minha situação?
- Problemas com dívidas? Dicas para você não entrar em desespero
- PROTESTO - Qual o prazo para o protesto de um cheque, nota promissória ou duplicata? O protesto renova o prazo de prescrição ou de inscrição no SPC e SERASA?
- Cartão de Crédito: Procedimentos em caso de perda, roubo ou clonagem
- O que o consumidor pode fazer quando seu nome continua incluído na SERASA ou no SPC após o pagamento de uma dívida ou depois de 5 anos?
- Posso ser preso por dívidas ?
- SPC e SERASA, como saber se seu nome está inscrito?
- Acordo – Paga a primeira parcela nome deve ser excluído dos cadastros negativos (SPC, SERASA, etc)
