Selic em 14,75% mantém renda fixa pós-fixada atrativa; veja como ficam os investimentos
Publicado em 19/03/2026 , por Folha Online
A decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) de reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, ao patamar de 14,75% ao ano, continua favorecendo a renda fixa, em especial títulos pós-fixados e indexados à inflação, segundo especialistas ouvidos pela Folha.
Apesar da decisão do Banco Central, o primeiro corte desde maio de 2024, investimentos atrelados à Selic ou ao CDI (Certificado de Depósito Interbancário), seu equivalente no mercado privado, seguem atrativos.
O mesmo é dito por analistas sobre ativos que acompanham os índices inflacionários, cujas taxas permanecem em patamar elevado.
"Não é porque a taxa de juros começou a cair que o investidor deva sair do pós-fixado e migrar para outros ativos", diz Rafael Winalda, especialista em renda fixa do Banco Inter.
Os pós-fixados acompanham a própria Selic ou o CDI (equivalente da taxa na renda privada), o que reduz a sensibilidade às oscilações de curto prazo da taxa básica.
Para Winalda, mesmo com a redução da taxa de juros, a taxa média de retorno da classe é elevada e deve continuar assim. Pelas projeções do último Boletim Focus, a Selic deve encerrar o próximo ano em 12,25%.
Segundo levantamento do C6 Bank, o Tesouro Selic com vencimento em 2028 deve oferecer retorno líquido real (já descontados o Imposto de Renda e a inflação projetada) de 7,33%, considerando uma alocação de um ano.
"Os pós-fixados continuam tendo espaço na carteira de qualquer investidor, justamente por ajudarem a reduzir a volatilidade e aumentarem a liquidez. O cenário continua bastante favorável", afirma Guilherme Almeida, head de renda fixa da Suno Research.
Os analistas também veem espaço para investimentos atrelados ao IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), métrica oficial da inflação brasileira. O ativo acompanha a inflação medida pelo índice, mais uma taxa prefixada de juros.
O Tesouro Direto ofertava, nesta quarta, títulos do IPCA com juro real acima de 6,9%. O prazo para 2032, por exemplo, prometia a variação da inflação mais 7,72%.
"Os juros reais seguem em patamar elevado. Para investidores com maior apetite a risco e horizonte de investimento mais longo, é possível travar taxas elevadas e, caso a curva de juros reais caia, há potencial de ganho", afirma Winalda.
No caso dos títulos IPCA, porém, o prazo escolhido altera o risco do investimento. Vencimentos mais longos ficam mais expostos à marcação a mercado (diferença entre o valor pago pelo título na contratação e o preço pelo qual ele é negociado no momento do resgate), caso haja resgate antes do prazo.
Para investidores arrojados, Almeida, da Suno, também recomenda ações em Bolsa. Segundo ele, a queda da taxa básica deve valorizar empresas alavancadas. "Em um cenário de juros elevados e restritivos, o custo da dívida comprime o fluxo de caixa. Com a redução dos juros, o custo financeiro diminui e essas empresas passam a ter maior folga."
Ele, contudo, adverte contra aportes na renda fixa privada, como debêntures, CRI e CRAs (Certificados de Recebíveis Imobiliários ou do Agronegócio). "Percepção é de que o risco ainda é elevado para o nível de retorno oferecido. Neste cenário, aumenta a necessidade de análise e seleção por parte do investidor", diz.
Os analistas também veem a guerra no Oriente Médio como fator de valorização da renda fixa. Para eles, entretanto, ainda há incerteza sobre a duração do conflito e seus impactos na curva de juros brasileira.
"A guerra pode se encerrar rapidamente ou se prolongar, como vimos em outros conflitos recentes. Em um cenário de petróleo elevado e maior aversão a risco global, poderíamos ter impactos relevantes na inflação brasileira", diz Felipe Izac, sócio da Nexgen Capital.
Ele afirma, porém, que, em um cenário de estabilização do conflito e do petróleo, o Banco Central poderia ter espaço para promover cortes de forma mais gradual e consistente ao longo do ano.
"A expectativa para a reunião do Copom sempre foi de um corte de juros, mas a magnitude desse movimento oscilou. Essa mudança reflete, principalmente, os impactos inflacionários esperados para os próximos períodos no Brasil", diz Marcelo Freller, estrategista de investimentos do C6 Bank.
Para Winalda, do Inter, tanto investidores quanto o Banco Central devem levar o conflito em consideração, dado que o petróleo é um componente extremamente relevante e sensível na dinâmica da inflação.
Ele, contudo, ressalta que o mercado ainda precifica um conflito de curta duração. "Nesse caso, nem o Banco Central nem os investidores, de forma estrutural, deveriam promover mudanças relevantes em suas estratégias por enquanto".
Fonte: Folha Online - 18/03/2026
Notícias relacionadas
- 17/06/2026 Brasil desenvolve sensor de freio automático que pode ser obrigatório em carros a partir de 2029
- 17/06/2026 Copom avalia indicadores econômicos e decide sobre taxa Selic
- 17/06/2026 Ex-diretor do BC disse a Vorcaro que mercado jogava 'emenda Master' na conta de Campos Neto
- 17/06/2026 EUA e Brasil definem juros à sombra de incertezas de paz no Oriente Médio
- 17/06/2026 Banco Mundial anuncia aval de US$ 2 bilhões para Argentina enfrentar dívida
- 16/06/2026 Geração Z rejeita smartphones e impulsiona vendas de câmeras digitais
- 16/06/2026 Como chegar ao fim do mês no azul? Veja dicas de planejadores financeiros
- 16/06/2026 Mercado financeiro sobe para 5,30% estimativa de inflação em 2026 e projeta corte menor de juros
- 15/06/2026 STJ envia investigação sobre Refit e Ricardo Magro para Justiça Federal
- 15/06/2026 Como economizar com o cartão de crédito sem cair em dívidas
Notícias
- 17/06/2026 Desenrola 2.0: trabalhadores já solicitaram R$ 3,88 bilhões do FGTS para abatimento de dívidas
- Anac anuncia novas regras para operação de drones no Brasil e abre caminho para serviços de entrega
- INSS passa a enviar mensagem de WhatsApp sobre BPC; entenda
- EUA e Brasil definem juros à sombra de incertezas de paz no Oriente Médio
Perguntas e Respostas
- Quanto tempo o nome fica cadastrado no SPC, SERASA e SCPC?
- A consulta ao SPC, SERASA ou SCPC é gratuita?
- Saiba quais os bens não podem ser penhorados para pagar dívidas
- Após quantos dias de atraso o credor pode inserir o nome do consumidor no SPC ou SERASA?
- Protesto de dívida prescrita é ilegal e dá direito a indenização por danos morais
- Como consultar SPC, SERASA ou SCPC?
- ACORDO - Em caso de acordo, após o pagamento da primeira parcela o credor é obrigado a tirar o nome do devedor dos cadastros de SPC e SERASA ou pode mantê-lo cadastrado até o pagamento da última parcela?
- CHEQUE – Não encontro à pessoa para qual passei um cheque que voltou por falta de fundos. O que posso fazer para pagar este cheque e regularizar minha situação?
- Problemas com dívidas? Dicas para você não entrar em desespero
- PROTESTO - Qual o prazo para o protesto de um cheque, nota promissória ou duplicata? O protesto renova o prazo de prescrição ou de inscrição no SPC e SERASA?
- Cartão de Crédito: Procedimentos em caso de perda, roubo ou clonagem
- O que o consumidor pode fazer quando seu nome continua incluído na SERASA ou no SPC após o pagamento de uma dívida ou depois de 5 anos?
- Posso ser preso por dívidas ?
- SPC e SERASA, como saber se seu nome está inscrito?
- Acordo – Paga a primeira parcela nome deve ser excluído dos cadastros negativos (SPC, SERASA, etc)
