Com demanda maior para estoques, Petrobras raciona diesel com 'cota-dia'
Publicado em 12/03/2026 , por Terra
Medida adotada pela Petrobras é usada em cenários de escassez
A Petrobras adotou um sistema de “cota-dia” para a distribuição de diesel, que divide os volumes mensais contratados em remessas diárias. A medida impede que distribuidores antecipem retiradas e estoquem combustível antes de possíveis aumentos de preços. A informação foi apurada pelo sistema de notícias Broadcast.
As restrições no abastecimento ocorrem em meio à alta dos preços internacionais do petróleo devido às tensões no Oriente Médio, que interromperam as importações de produtos e ameaçam o abastecimento de combustíveis no Brasil. Observadores do setor classificam a medida como um mecanismo de racionamento, tipicamente utilizado em cenários de escassez. A ação ocorreu após a forte alta internacional do petróleo e o reconhecimento de que grandes consumidores estavam correndo para encher tanques enquanto os preços domésticos permaneciam artificialmente baixos.
Na segunda-feira (10), o diesel comercializado no Brasil apresentava uma defasagem de 60% em relação aos preços do mercado internacional, criando espaço para a Petrobras elevar os custos do combustível em R$ 1,94 por litro.
Segundo fontes do setor, a Petrobras responde por aproximadamente 70% da demanda nacional de diesel. As empresas importadoras pararam de comprar devido à disparidade entre os preços internacionais e domésticos, com as reservas privadas de combustível estimadas em no máximo 15 dias.
Um executivo do setor de distribuição afirmou: “Na prática, a Petrobras está implementando um tipo de racionamento diante de riscos potenciais de crise.”
Os riscos de abastecimento ameaçam particularmente regiões remotas como o Nordeste e o Rio Grande do Sul, que dependem fortemente de volumes importados. Refinarias privadas, incluindo Ream e Mataripe, elevaram os preços sucessivamente, enquanto a estatal mantém as tarifas congeladas.
Empresas TRR — revendedoras de combustíveis a granel que atendem fazendas, indústrias e transportadoras — já relatam falta de produto. A avaliação do setor indica que as entregas estão sendo divididas estrategicamente para evitar falhas completas no abastecimento dos clientes, com regiões agrícolas enfrentando dificuldades primeiro.
A Agência Nacional do Petróleo (ANP) reconheceu ter recebido relatos sobre produtores rurais do Rio Grande do Sul enfrentando dificuldades na aquisição de diesel. No entanto, a agência observou que a produção e as entregas continuam em ritmo regular através da principal fornecedora do estado, a Refinaria Alberto Pasqualini da Petrobras, com níveis adequados de estoque mantidos.
A Petrobras, procurada, não se manifestou até o fechamento desta edição.
Fonte: Jovem Pan / Broadcast
Fonte: Terra - 12/03/2026
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