Grupo da família Vorcaro deve ao INSS
Publicado em 11/03/2026 , por Folha Online
Enquanto o país acompanha estarrecido os gastos supérfluos de Daniel Vorcaro, dono do banco Master, empresas ligadas ao empresário e parentes formam um grupo econômico familiar que tem diversos processos de cobrança, incluindo dívidas trabalhistas e previdenciárias. Em apenas uma semana na Itália, Daniel Vorcaro gastou R$ 200 milhões. Mas seus credores buscam há anos receber valores em aberto, inclusive dívidas relacionadas ao INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).
Há um conglomerado de empresas que envolve Daniel Vorcaro e seus parentes. Henrique Moura Vorcaro, pai do banqueiro e investigado por ter ocultado R$ 2,2 bilhões em favor do filho, figura como sócio em 54 empresas, algumas delas já encerradas. Muitas dessas companhias foram abertas sucessivamente, com reiteradas mudanças no quadro societário, o que dificulta a identificação dos responsáveis para a satisfação da dívida.
A família Vorcaro já era uma velha conhecida da Justiça do Trabalho de Minas Gerais mesmo antes de o Master existir. Há condenações de 2010 a 2022 por desrespeito à legislação trabalhista. A lista inclui contratação sem a anotação da carteira profissional e sem pagar direitos trabalhistas e previdenciários elementares.
Ao reclamar seus direitos, um ex-empregado requereu que o grupo econômico chamado "Grupo Multipar", formado pelas empresas Multipar Empreendimentos e Partcipações Ltda, Milo Investimentos S.A. e Newcorp Gestão S.A., pagasse sua indenização. Daniel Vorcaro era sócio e/ou administrador de todas as empresas.
Na época, o ex-funcionário justificou que em 2015 descobriu que "o grupo estava envolvido em negociações fraudulentas", com aprovação de financiamentos imobiliários, mas que "a empresa deixava de realizar os pagamentos acordados".
As três empresas negaram a existência de grupo econômico, de vínculo empregatício com o autor da ação e disse que "as alegações do reclamante são inverídicas e oportunistas, chegando-se à alegação maldosa de que descobriu que o grupo estava envolvido em negociações fraudulentas".
Ao analisar o caso, a desembargadora Paula Oliveira Cantelli, do Tribunal Regional do Trabalho de Minas Gerais, reconheceu o vínculo empregatício e o grupo econômico familiar pois as composições e alterações sociais das empresas "indicam a comunhão de interesses e a existência de efetivo grupo econômico familiar", formado por Daniel Vorcaro, Henrique Moura Vorcaro (seu pai) e Aline Bueno Vorcaro (mãe).
A NewCorp, uma das empresas do grupo familiar, já teve como acionista a Alliance Participações S/A, presidida por Daniel Vorcaro, e atualmente encontra-se no Banco Nacional de Devedores Trabalhistas.
A dificuldade que os credores têm para localizar bens da empresa decorre da existência de obstáculos para encontrar o responsável por ela. Diante de tantas mudanças na composição das companhias, além de reiterados recursos, alguns processos vão se eternizando em busca de localizar algum patrimônio.
Segundo a desembargadora Cantelli, as composições e alterações sociais das empresas "indicam a comunhão de interesses e a existência de efetivo grupo econômico familiar" dos Vorcaros.
O INSS também vem tendo dificuldade de receber o pagamento de empresas do grupo.
Na Justiça Federal de Minas Gerais, existem algumas execuções fiscais de cobrança de contribuição previdenciária que se arrastam desde 2012. Nelas, constam o nome de Daniel Vorcaro como responsável solidário. Conforme dados da Junta Comercial de Minas Gerais, a Gestacar Holding S/A é uma dessas empresas que têm dívida previdenciária em aberto e o ex-banqueiro como sócio.
Daniel Vorcaro é uma pequena amostragem do que acontece no Brasil. Alguns empresários ostentam publicamente, mas sonegam tributos e não honram compromissos legais. As dívidas previdenciárias de Vorcaro revelam outra face do país: a inoperância do aparato estatal em fiscalizar os grandes devedores. Apesar de o banqueiro ter patrimônio passível de penhora, as cobranças se arrastam há anos, desde antes do início da crise que culminou na liquidação do Banco Master.
Fonte: Folha Online - 11/03/2026
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