Caso Master: mulher de Moraes nega mensagens de Vorcaro e divulga serviço prestado ao banco
Publicado em 09/03/2026 , por Jovem Pan
Declaração de Viviane Barci contraria a versão do próprio marido sobre a organização das provas digitais da PF envolvendo o dono do banco
Declaração de Viviane Barci contraria a versão do próprio marido sobre a organização das provas digitais da PF envolvendo o dono do banco
A advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou ter recebido mensagem em que o dono do Banco Master, Daniel Vorcado, pergunta: “Alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear?”. Com isso, ela enfraquece a versão do próprio marido, segundo quem os prints dos textos enviados pelo banqueiro a seus interlocutores foram armazenados em pastas junto com os contatos das pessoas que os receberam e, depois, entregues à CPI do INSS.
No material sob custódia da CPI, essa anotação com o questionamento de Vorcaro é um arquivo armazenado numa pasta junto com o contato de Viviane. Na nota, ela disse que “não recebeu as referidas mensagens”.
Assim, as versões de Moraes e da mulher são incompatíveis. A assessoria de comunicação do STF foi acionada sobre a afirmação de Viviane, mas não houve retorno.
O fato de dois arquivos estarem na mesma pasta criada pelo programa de processamento de dados usados pela PF e compartilhado com a CPI não indica automaticamente correlação entre eles. Apenas que as “impressões digitais” deles têm trechos iguais e, por isso, são armazenados juntos.
Moraes se posicionou após reportagem do jornal O Globo informar que a mensagem de Vorcaro, redigida no dia 17 de novembro de 2025, data de sua primeira prisão, teve como destinatário o magistrado.
Produção de 36 pareceres
Viviane Barci de Moraes também falou pela primeira vez sobre os serviços prestados ao Banco Master, de Daniel Vorcaro. Ela afirmou ter produzido 36 pareceres e realizado 94 reuniões de trabalho.
A advogada tinha um contrato que previa remuneração de R$ 129 milhões ao longo de três anos. A informação foi divulgada no fim do ano passado, depois que o contrato foi encontrado pela Polícia Federal no celular apreendido do empresário. O valor chamou a atenção porque a advogada aparecia em poucos processos judiciais envolvendo o Master.
Nos últimos dias, Viviane Barci de Moraes contratou uma assessoria de imprensa e passou a prestar esclarecimentos públicos sobre o assunto. A mudança de postura ocorreu após a revelação de que o ministro Alexandre de Moraes trocou mensagens com Vorcaro no dia em que o empresário foi preso pela primeira vez na Operação Compliance Zero, em novembro do ano passado.
Na nota, ela afirmou ter produzido pareceres e opiniões legais sobre assuntos relacionados ao compliance do banco, disse ter ajudado a implementar o código de ética do Master e que ainda auxiliou na “análise consultiva e estratégica de inquéritos policiais”, sem explicar quais foram esses inquéritos nem qual o serviço exato prestado.
A advogada disse ainda que nunca atuou em nenhuma causa do Banco Master perante o STF.
Apreensão de mais três celulares
A Polícia Federal apreendeu três celulares com Daniel Vorcaro, ao cumprir os mandados judiciais expedidos pelo ministro André Mendonça, na última quarta-feira (4) e prender o banqueiro pela segunda vez.
Esses celulares serão colocados junto aos demais aparelhos apreendidos com o banqueiro desde a primeira prisão dele, em novembro do ano passado, e passarão por perícia.
As informações foram publicadas inicialmente pelo site G1 e confirmadas pelo Estadão.
Os conteúdos serão analisados e ainda não há clareza se os arquivos são mais relevantes do que os encontrados no celular que ele usava quando foi preso pela primeira vez.
Em nota divulgada pela defesa de Vorcaro no sábado (7), foi cobrado o acesso a dados brutos do aparelho para realizar uma perícia independente. Para os advogados do banqueiro, o requerimento, apresentado em 16 de fevereiro, ganhou “especial relevância” após a divulgação de conversas dele.
“O objetivo é permitir a análise independente por assistente técnico da defesa, conforme previsto na legislação processual, garantindo que a prova digital seja examinada com transparência, integridade e respeito ao devido processo legal, inclusive para avaliar a licitude dos procedimentos utilizados na obtenção dessas provas”, destacou.
*Com informações do Estadão Conteúdo
Fonte: Jovem Pan
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