Cartão de crédito, empréstimo e cheque especial: veja as modalidades com maior volume de dívidas no país
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Cartão de crédito, empréstimo e cheque especial: veja as modalidades com maior volume de dívidas no país

Publicado em 04/03/2026 , por Janize Colaço,

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Pressionadas por preços e juros elevados, famílias usam o cartão para cobrir despesas do dia a dia, mas o rotativo e os atrasos ampliam rapidamente o valor devido.

O Brasil fechou 2025 com o PIB em alta de 2,3%, desemprego no menor nível da história e renda média recorde. Ainda assim, o endividamento segue elevado — e o cartão de crédito continua concentrando uma boa parte das dívidas no país.

Dados da Recovery, obtidos pelo g1 em primeira mão, mostram que ao menos 19 milhões de brasileiros tinham dívidas no cartão de crédito no ano passado. Isso porque o levantamento considera a base da empresa, que tem 34 milhões de brasileiros com dívidas administradas.

Apesar de um leve recuo de 2% em relação a 2024, a modalidade continua, com ampla vantagem, no topo da lista das que mais concentram inadimplência no país.

A dimensão do endividamento sob gestão da empresa ajuda a entender o cenário:

  • São mais de 80 milhões de débitos em atraso em 2025;
  • 6 milhões de dívidas renegociadas e transformadas em acordos;
  • Apenas 193 mil registros têm origem em empresas — a maior parte é de pessoas físicas. 

Além disso, a distribuição regional das dívidas também chama atenção:

  • São Paulo: cerca de 4,4 milhões de endividados no cartão;
  • Rio de Janeiro: aproximadamente 2,4 milhões;
  • Bahia: cerca de 1,4 milhão.

Outras modalidades de crédito também ficaram mais pressionadas. As dívidas ligadas a empréstimos e cheque especial cresceram cerca de 7% no ano passado, passando de 12,7 milhões para 13,5 milhões de registros.

Nesse grupo, os maiores volumes estão no Sudeste:

  • São Paulo: aproximadamente 3,8 milhões;
  • Rio de Janeiro: 1,6 milhão;
  • Minas Gerais: 1,2 milhão.

Inflação, juros e inadimplência 

O avanço da inadimplência ocorre em um ambiente de crédito mais caro. Em 2025, o Banco Central elevou a taxa básica de juros em 2,25 pontos percentuais, levando-a a 15% ao ano — o maior patamar em quase duas décadas.

Isso significa que tomar dinheiro emprestado ficou mais caro.

O rotativo do cartão, os parcelamentos e os empréstimos passaram a pesar mais no orçamento, dificultando a reorganização das finanças de quem já estava com contas em atraso.

Como o g1 mostrou, o consumo das famílias cresceu apenas 1,3% em 2025, bem abaixo do avanço de 5,1% registrado em 2024. Mesmo com desemprego em mínima histórica e rendimento médio recorde, as compras passaram a depender quase exclusivamente da renda do trabalho, sem estímulos extras.

Nesse cenário, o cartão de crédito acaba funcionando como uma solução imediata para fechar as contas do mês — mas pode se transformar rapidamente em uma dívida de longo prazo, especialmente quando há atraso e incidência de juros elevados. 

Helena Passos, head de Dados e Planejamento na Recovery, ressalta que o momento exige cautela. “Para milhões de brasileiros endividados, 2026 será crucial para a reconstrução financeira", afirma.

Segundo ela, o cenário demanda maior foco em educação financeira, uma abordagem consciente na renegociação de dívidas e a implementação de políticas que incentivem a retomada responsável do crédito, evitando, assim, a repetição do ciclo do superendividamento.

A especialista também aponta uma mudança no perfil das renegociações, cada vez mais concentradas nos canais digitais.

“Atualmente, 77% das negociações feitas na Recovery acontecem nesses canais, o que reforça o avanço da transformação digital no mercado de cobrança.”

Fonte: G1 - 04/03/2026

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