Como ex-empacotador transformou um pequeno terreno em negócio de R$ 400 mi
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Como ex-empacotador transformou um pequeno terreno em negócio de R$ 400 mi

Publicado em 13/03/2018

A Indústria Zaeli começou como um pequeno engenho de arroz na cidade de Umuarama, no Paraná, mas foi a importante decisão de Valdemir Zago de comprar o terreno vizinho o fator essencial para o crescimento do negócio

Valdemir Zago começou a trabalhar aos oito anos com o pai e hoje comanda um dos negócios mais importantes do ramo alimentício do País. Atualmente, a Indústria Zaeli é responsável pela compra de produtores, industrialização e empacotamento de produtos, que vão desde temperos e aperitivos até o arroz e feijão presente na mesa diária do brasileiro, totalizando 25 linhas da marca.



Mas, como foi a trajetória do empreendedor, que tinha uma vida simples na cidade de Santa Fé, interior do Paraná, até chegar à construção da marca que faturou, em 2017, cerca de R$ 400 milhões? Antes dos negócios , Zago conta que passou por diversos empregos: trabalhou em uma loja de materiais de pesca e armamento, na lavoura com alguns primos, em uma loja de roupas como empacotador e também serviu ao Exército.

Para o empresário, sair da cidade pequena e conhecer grandes centros, aos 18 anos, foi a experiência decisiva para que criasse a vontade empreendedora de "pensar grande", como ele mesmo descreve.

Assim, foi na volta da ‘saga’ de um ano no serviço militar, em 1979, que decidiu tocar a empresa ainda pequena da família. Na época, seu pai, Elídio Zago, já trabalhava no mercado alimentício há dez anos, na cidade de Umuarama, também no Paraná. Ali, a base da Zaeli já estava consolidada, com o pequeno engenho de arroz e o imóvel de 200m². O negócio de Elídio se baseava na compra de grãos de intermediários, preparo e venda, o que trazia bons resultados, contudo, em uma escala bem menor do que a empresa produz hoje.

"Novos ares" da empresa

Ao longo do tempo, a família percebeu que a demanda só crescia e, para ‘dar conta’ disso, Valdemir Zago tomou uma importante decisão para os negócios. “Tínhamos um vizinho que já havia tentado atuar no ramo de café e arroz, mas que não obteve muito sucesso, por isso, estava vendendo um terreno. Fizemos a compra e parcelamos em 12 meses”, relembra.

Inseguro com a decisão e com a dívida de longo prazo, Elídio Zago quis tirar o seu nome da empresa, que até então chamava “Elídio Zago”, e acabou se tornando “Zago e Cia Ltda”. Depois disso, Valdemir passou a assumir seu lado empreendedor, conforme ele mesmo caracteriza.

Os anos de 1980 também foram marcados pelos investimentos da empresa, Zago conta que optou por fazer alguns empréstimos no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para comprar novos equipamentos. “Foi um bom negócio, pois em três anos triplicamos de tamanho”, analisa.

Em 1982, por exemplo, foi inaugurada a primeira indústria da Zaeli, também em Umuarama, quando também era responsável por industrializar produtos derivados do milho. Nesse mesmo período, a empresa adquiriu caminhões para o transporte dos alimentos e o  setor de logística própria, aliás, atua até hoje na empresa.

O mapa da marca se estendeu para outro estado apenas dois anos depois, em 1984. A segunda filial da empresa foi aberta na cidade de São Borja, no Rio de Grande do Sul. Neste ano, a “Zago e Cia” passou a utilizar a razão social "Alimentos Zaeli", palavra formada pelas primeiras sílabas do nome e sobrenome do fundador.

A boa experiência com os produtos derivados do milho 'apitou' o radar de Valdemir Zago, que, em 1988, inaugurou uma nova unidade para parboilização do arroz (pré-cozimento), moagem do milho, seleção de feijão e amendoim, além de industrialização do chocolate em pó, processamento e envase de azeitonas. Desse modo, a família entrava de vez no segmento alimentício.

Valdemir Zago

Mesmo com os bons resultados, o empresário confessa que uma característica pessoal já o prejudicou ao longo carreira. A dura exigência consigo mesmo e com os outros fez com que bons parceiros e funcionários fossem perdidos. Contudo, cursos, palestras e o próprio amadurecimento fizeram com que Zago trabalhasse nesse ponto negativo. Hoje, ele entende que colegas e colaboradores precisam ter um tratamento diferenciado, descreve.

Por outro lado, foi a perseverança quem mais ajudou Zago nos momentos difíceis. Entre os anos de 2011 e 2012, o empresário lembra que pensou em desistir, por causa de alguns problemas de ordem financeira. No entanto, a vontade de superar esse obstáculo – a tão marcada perseverança - foi maior.

Quando questionado sobre quais as maiores dificuldades em abrir um negócio, o empresário compara a decisão com a de um casamento, uma vez que considera essencial conhecer minunciosamente os detalhes do projeto para tomar a decisão correta.

“Para aqueles que desejam ingressar no segmento, sugiro que tenham consciência que a jornada de trabalho vai além das 40 horas semanais, o expediente acaba juntamente com o trabalho finalizado”, aconselha o empresário.

Se para o empresário abrir o próprio negócio é como casar-se, manter o empreendimento é algo semelhante com a criação de um filho, que, para crescer saudável, demanda investimento, empenho e amor.

Os anos tocando o projeto trouxe muito aprendizado a Valdemir. O empreendedor ressalta que leva sempre consigo o pensamento de que não se deve aceitar oportunidades que pareçam fáceis demais, além de preferir batalhar por si e pela empresa, sem nunca esperar "tanto dos outros".

Metas

Atualmente, a Indústria Zaeli possui cerca de 700 funcionários e mais de 250 representantes comerciais autônomos em seus 13 centros de distribuição espalhados pelo Brasil, além dos mais de 17 distribuidores em diversos estados. Valdemir Zago também conta que tem a intenção de abrir novos negócios na Região Metropolitana de São Paulo, por meio de lojas de bairro, no sistema de franquias. E, como sempre, ele pensa alto: a ideia é abrir 100 unidades até o final de 2018.

Fonte: Brasil Econômico - 12/03/2018

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