Alex Campos: maiores ganhos, só com maiores riscos
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Alex Campos: maiores ganhos, só com maiores riscos

Publicado em 13/11/2017 , por Alex Campos

O que está acontecendo, como previsto, é que as pessoas passaram a procurar um refúgio para o dinheirinho que sobra

Rio - Por favor, memorize ou anote essas datas: 23/07, 10/09 e 01/10. Todas deste ano. Numa delas eu escrevi sobre as vantagens do Tesouro Direto. Na outra eu expliquei que o Tesouro Direto é uma ótima alternativa para a Renda Fixa. Depois, afirmei que a Renda Fixa continuaria sendo mais atraente do que a poupança, mesmo em época de juros baixos. Daí que os saques nas cadernetas voltaram a superar os depósitos, depois de cinco meses de saldo positivo. Em outubro, houve mais retiradas do que entradas. O resultado negativo foi de R$ 2 bilhões.

O que está acontecendo, como previsto, é que as pessoas passaram a procurar um refúgio para o dinheirinho que sobra. E estão descobrindo, como foi avisado aqui na coluna de 23/07, que o lugar desse dinheirinho é na Renda Fixa.

A fuga de R$ 2 bilhões das cadernetas mostra que muita gente entendeu o recado dado na coluna de 10/09, quando eu alertei que "a poupança é proibida de ser um bom negócio". Com os juros oficiais do Banco Central abaixo de 8,5% (hoje estão em 7,5%), os rendimentos das cadernetas deixam de ser de 0,5% ao mês (mais a Taxa Referencial TR) e passam a ser de apenas 70% da taxa Selic do BC.

Melhor ainda se, para chegar ao refúgio escolhido, a pessoa seguir a trilha do Tesouro Direto, que também leva à Renda Fixa, tema da coluna de 01/10, que destaca as vantagens de se investir em títulos públicos, por meio de corretoras confiáveis, mas sem intermediação dos bancos.

Não há como alegar que os saques da poupança foram maiores que os depósitos por causa da inflação ou do desemprego. A inflação está hoje entre as mais baixas da história, e o desemprego, mesmo sendo dos mais altos, não impediu que houvesse ganhos de depósitos de maio a setembro. Fato é que a longa temporada de juros baixos vai obrigar boa parcela dos brasileiros a buscar alternativas de aplicações variáveis e instáveis, do tipo "maiores ganhos, só com maiores riscos". Em geral, claro, os donos de cadernetas vão ficar onde estão, seduzidos pela simplicidade voluntária da poupança. São mais de 100 milhões de brasileiros que já guardam lá R$ 695,216 bilhões. Enfim. volto a este assunto quando a marca dos R$ 700 bi for definitivamente alcançada.

O NOME DO JOGO É PREVISIBILIDADE

Renda Fixa é um investimento que tem regras de remuneração fixas ou definidas. Essas regras estipulam o prazo e a forma que a remuneração será calculada e paga ao investidor. Nesse caso, é o investidor que concede empréstimo ao banco em troca de pagamento de juros. Em contrapartida, o banco emite um documento no qual se compromete a devolver o dinheiro emprestado acrescido de juros após um período já estabelecido. Nas operações de Renda Fixa é possível prever ou, ao menos, estimar a remuneração do investimento, dado que os valores são previamente definidos. Já na renda variável (diferente da renda fixa), não existe previsibilidade de remuneração, pois ela está associada a condições futuras do mercado, que dependem de fatores econômicos imprevisívei

OPERAÇÕES DE BAIXO RISCO

Operações de Renda Fixa são consideradas simples e de baixo risco. O risco nas operações está associado à capacidade da instituição financeira que recebeu o empréstimo de honrar a dívida que adquiriu. Logo, as aplicações de Renda Fixa são recomendadas para investidores iniciantes e conservadores, que não pretendem se expor diretamente à volatilidade do mercado.

PRÉ-FIXADOS E PÓS-FIXADOS

Os títulos de Renda Fixa cujo rendimento está associado a uma taxa de juros previamente conhecida são chamados de pré-fixados. Nesse título, o portador resgata o valor investido na data combinada, acrescido da remuneração antecipadamente estabelecida. Já os pós-fixados são títulos, essencialmente, de renda variável. Mas são considerados como Renda Fixa porque o rendimento está associado a indicadores de taxas médias de juros e taxas de inflação previamente acordadas. Não há risco de o valor resgatado ser inferior ao valor investido. No entanto, é possível que os ganhos fiquem abaixo das expectativas por causa de fatores posteriores ao momento da aplicação.

Fonte: O Dia Online - 12/11/2017

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